<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830</id><updated>2012-01-23T03:10:18.837Z</updated><category term='carnaval ovar; ovário; estupidez; carlos castro(sempre ele)'/><category term='primeiro-ministro'/><category term='frio'/><category term='carlos castro(só porque me apetece)'/><category term='vaga'/><category term='carnaval torres vedras; sesimbra; viriato; dança do cu; parvoíce'/><category term='britney spears(também deve estar com frio)'/><category term='cristiano ronaldo'/><title type='text'>Todo Carnaval tem seu fim (menos o português)</title><subtitle type='html'>&lt;strong&gt; Este blog faz mal à saúde. Se conhece alguém com influência ou com um martelo de orelhas, mande fechar este blog. Não se admite tamanho atentado à integridade intelectual dos cidadãos. E à integridade física dos llamas chilenos. Nem que José Carlos Malato faça tanta cura de emagrecimento e apareça todo nú em festas gay mais gordo ainda. E não se admite que não haja quem arranje uma cadeira mais larga para o João Gobern se sentar &lt;/strong&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8302075672600116886</id><published>2011-03-07T16:05:00.005Z</published><updated>2011-03-07T16:55:39.309Z</updated><title type='text'>Carnaval de Torres Vedras 2011: então não é que me desata a chover? Que chatice...</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt; &lt;div&gt;Aproxima-se a passos largos o dia de carnaval. Consulto a agenda para os próximos dias e, ao lado, a previsão meteorológica diz que v...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;...desculpem. Não conseguia parar de rir. Vamos lá tentar outra vez. Aproxima-se a passos largos o dia de carnaval. Consulto a agenda para os próximos dias e, ao lado, a previsão meteorológica diz que v... HAHAHAHA... que vai... HAHAHAHAHA, não aguento!... que vai chover a cântaros!! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lehVeVqy7Ns/TXUNvGqZMeI/AAAAAAAAAaw/PjfBdih_EMc/s1600/carnaval_2010422.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581382416089035234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lehVeVqy7Ns/TXUNvGqZMeI/AAAAAAAAAaw/PjfBdih_EMc/s400/carnaval_2010422.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Parece-me o melhor prémio possível para o carnaval de Torres Vedras 2011 (e, de caminho, para os restantes também), uma valente saraivada nas ventas! A ideia de fazer um carnaval na altura do ano que coincide com as gripes e constipações sempre me pareceu muito mal explorada por parte dos departamentos de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; das farmacêuticas. Há tanta publicidade direccionada e ninguém aproveita para fazer uma campanhazinha: &lt;em&gt;«vai para o carnava de Torres? Leve Antigripine».&lt;/em&gt; Em alternativa: &lt;em&gt;«É um folião que participa nos desfiles debaixo do temporal? Não esqueça o seu anti-gripal!»&lt;/em&gt; Ou então: &lt;em&gt;«É um daqueles moços que gosta de se vestir de moça? Tome Aspirina».&lt;/em&gt; Se bem que neste caso não se fala especificamente da altura do ano, mas um moço que goste de se vestir de moça uma vez, gosta a vida toda e, portanto, a Aspirina há-de fazer-lhe bem em qualquer altura do ano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os desfiles e a sua corja de imbecis vão andar por aí, com o nariz a pingar, grande parte deles a cair aos cantos, bêbados, a vomitar, a ignorar os sintomas de gripe, para depois meterem baixa o resto da semana porque não estão em condições de ir trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso que isto aconteça no país que está, segundo se sabe, à beira do abismo e cheio de vontade de dar um passo em frente. Trabalhar, a malta não quer. Paródia? Pois sim, venha ela. Ele há manifestações contra as medidas do governo, contra as medidas da oposição, contra as medidas dos juízes, contra as medidas dos bancos, contra as medidas das calças, contra as medidas de tudo e mais alguma coisa. E depois há malta que se balda indecentemente para ir brincar ao carnaval. Nunca vi ninguém baldar-se ao carnaval para se ir manifestar. Ou baldar-se ao carnaval para ir trabalhar, que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso andar toda a gente indignada porque lhes estão a ir ao bolso, com os impostos, portagens e despedimentos e o raio-que-parta, mas ainda não ouvi ninguém levantar-se para dizer que é preciso parar de gastar dinheiro no carnaval. De acordo com o jornal «Correio da Manhã», os desfiles de carnaval neste país vão envolver um gasto de dinheiro pouco inferior aos três milhões de euros. Quantos empregos se salvam com três milhões de euros? Eu sei que este número pode não estar certo - se fosse quantas pessoas morreram numa chacina de uma família de pastores em Armamar, seria altamente credível - mas, a errar, o referido jornal só estará a errar por defeito, porque neste país nunca ninguém gasta menos que o previsto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De acordo com esses números, o carnaval de Ovar é o líder da gastação de dinheiro, com um invesimento de 500 mil euros para... hum... nada. Aparentemente, o tema do carnaval é livre, quem quiser ir ver até tem que pagar para entrar e o meio-milhão de euros não sabe muito bem para que serve. Talvez seja para fazer carros alegóricos a partir de barricas de ovos moles. Torres Vedras está ela-por-ela e, nesta luta pela hegemonia do ridículo, também gasta 500 mil euros, essencialmente a pagar &lt;em&gt;table-dances&lt;/em&gt; às bailarinas brasileiras que vão abanar as carnes no carnaval mais português de Portugal. Loulé só gasta 300 mil euros, para pagar 14 carros alegóricos e cabeçudos. Não sei por que razão se gastam 300 mil euros quando, do lado de fora, aquilo já vai estar cheio de cabeçudos, mas sei que esse valor seria suficiente para manter uma pequena empresa a laborar no Algarve por mais quatro anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na RTP, o carnaval começou mais cedo: nas comemorações do seu 54º aniversário, a estação de televisão custeada com o dinheiro dos contribuintes investiu uma pipa de massa para organizar uma festa bonita, cheia de luz e cor e dança e sorrisos e tudo, valor esse severamente agravado pela quantidade de vestidos que foi preciso pagar à Sílvia Alberto. Demorou quase uma hora para nos explicar que um painel de júri qualificadíssimo, onde constavam um mediador de seguros e um funcionário público, esteve horas a fio a votar nas melhores canções que ouviu para, no fim, a canção eleita ser uma palhaçada triunfal escolhida pelo povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;RTP - 0, Parvoíce - 10&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem feito para a proa com que ainda se olha para este fenómeno bacoco chamado Festival da Canção, mal feito para o dinheiro dos contribuintes que anda a pagar idiotices destas. Ainda bem que gastaram 209 mil euros do dinheiro dos contribuintes para pagar a um grupo de trabalho de assuntos culturais (que só se reuniu uma única vez) para, afinal, a cultura ser tratada com esta cara-de-pau. Ainda bem, porque, pelo menos, foram 209 mil euros a menos que se gastaram a fazer carnavais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E como isto me faz correr o risco de começar a parecer comunista, vou ali rir-me um bocadinho com as imagens televisivas da malta a festejar o carnaval debaixo de uma tromba d'água e despeço-me com uma pergunta ignóbil: há algum carro alegórico com um sexagenário e um saca-rolhas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;[peço perdão pelo teor lascivo da foto, mas ela foi singelamente roubada à organização do carnaval de Torres Vedras]&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;0&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8302075672600116886?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8302075672600116886/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8302075672600116886' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8302075672600116886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8302075672600116886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2011/03/carnaval-de-torres-vedras-2011-entao.html' title='Carnaval de Torres Vedras 2011: então não é que me desata a chover? Que chatice...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lehVeVqy7Ns/TXUNvGqZMeI/AAAAAAAAAaw/PjfBdih_EMc/s72-c/carnaval_2010422.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-523330828556235761</id><published>2011-01-05T10:38:00.003Z</published><updated>2011-01-05T11:10:12.291Z</updated><title type='text'>8 de Março é já aí ao virar da esquina e a idiotice do mundo desce ao carnaval de Torres Vedras</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSRPthiCgHI/AAAAAAAAAZw/eu7PWTMQ5rk/s1600/Untitled-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558655483595882610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSRPthiCgHI/AAAAAAAAAZw/eu7PWTMQ5rk/s200/Untitled-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aparentemente o carnaval calha, em 2011, a 8 de Março. Já não falta quase nada, o que é uma pena. Todos aguentamos os incêndios no Verão, as cheias no Inverno, o acordo ortográfico, as eleições presidenciais, as medidas de austeridade, os anúncios do Pingo Doce, as músicas do David Fonseca, as séries e os filmes de vampiros, as opiniões sobre política do Marques Mendes, os livros do Sousa Tavares e o aumento dos impostos, mas se há uma parte do ano que não aguentamos é aquela em que todos os gajos parvos se mascaram de gaja feia e desfilam o orgulho da sua parvoíce pelas ruas de Torres Vedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o tema do carnaval de Torres Vedras 2011 é «A Selva», um tema que, de acordo com a organização, potencia &lt;em&gt;«a carga satírica, de humor e de colorido, que é tradição do carnaval de Torres».&lt;/em&gt; É curioso que, para algo que se chama «carnaval» e tem o mote em algo com elevada &lt;em&gt;«carga satírica, humor e colorido»&lt;/em&gt;, as reacções bizarras dos foliões têm tendência para se transformar com frequência em ira, má-educação e verborreia ao visitar este humilde e desconexo blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo algumas briosas demonstrações de &lt;em&gt;fair play&lt;/em&gt;, devidamente assinaladas em seus devidos espaços nas listas de comentários e com reconhecimento da inteligência de quem os fez, todos os fiéis visitantes ocasionais deste espaço se preocupam em despejar o seu mau-português e chorrilhos de palavrões para criticar quem diz (escreve) que o carnaval de Torres Vedras é, digamos, parvo. Porque é, meus amigos. É uma má desculpa para a parvoíce. Há aquela parvoíce que é vocacional, que não está ao alcance de todos e que só deve ser exercida mediante apertada vigilância média &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(estou a ir bem, doutor?...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, e há aquela parvoíce que é involuntária e contagiosa. É o que acontece no carnaval de Torres Vedras, em que a &lt;em&gt;«carga satírica»&lt;/em&gt; se transforma rapidamente numa desculpa para ser descaradamente ofensivo com tudo e com todos sem controlo aparente, o &lt;em&gt;«humor»&lt;/em&gt; é singelamente inflamado por litros etílicos que de tudo fazem rir, mesmo do que não tem piada, e o &lt;em&gt;«colorido»&lt;/em&gt; é, regra geral, acastanhado, por causa do acumulado de vomitado nos cantos e pela quantidade de lixo que fica depositado nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vistas as coisas, o carnaval de Torres Vedras é uma má desculpa para encapotar a estupidez natural de muita gente que, ao abrigo do suposto «carnaval», finalmente se revela no decorrer dos chamados dias de folia. Vestidos de mulher, normalmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meus amigos, é carnaval, ninguém leva a mal. E vocês, que levam, são bastante parvos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-523330828556235761?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/523330828556235761/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=523330828556235761' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/523330828556235761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/523330828556235761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2011/01/8-de-marco-e-ja-ai-ao-virar-da-esquina.html' title='8 de Março é já aí ao virar da esquina e a idiotice do mundo desce ao carnaval de Torres Vedras'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSRPthiCgHI/AAAAAAAAAZw/eu7PWTMQ5rk/s72-c/Untitled-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-465779939808156748</id><published>2011-01-03T12:51:00.024Z</published><updated>2011-01-03T14:39:38.055Z</updated><title type='text'>A República Dominicana é a praia mais bonita do Haiti, mas cuidado com as pilhas</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVRpdyMFI/AAAAAAAAAYo/kMbK1y3GTsU/s1600/islasaona_n.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557957914317172818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVRpdyMFI/AAAAAAAAAYo/kMbK1y3GTsU/s320/islasaona_n.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O sol queima com intensidade; o pouco ar que corre é abafado; as senhoras turistas atropelam-se para irem apanhar um &lt;em&gt;pareo&lt;/em&gt; garrido e feio; os locais, de pele escura e suja e sebenta e cheiram mal, não nos deixam em paz a querer vender porcarias que não queremos comprar; não, não é a feira de Carcavelos num dia de Verão, é apenas uma singela praia na República Dominicana. Qualquer uma serve. Todas têm esta envolvência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha das palmeiras define a fronteira entre o areal e o mar. Define, também, a linha entre chatear ou não chatear os turistas: entre a primeira fila de espreguiçadeiras e a dócil rebentação do mar do Caribe, naquela tira pequena de areia molhada, circulam pelotões inteiros de haitianos a tentar vender de tudo, desde o sol à lua, passando pela mãe, as irmãs, o dente de ouro de uma tia, uma ilha qualquer no Pacífico, um camião roubado à ONU, duas vacas sagradas, uma avestruz do Paquistão, um Cadillac que pertenceu a J.F. Keneddy mas só depois de morto, um vestido que pertenceu a Lady Gaga quando ainda era homem e uma galinha que é prima do coelho da Páscoa e põe ovos de chocolate. Lá pelo meio até dizem a verdade, que têm bonito artesanato para vender. O problema é que, como eles não podem, fisicamente, vender nada na praia, têm que convencer os turistas a ir visitar as suas barracas… perdão, superfícies comerciais, aglomeradas naqueles 170 centímetros de praia que não pertencem aos hotéis. Os estrangeiros que acabaram de chegar vão atrás deles, cheios de boa vontade, perdem 20 minutos, gastam 70 dólares e voltam com uma máscara de bambu que se parte toda, um berimbau que não toca, um íman que não agarra ao frigorífico e um &lt;em&gt;pareo&lt;/em&gt; que debota assim que se lava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVZb88WWI/AAAAAAAAAYw/UwTb4fzxTd8/s1600/untitled1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557958048128719202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVZb88WWI/AAAAAAAAAYw/UwTb4fzxTd8/s320/untitled1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Felizmente, tudo isto é relativamente pacífico e, a partir do momento em que aprendemos a ignorar os haitianos, a estadia na praia é excelente. Mas a sensação do sossego não é imediata porque, convenhamos, não é todos os dias que se deita a toalha na areia de uma praia com um polícia em cada palmeira. Primeiro vem a desconfiança de que algo se passa ali, depois vem a aprendizagem: esperamos até que haja uma brecha entre os grupos de haitianos que andam para trás e para a frente e corremos para o mar. Eles não vão lá dentro, nós só saímos de lá quando eles não estão na areia molhada. E assim se vive calmamente, com a certeza de que os polícias estão na praia para nos proteger e não para nos multar por termos estacionado mal a espreguiçadeira. Até havia um polícia que estava na praia especificamente para avisar os turistas que havia uma palmeira em risco de cair. &lt;em&gt;«É bom que eles mostrem a sua presença na praia, porque impõe respeito»,&lt;/em&gt; disse-me Angel, um autóctone do qual não me lembro do apelido, e que por isso a partir de agora passa a ser referido como Angel My Friend: &lt;em&gt;«Isto aqui já esteve muito pior. Depois do terremoto [no Haiti], eles [os haitianos] vieram para este lado [da ilha] e começaram a roubar-nos [aos dominicanos] quase tudo. Começaram a vender nas praias, a aborrecer os turistas, a praticar furtos, de maneira que as cadeias de hotéis começaram a pagar um suplemento especial à polícia para vigiarem as praias».&lt;/em&gt; Criou-se uma espécie de convivência tolerante, mas apenas para quem tolera hordas de haitianos a sugar recursos como uma sanguessuga no braço de um americano dentro de uma casa de hambúrgueres. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;«Eh, pá! Este blogue é cruel como o caraças, não tem pena dos haitianos que ficaram sem nada desde o terramoto e até têm cólera e mais o raio que parta…»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bom, se você, que está a tentar ler isto, leu a frase anterior e ela fez algum sentido dentro da sua cabeça, se calhar é melhor que eu lhe explique algumas coisas primeiro. Pode ser? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVfcx9HwI/AAAAAAAAAY4/woy9iGd_I-Q/s1600/untitled2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557958151430283010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVfcx9HwI/AAAAAAAAAY4/woy9iGd_I-Q/s320/untitled2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ponto um: os haitianos não têm pena deles próprios. &lt;em&gt;«São seres revoltados por natureza, até os que têm uma vida aceitável e estão integrados no nosso país, com a sua casa, com a sua família, com o seu sustento, até esses são revoltados e conflituosos».&lt;/em&gt; Quem o diz é o Angel My Friend, de quem não tenho motivos para achar que o diz da boca para fora. O Angel é um rapaz dominicano educado, com estudos, com frequência em ensino qualificado universitário, com a ambição de se especializar em relações internacionais num intercâmbio qualquer na Europa. Nem sequer é como a maior parte dos dominicanos, que sonha um dia viver nos Estados Unidos, embora saiba perfeitamente que nunca vai pôr um pé fora daquela ilha. &lt;em&gt;«Gostava de ter uma carreira e ficar lá por fora, ter uma família»&lt;/em&gt;, diz, sem saber que na Europa as pessoas vivem encavalitadas umas nas outras, faz um frio de rachar, chove e neva, é tudo caro e ninguém vive contente. &lt;em&gt;«A ambição do dominicano médio é ir para Miami. A ambição de um dominicano pobre é um dia poder fazer uma viagem fora do país. A ambição do haitiano é viver deste lado da ilha e armar zaragatas com toda a gente»&lt;/em&gt;, acrescenta. Estima-se (não eu, que nunca soube estimar nada) que haja uns dois milhões de haitianos a viver na metade direita da ilha, que, para quem não sabe, se chama República Dominicana. Desses dois milhões, três estão ilegais. Mas são contabilizados para os quase dez milhões de habitantes do território. &lt;em&gt;«Eles ficam com os cuidados básicos de saúde, com toda a assistência social, com tudo o que é dinheiro do governo para ajuda ao povo»,&lt;/em&gt; diz o Angel My Friend, sem raiva, mas com o ressentimento natural de quem percebe que, para estar doente, tem que ter um seguro de saúde pago pelo patrão. A mãe e o pai, diz, não têm. Se ficam doentes, vão para a mesma fila dos haitianos. E ele não está a exagerar. Uma turista do hotel teve gripe, foi ao centro de saúde do hotel e teve que accionar o seu seguro de viagem, caso contrário a médica não a tratava. Uma embalagem com três cápsulas anti-gripais custou 23 dólares. O descongestionador nasal custou 30 dólares. A consulta custou 97 dólares mais 20 dólares da chamada telefónica para o seguro, que pagou tudo. A turista, no dia a seguir, já andava aos saltos dentro de água. &lt;em&gt;«Se fosse um haitiano, ia para a fila das urgências até ser atendido. Mesmo que, quando fosse atendido, já nem sequer estivesse doente»,&lt;/em&gt; sublinha o Angel My Friend.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ponto dois: os haitianos não servem para nada e só estragam. Mas espalham doenças ou isso? &lt;em&gt;«Não, nada disso»,&lt;/em&gt; esclarece o Angel: &lt;em&gt;«eles nem gostam de se misturar com os dominicanos. Mas eles arruínam-nos o país. O governo dominicano até lhes paga para determinadas coisas, e eles fazem tudo para estragar»&lt;/em&gt;. Não fiquei muito convencido e pedi-lhe para detalhar. Então fiquei a saber que o governo dominicano paga, vamos imaginar, 350 pesos por semana a um haitiano para ele trabalhar nos sectores em que os dominicanos se recusam a trabalhar a 500 pesos por semana. &lt;em&gt;«Eles vêm, fazem o que lhes pagam para fazer, mas de caminho destroem a habitação social em que os põem a dormir, cospem no chão do autocarro que os transporta, estragam comida de propósito, são eternamente revoltados»,&lt;/em&gt; diz o Angel. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Em defesa dos haitianos, é importante dizer que aquilo a que o rapaz se refere como ‘habitação social’ qualifica-se como ‘barraca’ em qualquer sítio da Europa]&lt;/span&gt; O principal motivo pelo qual o governo dominicano contrata haitianos é porque nenhum dominicano quer esse trabalho de baixa qualificação que é cortar cana-de-açúcar. É por isso que os haitianos recebem uma licença especial de permanência durante o período de contratação, que pode ir de oito a vinte e quatro semanas, mas nunca é cumprido para lá das doze. &lt;em&gt;«O que acontece»,&lt;/em&gt; explica o Angel My Friend, &lt;em&gt;«é que eles trabalham semanas suficientes para ganharem algum dinheiro e, assim que têm o suficiente, voltam para o Haiti, onde eles e a família se podem embebedar como lordes durante três meses, porque o dinheiro que levam daqui, lá, é uma fortuna».&lt;/em&gt; Mas isso são todos? Tem que haver excepções. &lt;em&gt;«E há. Há os que trabalham até terem dinheiro suficiente para construírem uma barraca e se sustentarem por cá».&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVmgBmmHI/AAAAAAAAAZA/KLT1puGHjK4/s1600/untitled3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557958272560306290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVmgBmmHI/AAAAAAAAAZA/KLT1puGHjK4/s320/untitled3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ponto três: há quem diga que os haitianos só tiveram o que mereciam e, apesar da citação ser parva, nem sou eu que a digo. O Angel explicou-me que há uma corrente de opinião, dentro do próprio Haiti, que segue a ideia de que o terramoto não teria sido tão violento se o Haiti tivesse alguma coisa para o amortecer. &lt;em&gt;«Já viste alguma imagem de satélite desta ilha, para veres a diferença entre o território do Haiti e o da República Dominicana?»,&lt;/em&gt; perguntou-me. Ó Angel, My Friend, eu nem sei o que é um satélite, quanto mais alguma vez ter visto a imagem de um. &lt;em&gt;«O lado do Haiti não tem nada, não tem árvores, sequer. Eles cortaram árvores durante anos e anos para fazerem esculturas em madeira, para produzirem carvão e lenha e madeira para tudo e mais alguma coisa. Com isso, tornaram-se nos maiores exportadores de artesanato em madeira. Ao ponto de andarem a exportar elefantes de madeira em tamanho real».&lt;/em&gt; Para isso, de facto, é precisa muita madeira, de tal modo que, quando o terramoto veio, chocou de frente com um pedaço de ilha cheio de nada, só com barracas frágeis, sem relevo natural para absorver o safanão. Eu nem sequer sei se esta teoria é válida e faz algum sentido, mas, sinceramente, serve-me bem como explicação para o desastre. E, sinceramente também, estou sem paciência para investigar se é verdade. Estou com mais vontade de ir conhecer este lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de trocar de cicerone e o Angel indicou-me um rapaz que sabe tudo sobre a ilha e fala tudo, espanhol, inglês, francês, alemão, italiano, caribenho e depressa. Eu, infelizmente, não percebo patavina de nada, só o entendo por gestos. Chama-se José [diz-se «Ró-Cé»]. José quê? Não faço a mínima ideia, porque o abecedário gestual é complicado de compreender, mas a partir de agora chamo-lhe José, O Tímido. Porque tímido é tudo o que ele não é. No início do périplo pela ilha, José disse tanta coisa que eu quase não consegui dispersar a atenção para olhar pela janela e ver a paisagem. Mas lá fiquei a saber que os talhos dominicanos penduram a carne cá fora. Para quê? &lt;em&gt;«Ninguém aqui tem dinheiro para pagar grandes arcas frigoríficas ou a electricidade que ela custa, de maneira que a carne é posta a secar ao ar &lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[e às moscas, acrescento eu]&lt;/span&gt;&lt;em&gt;, depois de ser devidamente salgada para se conservar como deve ser».&lt;/em&gt; A parte de não quererem gastar electricidade eu até percebo, porque assim os dominicanos preferem guardar a luz para ouvir os discos do Juan Luis Guerra e jogar dominó noite dentro. Mas a parte de deixarem a carne na rua… porque ela se conserva melhor, é que me faz espécie. &lt;em&gt;«Deixa lá, é uma carne deliciosa. Olha, a carne que é fornecida ao hotel em que estás vem destes talhos»,&lt;/em&gt; disse o tímido. Pelo sim pelo não, comi peixe até ao fim da estadia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHV9cdFgiI/AAAAAAAAAZQ/Lp2ibpxUVFU/s1600/untitled5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557958666738827810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHV9cdFgiI/AAAAAAAAAZQ/Lp2ibpxUVFU/s320/untitled5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A propósito do dominó, fiquei a saber que esse é o desporto número três dos dominicanos. A sério? Então mas e o futebol, esse desporto tão universal?, perguntei eu. &lt;em&gt;«Ah, aqui ninguém liga muito a isso. Aqui é Baseball».&lt;/em&gt; Faz sentido. Os dominicanos param ao sábado para ver os jogos do Baseball americano (onde jogam vários compatriotas; e até jogam bem, pelos vistos; apesar de, recentemente, ter havido um que levou com uma bola e ficou sem um olho). Mas também param às quintas para ver lutas de galos e em qualquer altura para jogar dominó. &lt;em&gt;«Para o resto, estão-se a borrifar»,&lt;/em&gt; diz José. Mas luta de galos nem sequer é um desporto!, noto, com indignação ignóbil. &lt;em&gt;«Claro que é. Há criadores de galos que se suicidam por causa de um mau resultado de um capão seu. E correm ao lado dos galos, preparam-nos, lutam com eles. É desporto nacional».&lt;/em&gt; Sim, sim. Desporto nacional, pois sim. Na ala de doentes mentais, talvez. Não estivesse ela cheia de haitianos. A verdade é que se percorrem quilómetros e quilómetros sem se avistar um único campo de futebol, mas vê-se uma meia-dúzia de campos de Baseball e dominicanos por todo o lado a jogar dominó. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que também se vê por todo o lado são moto-táxis. Como o próprio nome indica, são motos que servem de táxi. Estranha o conceito? Dois ou três moços com uma moto tipo Zundapp param numa esquina vestidos com um reluzente e sebento colete fluorescente, com as palavras «MOTO TAXI» escritas atrás. Quem precisa de boleia (as povoações na República Dominicana são todas longe umas das outras) paga, monta-se atrás na moto e vai à sua vida. O conceito é simpático e não é inédito. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[o negócio que mais cresceu na cidade de Paris nos últimos três anos foi precisamente o do moto-táxi]&lt;/span&gt; Mas os moto-táxis dominicanos falham em alguns detalhes básicos: na maior parte das motos, só cabe o condutor, o pendura vai com o rabo num pedaço de chapa; a maior parte das motos não tem poisa-pés para o pendura, que vai com os pés no escape; a esmagadora maioria dos penduras apanha moto-táxi mesmo que esteja carregado com os sacos das compras ou outras porcarias; há motoristas de táxi que aceitam levar mais de uma pessoa; ninguém usa capacete, mesmo que as estradas tenham buracos e lombas que assustam qualquer jipe; e o mais assustador é o aspecto horrível dos motoristas, qualquer um deles digno de ser protagonista do «Machete».&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHWParNcuI/AAAAAAAAAZY/yoFV2NIncwQ/s1600/2462055573_c38ea0e03a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557958975498842850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHWParNcuI/AAAAAAAAAZY/yoFV2NIncwQ/s320/2462055573_c38ea0e03a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A República Dominicana é famosa pelo turismo e não admira, porque as praias são óptimas e a água é bestial. O Mar do Caribe é tão revolto e violento como, digamos, a Lagoa de Albufeira (que, por acaso, não fica em Albufeira, e sim no Meco) antes da troca da maré. A Lagoa mesmo, não a parte da praia de mar. Ou seja, é calminho, calminho, calminho. Só que a água do Mar do Caribe tem uma temperatura mais elevada do que muitas sopas que eu já aqueci no micro-ondas. E o sol torra mesmo. Vi um inglês que, entre descer do barco e fazer aqueles cinco metros a pé até à praia, passou de branquinho como o leite a vermelho como um lagostim. Na viagem que fiz com José, O Tímido, fui a Bayahibe apanhar uma lancha rápida para uma ilha qualquer mais a sul que ele me descreveu como sendo espectacular. De caminho, por cima de águas transparentes em que até se conseguem ver as estrelas-do-mar pousadas no fundo, foi-me dizendo: &lt;em&gt;«sabes, em tempos, nestas águas e nesta ilha que te vou mostrar, foi aqui que filmaram as cenas do filme ‘A lagoa azul’ com a Brooke Shields».&lt;/em&gt; Ó Tímido, estás a gozar-me, não estás? Esse filme foi filmado numa ilha qualquer das Fiji e em Vanuatu! Eu sei isso porque eu vivia em Vanuatu nessa altura! Eu vi as filmagens da minha cama de rede!… &lt;em&gt;humpf!&lt;/em&gt;, adiante. Chegámos à tal ilha, que se chama Saona. E… A-HA!!... isto sim, é famoso! A célebre palmeira inclinada onde foram feitos os anúncios da Bounty! Isso não me contaste tu, ó Zé cicerone de trazer por casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilha de Saona não tem nada de especial. É uma ilha, pequena, cheia de palmeiras, areais e praias incríveis, pode atravessar-se de um lado ao outro a pé e mergulhar por todo o lado. Parece espectacular (e na verdade, até é um bocadinho), mas como esta existem 300 ilhas nas Caraíbas. Tem uma enorme vantagem, que é o facto de ter praias verdadeiramente sossegadas, sem colunas de som aos berros com música para turista, com muito menos haitianos que as outras e sem progresso aparente à vista. Estão registados 300 habitantes na ilha, mas por lá não pernoitam mais de vinte. E os que o fazem, são os pescadores. De todos os que lá dizem que vivem, nenhum é descendente dos colonizadores originais. E, para mim, o que a ilha tem, de facto, de especial, é a sua história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A ilha chama-se «Saona» porque o Cristóvão Colombo, único navegador em toda a História a ter um nome com dois acentos gráficos, decidiu chamar-lhe assim no dia em que a descobriu, em Maio de 1494, andava ele a tentar descobrir a América pela segunda vez. O Cristóvão era um rapaz perturbado e bastante parvo que, para além de querer descobrir continentes em duplicado, andava a tentar pôr ovos de pé. Naquele dia, Colombo nomeou um amigo seu, Michele de Cuneo, o primeiro governador da ilha de Saona, dando origem ao primeiro &lt;em&gt;«Job for the Boy»&lt;/em&gt; da História da Política. Michele de Cuneo era da Ligúria, na zona italiana da Cote D’Azur, mais precisamente de uma terra chamada Savona. Foi esse nome que foi atribuído à ilha: «Savona». Mais tarde, um nativo desdentado chamou-lhe «Sa’ona», e foi esse nome que perdurou no tempo. Durante séculos, ninguém quis saber da porcaria da ilha para nada. Só os piratas é que gostavam dela, porque ali podiam estabelecer um poiso enquanto atacavam embarcações que cruzavam o Caribe, mas nem eles podiam lá ficar por muito tempo, porque acabavam sempre por apanhar uma praga de cólera ou escorbuto e morriam todos de empreitada. Os únicos habitantes que perduraram ao longo do tempo foram os javalis, mas em toda a minha estadia em Saona não vi um único. E ainda bem, não fosse aparecer o anúncio idiota com o ainda mais idiota do Nuno Markl a fugir do javali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHWYqApKiI/AAAAAAAAAZg/dl61cQOFWo4/s1600/untitled.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557959134234094114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHWYqApKiI/AAAAAAAAAZg/dl61cQOFWo4/s320/untitled.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A ilha de Saona só se tornou minimamente interessante em 1944, andava a Europa às turras por causa de um senhor baixinho de bigode e andavam os americanos a tentar defender-se daquilo que eventualmente podia atravessar o Atlântico para lhes vir dar um grande tau-tau. Pudera, estavam escaldados depois da cagada que fizeram no Hawaii, quando um punhado de japoneses irrequietos lhes destruiu o orgulho e parte da frota do Pacífico, num ataque surpresa que só não foi remédio santo porque o almirante da empreitada nipónica achou que era hora de ir tratar dos bonsais e mandou cancelar a terceira vaga do ataque a Pearl Harbor. Durante uns anos, os Estados Unidos andaram a tentar «comprar» ilhas estrategicamente posicionadas à porta do Atlântico. Por «comprar», entenda-se «ocupar», porque há muito tempo que os américas têm a mania que são donos do mundo e então ocupam tudo o que acham que lhes faz falta. Ou acham que aquele pedacinho de Cuba lhes foi oferecido pelo Fidel? &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[bom, por acaso a baía de Guantanamo até foi uma prenda de Cuba para os americanos no início do século, mediante o pagamento de uma mensalidade de cinco mil dólares por ano; o Fidel tentou várias vezes desfazer a burrada do seu antecessor, mas em vão]&lt;/span&gt; No início de 1944, os americanos tinham ocupado a ilha de La Mona, que ficava ali algures entre a Jamaica, Porto Rico e a Nazaré. Para evitar que fizessem o mesmo com Saona, o ditador Trujillo Molina mandou colonizar a ilha (à altura, deserta) por intermédio de 12 famílias escolhidas a dedo por ele (apontou para a lista telefónica e escolheu). &lt;em&gt;«Foi uma forma educada de dizer aos Estados Unidos que não sem dizer que não»&lt;/em&gt;, diz José, O Tímido: &lt;em&gt;«ninguém dizia que não aos americanos, nem mesmo um ditadorzinho armado em mau como o Trujillo. Dessa maneira disse-lhe que não podia dar-lhes a ilha porque havia gente que vivia lá».&lt;/em&gt; Durante anos e anos e anos a ilha de Saona foi habitada por gente maluca, em resultado da consanguinidade que havia por lá, uma vez que eram todos filhos e irmãos e primos uns dos outros e era uma rebaldaria pegada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No regresso, José quis mostrar-me as coisas mais típicas da República Dominicana. A «Mamajuana», uma aguardente manhosa feita com pedaços de madeira a marinar dentro de uma garrafa; os bolinhos fritos típicos; rolinhos de carne; rum meloso. Enfim, nada que se aproveite. Levou-me à cidade de Higüey, para ver a catedral de Altagracia, mas eu vi tanta barraca, tanta moto, tanto buraco, tanto dominicano e tanta carne pendurada que decidi cancelar o passeio seguinte a Santo Domingo, por respeito com as minhas entranhas. Fiz as malas para vir embora porque achava que já tinha visto tudo. Mas faltava o toque final: no aeroporto, o fiscal de segurança agarrou-me nas pilhas da máquina fotográfica e disse-me &lt;em&gt;«o senhor não pode viajar com isto».&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHXHfglGrI/AAAAAAAAAZo/iFWIxASNwsA/s1600/4942673478_aeb45d7afd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557959938869107378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHXHfglGrI/AAAAAAAAAZo/iFWIxASNwsA/s320/4942673478_aeb45d7afd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bom… vamos lá com calma. Primeiro que tudo, quem é esse do «senhor»? Quer ofender-me? E depois, não posso viajar com as pilhas porquê? &lt;em&gt;«Ah, porque isto dá para fazer bombas perigosíssimas&lt;/em&gt;», disse o homem, por debaixo do seu aparadíssimo e ridículo bigode. Bombas?? Mais quais bombas? Bombas de mau cheiro? Bombas químicas com os dois mililitros de líquido químico que existe dentro delas? E faço-as explodir com o quê? Com a força da mente? &lt;em&gt;«No puede, no puede, no puede»…&lt;/em&gt; Mas no puede porquê, ó Juan Luis Guerra de farda?! Já viajei para todo o lado com a porcaria das pilhas. São pilhas recarregáveis, que os idiotas dos fabricantes de baterias resolveram fazer para proteger o ambiente e para não obrigar o Planeta a ter que reciclar milhões de pilhas gastas todos os anos. São mais caras que as outras, porque são recarregáveis. E por acaso até estão… DESCARREGADAS! Percebes, ó artista! &lt;em&gt;«No puede, no puede».&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Perante tanto no puede e o olhar indiferente dos dois polícias que estavam mais atrás, as pilhas ficaram mesmo no caixote do lixo da sala de embarque. Cá em baixo, na sala de embarque propriamente dita, uma loja tinha sido assaltada e ainda havia cacos de vidro no chão para toda a gente se cortar à vontade. Lá fora, junto aos aviões e aos reservatórios de&lt;em&gt; jet-fuel&lt;/em&gt;, grupos de pessoas fumavam sem qualquer restrição. No canto do &lt;em&gt;free-shop&lt;/em&gt; estava um expositor com – nada menos do que – 86 pilhas embaladas e prontas a vender. Mas as minhas oito pilhas, recarregáveis, caras e mais viajadas do que eu próprio, tiveram que ficar no caixote do lixo. Deve ser uma tradição dominicana qualquer que eu não captei. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-465779939808156748?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/465779939808156748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=465779939808156748' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/465779939808156748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/465779939808156748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2011/01/republica-dominicana-e-praia-mais.html' title='A República Dominicana é a praia mais bonita do Haiti, mas cuidado com as pilhas'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TSHVRpdyMFI/AAAAAAAAAYo/kMbK1y3GTsU/s72-c/islasaona_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3099630807622098625</id><published>2010-08-25T21:26:00.007+01:00</published><updated>2010-08-25T22:44:48.048+01:00</updated><title type='text'>Ele há grandes monstros da comunicação. E se há pessoa que o é, é o Henrique</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/THWF1KqkGcI/AAAAAAAAAYU/_AkM_Xt5MLI/s1600/100_0098_13_1_1_1_1_1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 313px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509456867600112066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/THWF1KqkGcI/AAAAAAAAAYU/_AkM_Xt5MLI/s320/100_0098_13_1_1_1_1_1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não sabia quem era o Henrique Sá Pessoa até uma colega de carteira me ter dito que ele é cozinheiro e aparece na televisão, nos anúncios do Pingo Doce. Como os anúncios do Pingo Doce estão cada vez melhores, preferia não ter sabido quem ele era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugeriram-me que visse o programa de TV em que ele é interveniente. Confesso que até hoje nunca consegui encontrar o referido programa de televisão. Um anjo qualquer tem sido capaz de me proteger ao longo destes tempos e não tenho tido o infortúnio de o encontrar enquadrado numa caixinha preta com LED brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que ele aparece bastas vezes em revistas. Como eu não sei ler, não compro revistas. Nem jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, quando já estava convencido de que tinha uma vida pacata e feliz por não saber quem é tal pessoa chamada Pessoa sem ser o Pessoa da História, «cruzei-me» com ele num spot de rádio. O problema de se ouvir rádio durante uns dias é que ao final do segundo dia já sabemos alguns anúncios de cor. Mesmo os que não queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois spots de rádio, com publicidade a um banco, feitos por esse enorme monstro da comunicação chamado Henrique Sá Pessoa. O primeiro diz mais ou menos isto (peço desculpa se não o reproduzo fielmente, mas roubaram-me a memória desde o raide das tropas do Hugo Chávez na fronteira com a Colômbia):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;«...bla, bla, bla, o banco ideal para quem adora cozinhar, fazer televisão e bla, bla, bla, bla...»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O outro diz, grosso modo, isto:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;«Eu além do restaurante, também tenho o programa de televisão, escrevo livros e, mais importante que isso, sou pai da Inês. Mais ocupado é difícil &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[com um tremelique na voz a imitar um sorriso jocoso]&lt;/span&gt;. E se ainda tenho tempo para vir a estúdio fazer este anúncio &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[outra vez armado em gozão como se estivesse a tentar rir]&lt;/span&gt; é porque tenho um banco que trata da minha bla, bla, bla, bla...»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bom, tentando desmontar os spots publicitários feitos por Henrique Sá Pessoa, deixo as seguintes questões, se ele me puder responder:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- 1º: caro Henrique, &lt;em&gt;«fazer televisão» &lt;/em&gt;é construir aparelhos de TV?&lt;br /&gt;- 2º: &lt;em&gt;«eu além do restaurante»&lt;/em&gt; quer dizer que há um outro Henrique Sá Pessoa além do restaurante? (Deus nos valha) Ou que tem dupla personalidade? Ou anda a dar-se demasiado com a Alexandra Solnado e tem um restaurante que fica no Além?&lt;br /&gt;- 3º: o meu caro amigo escreve livros? Mas escreve-os mesmo? À mão ou carrega nos botoezinhos da máquina de escrever? Será que não manda ninguém escrever por si?&lt;br /&gt;- 4º: &lt;em&gt;«Mais ocupado é difícil»&lt;/em&gt;? Olhe que não é. Há pessoas muito mais ocupadas na vida. Há pessoas que têm três empregos e ainda têm que tratar da família. E mesmo as que só têm um emprego não passam o dia a enfeitar pratos com beterraba marinada em molho de aniz e raminhos de salsa com cobertura de casca de limão ralada.&lt;br /&gt;- 5º: Se ainda tem &lt;em&gt;«tempo para ir a estúdio»&lt;/em&gt; gravar anúncios, é porque é, digamos, fanfarrão. As pessoas realmente ocupadas não têm tempo para essas mariquices. As pessoas realmente ocupadas têm o tempo livre que se esforçam por ter e, garanto-lhe, não é uma instituição bancária que o arranja. Se o senhor afinal até tem tempo livre, em vez de gravar anúncios porque é que não se ocupa a fazer alguma coisa útil? Tipo servir refeições aos sem-abrigo?&lt;br /&gt;- 6º: &lt;em&gt;[esta não é exactamente uma pergunta]&lt;/em&gt; Desista da carreira de comunicador. É péssimo nisso. Quase tão péssimo como a fingir que se está a rir enquanto fala. Ah, é verdade: tem uma voz francamente má e uma dicção terrivelmente pior. Para ser o Jamie Oliver português, tinha, pelo menos, que ser... (como é que é a tal palavra?)... bom. Nem era preciso ser brilhante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não conheço o prosado senhor. Não sei se o Henrique Sá Pessoa é boa ou má pessoa. Mas tenho que confessar, com a maior das sinceridades, que sou um grande, enorme, profundo admirador do director de marketing que fez dele a grande figura que é. Se me puderem dar o contacto dele, eu agradeço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3099630807622098625?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3099630807622098625/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3099630807622098625' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3099630807622098625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3099630807622098625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/08/ele-ha-grandes-monstros-da-comunicacao.html' title='Ele há grandes monstros da comunicação. E se há pessoa que o é, é o Henrique'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/THWF1KqkGcI/AAAAAAAAAYU/_AkM_Xt5MLI/s72-c/100_0098_13_1_1_1_1_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6269430070487811854</id><published>2010-08-03T21:21:00.000+01:00</published><updated>2010-08-25T21:23:31.488+01:00</updated><title type='text'>Blog reactivado com promessas de ano novo. Em Agosto</title><content type='html'>Para celebrar a reactivação deste blog, depois de uma tentativa de um torreverdiano de o contaminar e eliminar (não correu nada bem, isto não só ficou de pé como continua a meter nojo), fica aqui assente a promessa de não voltar a falar mal do carnaval de Torres Vedras. Até Janeiro, pelo menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6269430070487811854?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6269430070487811854/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6269430070487811854' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6269430070487811854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6269430070487811854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/08/blog-reactivado-com-promessas-de-ano.html' title='Blog reactivado com promessas de ano novo. Em Agosto'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6823185441336814031</id><published>2010-07-28T21:17:00.000+01:00</published><updated>2010-08-25T21:20:56.804+01:00</updated><title type='text'>Aviso: este blog está ao abandono e foi atacado por uma vaga de spam</title><content type='html'>Tenham calma, torresverdianos (o novo nome para os torreenses parvos que vêm aqui ofender o autor do blog). Não vos estou a considerar spam, embora tenha enviado uma nota com todos os vossos IP aos senhores que tratam dos bloqueios de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que a crise ataca todos e os outros rapazes que faziam este blog comigo foram contratados pela concorrência. Agora escrevem num blog que diz bem sobre o carnaval de Torres Vedras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6823185441336814031?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6823185441336814031/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6823185441336814031' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6823185441336814031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6823185441336814031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/07/aviso-este-blog-esta-ao-abandono-e-foi.html' title='Aviso: este blog está ao abandono e foi atacado por uma vaga de spam'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8389822914861829497</id><published>2010-03-26T19:38:00.011Z</published><updated>2010-03-26T20:08:59.953Z</updated><title type='text'>Vendemos cocos, vendemos água, vendemos areia da praia, vendemos o sol, até vendemos a mãe se prometerem que nos pagam</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TmvNqyAI/AAAAAAAAAYM/g2A5nhnr5Gs/s1600/DSC03359.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453036280045291522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TmvNqyAI/AAAAAAAAAYM/g2A5nhnr5Gs/s200/DSC03359.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Ainda não são quatro da tarde e o sol ameaça baixar para só voltar na manhã seguinte. Mas hoje, especificamente neste dia, agradeço que o faça. Até as pessoas de cá estão com calor, o que não deixa de ser surpreendente, tendo em conta que, para eles, um dia de Verão com 35 graus Célsius é um dia fresco e um dia com 27 graus é um Inverno rigoroso. Pois estavam 44 à hora do almoço. E 32 às 7h30 quando fui dar o primeiro mergulho, porque já não aguentava de calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamam-lhe Terra de Vera Cruz, o que é um logro. Parece que o Pedro Álvares Cabral, quando escolheu o nome para este pedaço de terra, achava que tinha encalhado numa ilha, que chamou de Santa Cruz. Quando descobriu que, afinal, o areal era maior que a Europa, resolveu emendar, dizendo que os indígenas é que tinham percebido mal: &lt;em&gt;«não é Santa Cruz, seus arraçados de ciganos! É Vera Cruz! Vera! Quem é que disse que era Santa, pá?!»&lt;/em&gt;. Para mim, não é terra de santa nem de vera. Para mim, é terra do bafo. Faz um calor que não se aguenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tem de mais espantoso um mergulho às sete da matina, para além do facto de ficar com a ideia que alguém mandou aquecer o oceano para eu poder tomar banho, é ver os empregados das barracas de praia a varrer. A varrer a barraca? Não, claro que não. A varrer a praia, mesmo. Um rapaz, bronzeado e mal arranjado de cara, estava a limpar o areal em frente ao estabelecimento comercial e junto aos chapeuzinhos-de-palha. A varrer o lixo? Também não. Estava a varrer os limos. Acho que nunca ninguém lhe explicou que os limos, apesar do aspecto de peruca de bruxa ou de damaiense com o cabelo por lavar há três anos, são organismos vivos. São algas, para todos os efeitos, e utilizam a sua própria energia para fazer a fotossíntese. Mas para o Júnior, que se lixe, é tudo lixo. Pelos vistos, para o patrão dele também, porque estava aos gritos com ele, que eram quase oito da manhã e o areal ainda não estava limpo. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TEspRgnI/AAAAAAAAAX8/sNFfjGLlzQ0/s1600/DSC03427.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453035695240217202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TEspRgnI/AAAAAAAAAX8/sNFfjGLlzQ0/s200/DSC03427.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Disse-o agitando vigorosamente o balde onde ele devia amontoar o lixo. Os limos, portanto. E gritou com ele em voz alta, num português que não era nem português do Brasil, nem português do Algueirão, nem português da Suécia. Era português da Jamaica. O dono da barraca de praia nasceu em Kingston, mudou-se para Tenerife, conheceu uma portuguesa de Faro, foram viver juntos para os Barbados até ficarem falidos e finalmente radicaram-se no Brasil onde montaram uma barraca de praia. Vivem lindamente e dormem numa espécie de &lt;em&gt;mezzanine&lt;/em&gt; em madeira por cima da copa (quer dizer, acho que dormem, não fui lá confirmar). Um casal estranhíssimo: ele é magrinho, negro, mais escuro que a noite sem lua, e só veste linho do mais branco que eu já vi; ela é branquinha, alta, avantajada, cabelo moreno, longo e encaracolado; ela pinta, desde os paus da barraca a quadros lindíssimos que ficariam mal em qualquer parede; ele grelha uns robalos ao sal bestiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas dez da manhã, depois de um magnífico pequeno-almoço de frutas de todas as cores e sabores – incluindo acerola, uma fruta bestial, parecida com a cereja mas com cheiro a maçã e sabor pior que o de um limão – resolvi explorar essa tal de praia em frente ao hotel. É uma praia que, para terem uma ideia, começa numa baía situada uns quatro quilómetros para norte e acaba, digamos, na Argentina. No entanto, de uns 500 em 500 metros há uma barraca de praia e, só por isso, o areal ganha logo um estatuto diferente. E passa a ter outro nome, também. Apesar de ser rigorosamente o mesmo areal, sem pontões nem rochas pelo meio, a praia do Serpenjão e a praia do Arimogim são duas praias diferentes (peço desculpa, mas os nomes das praias são fictícios, não me lembro dos nomes verdadeiros; a minha memória já não é o que era e, antes, pelo menos tinha uma película magnética que gravava as informações pertinentes; hoje é apenas um alguidar cheio de trampa sem interesse). Investi em mais um mergulho naquelas águas magníficas, aquecidas como se fosse uma sopa para canibais. No entanto, como a minha pele é quase tão bronzeada como a de um inglês que nunca saiu de Stratford, achei mais prudente garantir um lugar à sombra para não ficar a parecer um lagostim quando tivesse que ser apresentado ao governador, nessa mesma noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60SvTKLFNI/AAAAAAAAAX0/JWlwil8ufUk/s1600/DSC03428.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453035327621633234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60SvTKLFNI/AAAAAAAAAX0/JWlwil8ufUk/s320/DSC03428.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Júnior! Tem lugar à sombra?&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ô doutor, aqui só não tem é dinheiro&lt;/em&gt; – disse o tal do Júnior, enquanto tirava a sua t-shirt e exibia o corpo tão musculado como uma saca de cimento esquecida numa obra desde 1982. Confesso que tive medo. Pensei que ele tinha entendido mal e queria utilizar-me para qualquer fim carnal à sombra de uma palhota, mas afinal não. Ele tirou a camisola para pendurar no chapeuzinho e marcar como ocupado. Passado dois minutos apareceu com uma t-shirt nova. Parece que é adereço do estabelecimento comercial: em vez de marcar os lugares com um «reservado», marcam com um trapo dependurado. Está certo. Tentei sossegar por ali uns minutos, sentadinho, a tentar respirar a atmosfera de tanto mar à minha frente e tanto sol por cima do chapéu-de-palha. Tentei, apenas. Primeiro, não estava a ser capaz de respirar em condições, porque o bafo seco da temperatura estava a bloquear-me as tubagens de amianto que servem o meu sistema respiratório artificial; segundo, porque ao fim de três minutos já tinha tido que aturar vendedores de pulseiras, colares, anéis, brincos, relógios, óculos, biquínis fio-dental (haviam de me ficar um espectáculo!), tatuagens, queijo derretido, algodão doce, alcatifas, chapéus, CD’s de música pimba, iguanas embalsamadas, colheres-de-pau-brasil, camarão-em-espetada e água de coco. Um deles tentou convencer-me a contratar os serviços de uma menor e outro sugeriu que a sua própria mãe pudesse ser a minha guia turística durante a minha estadia, o que deu todo um novo sentido à expressão «vender a própria mãe». Quando apareceu a senhora que queria pôr-me umas missangas no cabelo, achei que era demais e fui para um mergulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Júnior, tem caipirinha? – perguntei quando voltei ao chapéu-de-palha.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ô doutor, aqui só não tem é dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma refrescante bebida e mais uma animada ronda de rejeição a todos os vendedores de tralha que insistiam em incomodar-me e lá veio o cheiro a peixe. Grelhado, bem entendido. O dono da barraca de praia estava a começar a grelhar peixe para o almoço – eram isto umas onze-e-meia da manhã. Bestial, era mesmo o que me apetecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Júnior, tem peixe para o almoço?&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ô doutor, aqui só não tem é dinheiro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Mas que raio, porque é que me chamas doutor?&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Doutor, não fique embestado com o que vou perguntar, mas quantos reais tem na carteira?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Hum… não sei, uns 100 – disse eu, desconfiado.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Então desculpe, doutor, mas, aqui no Brasil, quem tem 100 reais para passear na carteira, é doutor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júnior é o arquétipo do brasileiro moderno que não vive nem nas favelas, nem nos condomínios das grandes cidades. Coincidentemente, é o mesmo tipo de brasileiro que existe no Brasil há uns 40 anos, porque eles não evoluíram lá muito. É feio, muito moreno de pele e todos os dias veste a mesma coisa: chinelo, calção de ganga coçado e tronco nú. Só veste a t-shirt quando tem que marcar mesa a alguém. «Júnior» nem deve ser o nome dele, deve chamar-se exactamente o mesmo que o pai, simplesmente chamam-lhe de «Júnior» para se diferenciar. Um dia, quando tiver um filho, vai dar-lhe um nome qualquer, mas toda a gente o há-de conhecer por «Júnior». Como qualquer brasileiro, faz tudo por dinheiro, mas foi honesto o suficiente para me recomendar um amigo quando eu lhe perguntei se queria ser o meu cicerone durante o tempo em que eu não teria que ir trabalhar. O amigo foi muito prestável: Júnior assobiou e o amigo apareceu passado cinco segundos &lt;em&gt;[desconfio que estava escondido ali por perto à espera desse sinal]&lt;/em&gt;. Eis o amigo do Júnior à minha frente, a chamar-me doutor e a perguntar-me o que quero conhecer, se quero praia ou campo, cultura ou lazer, noite ou dia. Prestável. Como se chamava o amigo do Júnior? Júnior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tenho que reconhecer que foram os 100 reais mais bem gastos de toda a visita. Muito mais bem gastos que os 4 reais que gastei no acarajé, uma especialidade feita com massa-de-feijão, frita, tipo rissol, com recheio de uma massa de camarão e frango. A gordinha que mo vendeu disse que era uma especialidade da Bahia e perguntou-se se eu queria «quente». Eu respondi que sim, porque comer rissol frio parece-me indegesto. Mas «quente» queria dizer que o recheio teria, também, um pouco de vatapá, uma mistela feita com fubá e pimenta-malagueta, picante como o raio! Tossi catorze vezes e tentei dizer obrigado, o que não consegui porque as minhas cordas vocais são sensíveis – na verdade, não é uma membrana vocal porque essa ficou destruída no atentado à embaixada do Malawi na Tanzânia, hoje restam apenas dois fios de &lt;em&gt;polyester&lt;/em&gt; presos por arames de aparelho dentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Júnior amigo do Júnior foi impecável, explicou-me como podia alugar um carro, mostrou-me uma reserva natural onde as tartarugas se alimentam nas rochas e dão à luz no areal, ajudou-me a alugar um barco para ir longe da costa pisar um recife verdadeiro, comeu metade do meu almoço e ainda me perguntou se eu queria que ele contratasse algumas meninas para me fazerem companhia numa danceteria nessa noite. Obrigado, Júnior, mas por muito que a ideia pudesse parecer boa, eu tenho compromissos de estado. À tarde explicou-me como chegar a uma reserva de índios, que ficava a cinco minutos dali indo numa chata, atravessando o rio, ou então indo dar a volta pela «pista», sinónimo de única estrada asfaltada das redondezas, que me obrigaria a fazer mais 30 km. Olhando para o ar robusto e plenamente íntegro da balsa onde supostamente teria que pôr o carro em cima, achei mais prudente ir pela estrada. Bem me arrependi, porque demorei mais de 45 minutos e ainda me cruzei com uma patrulha da polícia, que me mandou parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Boa tarde, posso ver o documento e a licença de condução?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Huh… desculpe, mas lamentavelmente eu deixei os meus documentos no hotel. Nem parece meu. Mas não os quis levar para a praia para não os perder e acabei por não os trazer para cá e nem precisei deles para alugar o carro porque ficou tudo na conta do hotel…&lt;br /&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;em&gt;Oi?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Deixei… os documentos… no hotel &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;[dito com sotaque: «dei-xéi… us dócumeinto… nu hôtéu»]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- &lt;em&gt;Ah, tá bom…&lt;/em&gt; - disse o polícia, enquanto eu imaginava já um devastador incidente diplomático que dali iria resultar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Seu colega aí do lado não tem documento?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Ele tem.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Então troca.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim? Tão fácil? Parece que sim. O Júnior explicou-me que o polícia, no Brasil, serve para prender vagabundo e não para chatear turista. O que ele não sabia é que o Júnior sabe guiar, mas também não tem carta. Pouco importa. Ele nem se deu ao trabalho de confirmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TfF6nNXI/AAAAAAAAAYE/jzLydkXmZCU/s1600/DSC03416.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453036148700427634" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TfF6nNXI/AAAAAAAAAYE/jzLydkXmZCU/s200/DSC03416.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Então lá chegámos a um sítio onde os índios se vestem de índio, andam pela rua como índios, levam paus na mão como índios e pedem 1 real para tirar uma fotografia com eles como índios. Mas vá, o Júnior diz que são mesmo índios ou pelo menos descendentes das últimas famílias de verdadeiros índios que existe no Brasil. Explicou-me que aquela comunidade vive ali em regime aberto (isto é, a sociedade pode lá ir tomar contacto com eles), mas raramente sai dali. Têm tudo: as suas casas de palhota, as suas caldeiras para fazer comida, as suas lojas de recordações e flautas índias, as suas bancas de venda de CD de música tradicional índia, um centro de reflexão e uma escola para as crianças. Ali se aprende a falar o idioma do país, mas a pedagogia tem uma forte componente cultural, para que as crianças índias nunca percam a noção das suas raízes. Resolvi aproximar-me de um grupinho de crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Titio, dá caneta p’ra mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[«Titio»?? Querem ver que já cá tinha estado?? Ou alguma das minhas aventuras na Europa veio dar descendência aqui??]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Er… eu não tenho canetas.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Tem não?... E esse Samsung na sua mão? Tem mais?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Samsu… hem?!… são índios, mas sabem o que é um telemóvel de terceira geração só de ver os botões?]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Dá um real p’ra mim.&lt;br /&gt;- Dá p’ra mim, titio.&lt;br /&gt;- Dá mim.&lt;br /&gt;- A mim.&lt;br /&gt;- Compra um sumo p’ra mim.&lt;br /&gt;- Titio, compra um pão p’ra mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[AAAAAAAAAAHHHHHH… tirem-me daqui!!!...]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta situação deu-me pena. Durante dois minutos e meio, pelo menos. Depois o Júnior explicou-me que eles são ensinados pelos pais a extorquir tudo o que puderem dos turistas e então a pena passou-me num instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sítio fantástico e tenho dúvidas que se possa fazer maior elogio da praia do que num lugar assim. Mas eu gosto mais da minha cama de rede nas Comores e do ar condicionado dentro da barraca. Sem ofensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8389822914861829497?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8389822914861829497/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8389822914861829497' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8389822914861829497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8389822914861829497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/03/vendemos-cocos-vendemos-agua-vendemos.html' title='Vendemos cocos, vendemos água, vendemos areia da praia, vendemos o sol, até vendemos a mãe se prometerem que nos pagam'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S60TmvNqyAI/AAAAAAAAAYM/g2A5nhnr5Gs/s72-c/DSC03359.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6804144605181875391</id><published>2010-02-16T02:31:00.004Z</published><updated>2010-02-16T02:56:07.078Z</updated><title type='text'>Chuva e frio que cancelam desfiles no carnaval de Torres Vedras só podem ser «bom tempo»</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S3oIJCr3llI/AAAAAAAAAXk/ry5XudN-wfg/s1600-h/2246164545_550560a627.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 135px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438668451436009042" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S3oIJCr3llI/AAAAAAAAAXk/ry5XudN-wfg/s200/2246164545_550560a627.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta manhã acordei com uma má notícia: estavam a dizer no transistor, numa rádio de onda-curta que oiço a partir da minha localização estrelar em Andrómeda III, que ia chover menos. Mas ia manter-se o frio. Ora isto é má notícia porque, pelos vistos, não é suficiente para cancelar todos os desfiles de carnaval do mundo, o que é extremamente aborrecido. Cavaco Silva tinha a secreta esperança que este era o ano em que o mau tempo ia convencer toda a gente da idiotice que é fazer um carnaval no Inverno. Mas fica a clara sensação de que ainda há gente que acha boa ideia fazer, nesta altura do ano lunar, uma festa da parvoíce, com gente mascarada de princesa, fada, bruxa, palhaço e, sobretudo, homens orgulhosamente vestidos de mulher. Fazem-se desfiles e gastam-se rios de dinheiro para fazer estas festinhas da saloíce e o povo gosta. Há, inclusivé, gente que tira férias, porque sabe que se embebeda na véspera da ante-véspera e só pára de vomitar 15 dias mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não está tudo perdido, diga-se. Muitas velas se acenderam, muitas orações foram feitas e algumas delas foram atendidas: no carnaval de Torres Vedras, o corso escolar foi cancelado. Pelo menos essa conquista foi feita e salvaram-se, segundo o que dizem os jornais, mais de oito mil constipações entre as crianças. A vasta equipa que realiza e leva até si este blog, composta por um ferro de engomar chinês, duas centrifugadoras Moulinex, um padre irlandês, um picador de gelo, cinco soldadinhos de chumbo e uma girafa do Aconcágua, mantém a secreta esperança de que tudo continue assim e, até, que se torne bastante pior. Esperamos que os céus se abram e que caia chuva, neve, gelo, um satélite russo desactivado, duas antenas parabólicas e um homem-bala do circo Chen. Pode ser que os melões passem de oito mil para os 200 mil papalvos que são esperados em Torres Vedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto recebemos a notícia de que também houve um cancelamento no carnaval de Loulé, mas podemos jurar a pés juntos (porque com os pés afastados não conta) que não tivemos nada a ver com isso e que não temos intenção de reivindicar esse atentado. O frio e a chuva cancelaram o desfile em Loulé, o que nos parece uma pena, tendo em conta que devia ter cancelado todo o carnaval em si. Não sabemos de quem é a culpa, mas suspeitamos que a responsabilidade do sucedido é da ETA e da sua célula activa em Boliqueime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamo-nos deitar com o saco de água quente e cobertor eléctrico, porque está frio. Antes disso vamos beber um copinho de leite e escovar os dentes, mas isso só quando conseguirmos parar de rir.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6804144605181875391?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6804144605181875391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6804144605181875391' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6804144605181875391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6804144605181875391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/02/chuva-e-frio-que-cancelam-desfiles-no.html' title='Chuva e frio que cancelam desfiles no carnaval de Torres Vedras só podem ser «bom tempo»'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S3oIJCr3llI/AAAAAAAAAXk/ry5XudN-wfg/s72-c/2246164545_550560a627.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8115774839060177169</id><published>2010-02-02T19:38:00.005Z</published><updated>2010-02-02T19:50:32.997Z</updated><title type='text'>O que aconteceu em Sanabria só foi trágico porque ainda sobraram alguns</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBJ0vo9yI/AAAAAAAAAXM/fJm8uQQqF-Y/s1600-h/DSC03697.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433734956199769890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBJ0vo9yI/AAAAAAAAAXM/fJm8uQQqF-Y/s200/DSC03697.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;«Tens que ir a Sanabria, porque aquilo é bestial e lindo e tem umas casas medievais e come-se lindamente e há uns enchidos bestiais»&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, disseram-me em tempos. Agradeci a dica, mas tinha dúvidas que o meu patrão me pagasse a ida a um sítio desses só para ir despachar uma farinheira. E pagar do meu bolso para ir a um sítio qualquer qualificado como «território espanhol» estava fora de questão, a não ser que fosse Cuenca, com as suas bonitas casas dependuradas sobre o infinito, o areal imenso de Formentera ou o quase-marroquino ilhéu de Peregil. Vai daí que há uns dias, assim do nada, o meu patrão telefonou-me a perguntar onde eu andava. Como a resposta foi altamente convincente – &lt;em&gt;«estou debaixo de um fogo cruzado no Afeganistão, chefe! Estou a correr perigo de vida! Vou ter que desligar!»&lt;/em&gt;, ao que ele disse, &lt;em&gt;«está bem, então despacha-te lá aí no El Corte Inglês que eu tenho um servicinho para ti»&lt;/em&gt; – mandou-me de enviado-especial para resolver um problema qualquer com as máquinas de uma fábrica de enchidos. Qual fábrica de enchidos? Uma fábrica de enchidos em Sanabria. Pimba, mesmo em cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sanabria fica ali, digamos, perto de coisa absolutamente nenhuma. Pergunta-se o caminho e as pessoas explicam: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;«é ali em direcção àquelas ventoinhas»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. As ventoinhas são os moinhos de vento gigantes de acumulação de energia eólica que ficam nas imediações de Sanabria. As imediações começam, digamos, em Bragança e acabam em Bilbau, porque o raio das ventoinhas estão espalhadas até perder de vista, o que complica um pouco a tarefa de saber perto de qual ventoinha fica o sítio de que ando à procura. Algures a meio do caminho dei comigo a passar por um lago bonito, pelo menos à primeira impressão, com umas embarcações de recreio na margem, umas árvores a emoldurar, o brilho do sol na água… vista simpática. Resolvi parar e entrar num tasco para beber um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Hola!, sou o Don Quixote, vim à procura dos moinhos de vento. Esqueci-me foi do Sancho Pança, mas queria um café-solo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;[o casal de cidadãos castelhanos, muito badalhocos e já acima dos seus cinquentas, entreolha-se com ar assustado… acho que não perceberam a piada e pensam que vão ser assaltados]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(…)&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Esqueçam. Arranjem-me um cafezinho, sff.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Café y leche?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não, café-solo. Curtinho.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- De onde eres usted?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;- Do Uzbequistão. Mas estou cá em trabalho. Ando à procura de Sanabria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Ah, solo quedan unos quilómetros. Sigue los molinos de viento.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Já sei, já sei… como se chama este sítio aqui?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Ribadelago… es decir,&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#3366ff;"&gt;[já traduzido, porque não estou com paciência para o castelhano]&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;a aldeia original ficava ali mais acima, mas ficou debaixo de água e desapareceu quase na totalidade. O senhor nunca ouviu falar da tragédia de Ribadelago? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBQ5XRRYI/AAAAAAAAAXU/bOQlBmxQ0x0/s1600-h/DSC03704.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433735077698815362" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBQ5XRRYI/AAAAAAAAAXU/bOQlBmxQ0x0/s200/DSC03704.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De facto, eu não tinha ouvido falar em tal coisa. A Espanha em si parece-me uma tragédia do primeiro ao último acto, não tinha ideia que havia uma tragédia específica de Castela &amp;amp; Leão. Então parece que, lá para o meio do século passado, o Franco – um rapaz justo e pluralista que, ao longo dos seus anos no poder, nos fez o favor de privar da companhia de vários espanhóis – mandou construir uma barragem por aquelas bandas, chamada Vega de Tera. As paredes da represa tinham mais de 30 metros de altura, uma coisa imponente que mereceu várias visitas após a inauguração. Umas dezassete pessoas, consta. Das quais 5 eram fiscais da companhia de electricidade. Ora a barragem foi, ao que parece, construída com paus-de-fósforo e pastilha-elástica, porque ao fim de três anos sucumbiu às chuvas torrenciais. O que não deixa de ser estranho, tendo em conta que as barragens servem para… hum… segurar (e usar) a força das águas. As paredes abriram uma racha de 70 metros na horizontal e foi o salve-se quem puder. E, pelo que dizia no quadro que o café tinha pendurado na parede, só puderam salvar-se uns 25 espanhóis. Franco andava a ficar desleixado. De qualquer maneira, nada disto explica como é que uma barragem cedeu daquela maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Mas nesses dias estava muito frio. Uns 18 negativos. E havia água a mais na albufeira da barragem&lt;/strong&gt; – explicou o senhor do avental com ar de que nunca viu o tanque da roupa na vida.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Está bem, joder!, mas quanto muito a água transbordava por cima, não rebentava com as paredes da barragem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Impossível. Era água a mais. O desfiladeiro que vai daqui à aldeia antiga ficou inundado em menos de quinze minutos. Nem as árvores sobraram. Foi de tal maneira que o lago da Sanabria, nascido nesse dia, ainda está aí à frente dos seus olhos. Consta que alguns corpos ainda estão lá no fundo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;- Macabro, chico. Podias ter evitado contar-me esse bocadinho.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Mais macabro foi passar por isso tudo...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#3366ff;"&gt;[tinha negligenciado o facto deste distinto senhor ter ar de quem é contemporâneo da tragédia, que disse ter sido em 1959]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Imagino a dor das pessoas…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Foi muy difícil…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Que idade tinhas?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Nueve.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;- Caramba… e lembras-te bem?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Não. Eu nem sequer sou daqui. Nasci em Cádiz.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#3366ff;"&gt;[odeio espanhóis…]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso da barragem não ter resistido ao frio do Inverno parece-me má desculpa. É que tem estado um frio dos diabos! Isto, claro, se houver diabos na Sibéria, porque toda a gente diz que isto é uma vaga de frio siberiano. Pois seja lá de onde ele vem e para onde quer que vá, espero que se despache porque ontem dormi dentro do frigorífico, onde estava menos frio do que cá fora. E apesar deste frio de rachar, que eu saiba não andam por aí barragens a rachar ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banco, em frente ao lago, estava um velhote castelhano. Sossegado, olhos postos não se percebe bem em quê (não dava mesmo a ideia de que a paisagem se fosse mexer nos próximos 200 anos), pacato, a pedir conversa de um parvo como eu. E eu, parvo, fui meter conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Hola. Bonito este lago.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- É…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Vem de um rio?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Sim. Do rio Tera. Mas veio aqui parar depois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Foi o imperador Turpin, um bispo maléfico que queria a cidade à força.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;- Mas porquê? Quem é esse? O que é que ele fez?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Ele queria tomar o poder da cidade por causa dos palácios e do castelo e porque a igreja era uma das mais bonitas da altura. E porque andava de amores com uma gaiata de Zamora.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mas e então? Chegou e fez o quê?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Organizou um exército e parou à porta da muralha da povoação e gritou até que lhe entregassem a cidade. Então invocou o nome de Deus e o chão abriu duas enormes brechas que inundaram a cidade.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E isso foi quando?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Na Idade Média.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;[dois espanhóis, duas histórias diferentes; posso odiá-los à vontade ou não?]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBZKebgOI/AAAAAAAAAXc/dqFyx5LQTlE/s1600-h/DSC03709.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433735219731202274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBZKebgOI/AAAAAAAAAXc/dqFyx5LQTlE/s200/DSC03709.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Com esta converseta toda perdi ainda mais tempo para encontrar a fábrica das chouriças. Mas lá dei com aquilo, ficava sensivelmente a meio-caminho de lado nenhum. Fui recebido por uma senhora baixinha e gordinha, luzidia como uma porca e toda vestida de branco. Toda, quer dizer… toda menos os braços sardentos, totalmente descobertos. Eu de sobretudo e a castelhanita de manga curta. Estendeu-me o sorriso e um aperto de mão tão gorduroso que estive capaz de lhe pedir um frasquinho para armazenar a colheita e fritar uns rissóis quando chegasse a casa. Perguntei-lhe pela máquina e ela levou-me para o sítio onde se guardam as chouriças, as farinheiras, os paios, as morcelas de arroz e as linguiças. De caminho perguntei-lhe se sabia a história da tragédia do lago de Sanabria, ela acenou com os caracóis encardidos que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Ficou tudo inundado, não foi?&lt;/em&gt; – perguntei eu como se não soubesse de grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Pois foi…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;- Mas porque foi?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;- Em tempos passou por aqui um mendigo a pedir esmola. Estava frio, ele queria aquecer-se e estava quase morto de fome. Ninguém o acudia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mau… o que tem isso a ver?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Tem que umas senhoras que estavam a cozer pão pegaram nele, levaram-no para o pé do forno para ele se aquecer, e pediram que esperasse porque lhe dariam qualquer coisa para ele se alimentar. Então o pão que saiu de dentro do forno era tão grande e tão saboroso como nunca tinham sido capazes de cozer. E o mendigo era afinal Jesus Cristo, que se ergueu e disse que ia castigar aquele povo que não o atendeu, inundando as suas casas…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- (ai… estou com medo de saber o resto)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- …então ele cravou o seu cajado no chão e gritou para que as paredes da represa ruíssem. E a povoação ficou debaixo de água.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E quando aconteceu isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Uns anos depois de Cristo morrer.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não creio que haja um motivo muito racional para eu odiar espanhóis. Mas pelo que sei hoje, não precisa haver. Odeio-os e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8115774839060177169?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8115774839060177169/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8115774839060177169' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8115774839060177169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8115774839060177169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/02/o-que-aconteceu-em-sanabria-so-foi.html' title='O que aconteceu em Sanabria só foi trágico porque ainda sobraram alguns'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S2iBJ0vo9yI/AAAAAAAAAXM/fJm8uQQqF-Y/s72-c/DSC03697.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4501249907510251997</id><published>2010-01-08T14:49:00.006Z</published><updated>2010-01-08T15:28:51.242Z</updated><title type='text'>Carnaval de Torres Vedras 2010: nomeado para o prémio «carnaval mais estúpido do mundo»</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S0dOoGwt5PI/AAAAAAAAAXE/soiFu23KzZQ/s1600-h/tvedra1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424390727107732722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 421px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S0dOoGwt5PI/AAAAAAAAAXE/soiFu23KzZQ/s320/tvedra1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É já um clássico e não podia faltar: aproxima-se o carnaval de Torres Vedras 2010, o momento alto do calendário gregoriano. Momento alto porque, nestes dias, vai tudo ao gregório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele, vem também um chorrilho de barbaridades, a maior parte das quais publicadas aqui mesmo, nestas linhas. Não apenas aquelas que eu próprio escrevo, mas também aquelas das pessoas que vêm &lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/o-carnaval-de-torres-vedras-estpido-e-o.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/10/socorro-torres-vedras-inteira-quer-me.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/01/o-carnaval-mais-portugus-de-torres.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, comentar, de forma irada, os disparates que nestas linhas são escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras de 2010 está nomeado para a categoria &lt;em&gt;«carnaval mais estúpido do mundo»&lt;/em&gt; e tem todas as hipóteses de vencer. Vai lutar taco-a-taco com o carnaval de Veneza e estes são os dois mais fortes candidatos ao prémio, curiosamente pelos mesmos motivos: o de Veneza leva a dianteira porque, apesar das cheias e das chuvas torrenciais em Itália, vai mesmo para a frente; e o de Torres Vedras segue-o de perto na pontuação porque, apesar das cheias e das chuvas torrenciais na região Oeste de Portugal, vai mesmo para a frente. O carnaval de Torres Vedras tem um trunfo de última hora que pode influenciar largamente a votação do público, que é o facto da sua benemérita organização ter um barracão-voador que se despenhou apenas depois de alguns minutos ao serviço da companhia. Tinha sido inspeccionado no mês passado e não havia nada de errado com o trem de aterragem, de modo que será preciso encontrar as caixas negras para apurar as razões do desastre aéreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema do carnaval de Torres Vedras de 2010 é «invasões». Ainda não se percebeu de quê, mas eu suspeito que vai haver uma invasão de gente parva em Torres Vedras. Tenho o pressentimento que é capaz de ser por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este será o último carnaval de Torres Vedras a realizar, depois disso o carnaval de Torres Vedras acaba. Isto porque a organização já anunciou que o tema de 2011 é «Selva», de maneira que deixa de ser um carnaval como sátira social e passa a ser a vida real de Torres Vedras, que é uma selva em qualquer outro dia do calendário e, em especial, no carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardam-se, portanto, com ansiedade redobrada as últimas edições das grandes tradições do carnaval torreense: o corso diurno, o corso trapalhão, o concurso nacional de homens vestidos de mulheres, a tentativa de entrada no Guiness de maior quantidade de vómito acumulado na mesma cidade, o desfile de brasileiras e brasileiros que nunca podem participar no carnaval de Torres Vedras mas participam sempre, os carros alegóricos, a música em altos berros e, no fundo, a estupidez generalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem hajam a todos e desejo a todos que o menos mau que vos possa acontecer nesta edição do carnaval de Torres Vedras seja um surto de Gripe A.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4501249907510251997?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4501249907510251997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4501249907510251997' title='174 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4501249907510251997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4501249907510251997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2010/01/carnaval-de-torres-vedras-2010-nomeado.html' title='Carnaval de Torres Vedras 2010: nomeado para o prémio «carnaval mais estúpido do mundo»'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/S0dOoGwt5PI/AAAAAAAAAXE/soiFu23KzZQ/s72-c/tvedra1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>174</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6380491492177720053</id><published>2009-12-25T11:20:00.003Z</published><updated>2009-12-25T11:35:52.473Z</updated><title type='text'>Armazém do Carnaval de Torres Vedras destruído depois de falhar a pista de aterragem</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SzSjIHKNgBI/AAAAAAAAAW8/2pAAimOY9Q8/s1600-h/TVedras1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419135611389706258" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SzSjIHKNgBI/AAAAAAAAAW8/2pAAimOY9Q8/s320/TVedras1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passava pouco das 07h00, hora de Torres Vedras continental, quando o armazém da organização do carnaval de Torres Vedras se ergueu nos céus. Porém, poucos instantes após descolar, o aparelho pré-fabricado, que tinha sido revisto pela última vez nas oficinas de manutenção precisamente no dia em que foi montado, encontrou um bando de pássaros, que provocou a avaria dos dois motores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciando o procedimento de emergência, o barracão fez meia-volta e, no meio do temporal, tentou aterrar, mas os ventos estavam demasiado fortes e aterrou fora da pista de aterragem. Felizmente não há vítimas a lamentar, a não ser as vítimas que pertencem à organização do carnaval de Torres Vedras e agora vão ter que voltar a arrumar aquilo tudo no sítio. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Sim, porque os desgraçados dos desalojados não têm quem lhes dê casa, mas esta gente vai ter o carnavalinho deles impecável em Fevereiro, vão ver]. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quero ver se têm sentido de humor suficiente para converterem o que se passou numa brincadeira durante o carnaval de 2010. Ou eventualmente fazerem um barracão alegórico...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6380491492177720053?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6380491492177720053/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6380491492177720053' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6380491492177720053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6380491492177720053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/12/armazem-do-carnaval-de-torres-vedras.html' title='Armazém do Carnaval de Torres Vedras destruído depois de falhar a pista de aterragem'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SzSjIHKNgBI/AAAAAAAAAW8/2pAAimOY9Q8/s72-c/TVedras1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4862211474531492890</id><published>2009-12-06T00:34:00.013Z</published><updated>2009-12-06T01:36:34.295Z</updated><title type='text'>LA is my lady... ta ta ta ta ta...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsB16XNlAI/AAAAAAAAAWY/gI0BjVwliI8/s1600-h/DSCF5839.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 277px; FLOAT: left; HEIGHT: 172px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411921402927092738" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsB16XNlAI/AAAAAAAAAWY/gI0BjVwliI8/s320/DSCF5839.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Tentei em vão localizar o Sinatra nos auscultadores. Faz tempo que não presto as minhas homenagens ao &lt;em&gt;dirty old&lt;/em&gt; Frank. Há sempre alguma coisa de imortal na obra dos artistas que já se foram, uma súbita necessidade de zelar por que não se preca o contacto, de os reencontrar na perpétua obra que deixaram. Passa-se mais ou menos o mesmo com o Michael Jackson – agora que se foi, dá vontade de voltar a ouvir as suas músicas. Felizmente, é uma vontade que passa depressa. Basta ouvir o &lt;em&gt;‘Bad’&lt;/em&gt; e pronto, assunto resolvido. Passa logo a vontade. Curiosamente, nunca tive vontade de reescutar a Amália e faz tempo que já se foi. Há sempre alguém disposto a lembrá-la por mim, numa rádio, num projecto musical fusionisto-sofisticado, num filme, num musical do La Féria, portanto não me parece que ela dê pela minha falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao Sinatra. Não o encontrei na música de bordo, mas reencontrei-o mentalmente o suficiente para me acompanhar na belíssima descida do avião sobre a Greater Los Angeles. &lt;em&gt;«LA is my lady… ta ta ta ta ta…»,&lt;/em&gt; canta o Frank dentro do meu cérebro artificial, embalado pela multidão em delírio no Rose Bowl e pelo malte fermentado dos quinze &lt;em&gt;whiskeys&lt;/em&gt; que despachou antes de tentar cantar aquela melodia ao vivo.&lt;span style="color:#663333;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[Perto do final da carreira, Sinatra estava um farrapo. A voz grave e pungente já só era meramente suficiente para falar, e contando que fosse até à hora do almoço. Para cantar, perfeita. Se fosse em playback]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Felizmente estava uma tarde maravilhosa de um sol dourado reflectido no alvo das letrinhas mais famosas das colinas de Hollywood. O 747 sobrevooa a imponente Los Angeles como se fosse um pardal ligeiro, o que não deixa de ser surpreendente tendo em conta que estamos a falar do pássaro mais monstruoso e improvavelmente aerodinâmico que anda pelos céus normalmente. E a vista percorre Los Angeles de um lado ao outro, e mais um bocado de Los Angeles a seguir. E depois disso ainda há mais Los Angeles. Quase sem prédios altos. Quase exclusivamente preenchida por propriedades que crescem na horizontal e não na vertical. Sem muros. Com jardins. Com piscinas. Bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCVVvqgAI/AAAAAAAAAWo/gwkXUBh8A3Y/s1600-h/DSCF5843.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411921942853353474" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCVVvqgAI/AAAAAAAAAWo/gwkXUBh8A3Y/s200/DSCF5843.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Na Greater Los Angeles, uma zona metropolitana umas 200 mil vezes maior que o Lichtenstein e quase 300 milhões de vezes maior que o Colombo&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;span style="color:#330033;"&gt;[a sério, dei-me ao trabalho de confirmar]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, vivem treze milhões de pessoas. Mais do que a população da Bélgica. Quase tantas pessoas quantas as que visitaram a Disneyland Paris no ano passado. Quase tantos seres humanos quantos todos os benfiquistas do mundo inteiro. Metade desses treze milhões de Los Angelinos &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[ou será Los Angelenses? Ou Los Angélicos? O Angélico Vieira que não leia isto, senão ainda lhe dou ideias para uma boys/gays-band…]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; não são cidadãos americanos. Há uma enorme comunidade oriental, com um peso decisivo de coreanos &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[para terem uma ideia, a Koreatown, que fica mesmo na zona baixa da cidade, ocupa uns 30 quarteirões]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, a conviver de forma aparentemente pacífica com mexicanos, peruanos, chilenos, porto-riquenhos, árabes, brasileiros, israelitas, paquistaneses, turcos e portugueses &lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[há sempre um em todo o lado, não há? A caminho de Long Beach até há uma «curva dos portugueses» na estrada de Palos Verdes, que identifica a maior reserva natural da península de… hum… Palos Verdes]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt; Os motoristas de táxi são coreanos. Não falam uma palavra de inglês, mas percebem tudo. O &lt;em&gt;dispatcher&lt;/em&gt; – um tipo fardado que chama os táxis e distribui as pessoas pelos carros à porta do aeroporto – é peruano e fala inglês quase tão bem como a minha mãe. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[O domínio do idioma que a minha mãe possui alterna entre o «yes», o «ou-quei» e o «pénk-iú»]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. O chefe do &lt;em&gt;dispatcher&lt;/em&gt; é filho de pais jamaicanos. É o único que sabe falar inglês, apesar do bagaço lhe toldar a pronúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCDMdRd7I/AAAAAAAAAWg/kofrKoUVdYc/s1600-h/DSCF5840.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411921631122651058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCDMdRd7I/AAAAAAAAAWg/kofrKoUVdYc/s200/DSCF5840.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Fico com o pressentimento que o LAX é o mais caótico pedaço de civilização que existe no mundo inteiro, com excepção de Atenas e Istambul. E da Fonte da telha. É um aeroporto enorme, confuso, em obras, desorganizado, a precisar de mais obras, labiríntico e a precisar de obras por causa das obras que já decorrem. São 45 minutos para conseguir passar pelo controlo de passaporte e outros 40 para conseguir descobrir a mala de viagem, que entretanto anda às voltas num dos tapetes esmagada por outras 7621 malas que chegaram de outros 43 voos. Depois mais um quarto de hora para passar pela alfândega. Finalmente entro na torrente dos passageiros que acabaram de chegar e se dirigem para a zona onde os familiares os esperam, que é quase tão grande como… a sala de espera de um consultório. Centenas e centenas de pessoas amontoam-se à espera de ver a cara do cidadão por que esperam. E eu, naquela confusão toda, era suposto ter encontrado alguém com um cartaz com o meu nome. Não encontrei, obviamente. Tive que ir ao balcão de informações, de onde fui sendo encaminhado para umas quinze pessoas diferentes. Finalmente fui dar com um senhor fardado com uma camisa branca com um grande «LAX» azul bordado no peito. Tinha um crachá pendurado numa fita dos… Los Angeles Lakers &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[eu devia ter desconfiado…]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tens a certeza que estava aqui alguém com um cartaz com o teu nome?&lt;br /&gt;- Não tenho, mas foi o que me foi garantido pela senhora que tratou desta viagem.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Se eu tivesse a certeza, não te estaria a perguntar por ele, pois não?]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Como é que te chamas mesmo?... Edmund… OK… eu vou pedir que procurem pelo gajo do cartaz com o teu nome.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[Foi falar com outras pessoas. Estão com ar de que viram o tipo que eu procuro]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;- Parece que já sabem onde ele está. Espera mais uns minutos.&lt;br /&gt;- Eu espero…&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Praí uns dois. Ao terceiro minuto apanho um táxi porque estou a ficar sem paciência para isto]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Vens de onde?&lt;br /&gt;- Neste momento estou em trânsito, vim de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Mau… vem daí coisa]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Epá, Portugal. As pessoas de Portugal têm bom coração!&lt;br /&gt;- Têm sim.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[Como se tu soubesses onde fica Portugal]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Tu também tens cara de ter bom coração…&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[pronto, ele vai pedir-me dinheiro]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- …e por isso vou pedir-te que faças uma doação, qualquer quantia, qualquer moeda, para este centro de crianças orfãs. Eu sou representante das instituições de apoio e como vês estou identificado…&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[…com um crachá ilegível, mas estás…]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- …e eu passo-te uma declaração para ser dedutível nos impostos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[Estou mesmo a ver o departamento fiscal do Qatar, que é onde eu vivo, a aceitar esse papelito verde que me estás a dar para a mão…]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Eu só tenho uma moeda de dois euros e…&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;[interrompendo-me]&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- …dá-me antes vinte!&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[ainda incrédulo]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Ouve, vou dar-te estes dois euros e tu fazes o que quiseres com eles, contando que me encontres o gajo que me vinha buscar de limousine, OK?&lt;br /&gt;- É que vou já buscá-lo! Toma, eu escrevi aqui que me tinhas dado 35 dólares. Por teres um bom coração.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[Faz todo o sentido, do ponto de vista fiscal. E do ponto de vista da caridade, também]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiquei para ver se ele, de facto, tinha descoberto alguém que soubesse o meu nome. Até porque tenho a certeza que ele nem sequer voltou. Cinco segundos depois de eu ter começado a caminhar em direcção ao táxi ouviu-se um anúncio nos altifalantes: &lt;em&gt;«o aeroporto de Los Angeles não apoia nem incentiva qualquer peditório feito por cidadãos. Não se sinta obrigado a contribuir».&lt;/em&gt; Obrigado. Obrigado por me dizerem que eu não sou obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCjYcOQWI/AAAAAAAAAWw/HXfKcnX8epA/s1600-h/DSCF5861.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411922184095285602" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsCjYcOQWI/AAAAAAAAAWw/HXfKcnX8epA/s200/DSCF5861.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Adiante. Não interessa. Estou hospedado em Beverly Hills e a entrada da Doheny Drive, com as palmeiras iguais às que se vêem nos filmes, é suficiente para me fazer sentir que seria capaz de viver num sítio assim. Se fosse rico. Ou charlatão. Consta que quem vive nas bonitas casas de Beverly Hills e West Hollywood não tem dinheiro para as pagar, mas os processos de fraudes e créditos por pagar são simplesmente demasiados. E demasiado morosos, também. E nada lucrativos, porque a especulação imobiliária dos últimos anos fez o preço das propriedades subir de tal maneira que agora não interessa a nenhuma instituição penhorar residências que depois ninguém vai conseguir comprar ao preço pedido. Mas é lindo. Diria quase perfeito. Longas e largas avenidas, algumas zonas perfeitas para passear a pé. Esqueçam o passeio das estrelas – elas nem sequer andam por ali. É mais fácil vê-las a correr de &lt;em&gt;iPod&lt;/em&gt; nos ouvidos em Santa Monica ou em Malibu, ou então a jantar em Sunset Strip. Se alguém pensa vir a Los Angeles atrás das estrelas de cinema, está a cair num logro dos grandes. Elas raramente se mostram e raramente frequentam os mesmos sítios por hábito. Variam os locais e os horários, para fintarem os &lt;em&gt;paparazzi&lt;/em&gt;. O único sítio onde é quase certo encontrá-las é em Rodeo Drive, onde estão as lojas mais caras da Califórnia. E mesmo aí, é bom que seja numa das lojas que não tem entrada pela porta dos fundos ou que não seja uma das que fecha as portas cada vez que aparece a Julia Roberts. De resto, é quase impossível. É tudo tão grande e tão extenso que é mais fácil encontrar uma amostra de sangue não-contaminada num pelotão de ciclistas. É incrível, nunca vi nada assim. Dentro da Greater Los Angeles há a cidade de Los Angeles, a cidade de Beverly Hills, a cidade de West Hollywood, Malibu, Palm Beach, Brentwood, South Beach, Long Beach, Century City, Santa Monica, Harbour City… uf…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais bonita é, indiscutivelmente, a de Santa Monica. Para lá chegar é preciso fazer a Santa Monica Boulevard que a Sheryl Crown canta na famosa canção. E já agora, é bom que não sigamos o conselho dela para a pecorrer &lt;em&gt;«until the sun comes up over Santa Monica Boulevard»&lt;/em&gt;, porque é mais bonito fazê-la de dia. Ainda que se comece numa ponta &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[em Sunset Boulevard, o sítio das prostitutas e dos travestis]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, às três da tarde, e se termine na outra, 15 km mais tarde e já de noite &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[o sol, por estas bandas, põe-se depressa. Demora uns três minutos. Vá, talvez quatro]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. O trânsito é infernal, como seria de se esperar na segunda maior cidade da América, mas incrivelmente organizado e civilizado. Os franceses, amantes incondicionais de rotundas, devem ter um ataque apoplético cada vez que têm que fazer um cruzamento entre avenidas da Cidade dos Anjos. Está instituído que os carros de ambos os sentidos avançam na direcção uns dos outros e, no eixo da via, cada um vai para seu lado, evitando-se mutuamente e evitando o trânsito que avança nas restantes faixas. Sem colisões. Perfeito. E mesmo que um semáforo esteja vermelho para quem quer seguir em frente, quem quer virar à direita não tem que o respeitar, contando que não esteja nenhum outro carro a cruzar a avenida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;But enough of this traffic crap&lt;/em&gt;. Vamos ao que interessa: gajas. Como são as gajas de Los Angeles? Não faço ideia. Passei o tempo enfiado dentro de carros ou em aborrecidos encontros formais com pessoas de gabinetes de senadores, oficiais de justiça, advogados, juristas, jornalistas, representantes do turismo, fabricantes de tequilha, seguranças e adidos culturais. &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[se calhar não eram fabricantes de tequilha, mas havia dois gordinhos mexicanos naturalizados que pareciam mesmo saídos de um filme do Cantinflas]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; As únicas «gajas» que vi eram as respeitáveis secretárias dos administradores, cada qual com idade para serem minhas avós &lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[eu sou novinho, ainda nem fiz 14 anos, em idade saturniana]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt; portanto compreendem se eu subitamente sentir a tentação de não proceder a comentários sobre elas. A não ser para dizer que eram gordas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se há alguma coisa comum aos americanos da Califórnia, sejam eles coreanos ou mexicanos, é a obesidade. Na verdade, isto é comum aos americanos em geral. Em média, um &lt;em&gt;yankee&lt;/em&gt; ingere 3600 calorias por dia. Um número simpático, tendo em conta que um cidadão adulto pode viver nas calmas com 1500 calorias por dia e o normal é não superar as 2100. Por aqui começa a fazer sentido que os americanos tenham carros grandes e vivam em casas gigantescas, porque têm que fazer caber as suas enormes barrigas em qualquer lado. E também faz algum sentido, bem vistas as coisas, que não andem a pé. Para ir a qualquer lado de Los Angeles é preciso ir de carro, porque é tudo longe de tudo. Por exemplo, eu quis ir ver as letrinhas de Hollywood de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que faço para ir lá acima às colinas ao pé do &lt;em&gt;Hollywood sign&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Simples, &lt;em&gt;sir&lt;/em&gt;. O Four Seasons tem o prazer de o convidar a ir numa das nossas limousines.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[O concierge do hotel é assim uma espécie de Jeff Bridges impecavelmente vestido de sobretudo e gravata e cartola. Mas não é actor. É só o frontman do hotel. Embora eu ache que ele gostava de ser actor]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Mas eu queria ir a pé.&lt;br /&gt;- Impossível, &lt;em&gt;sir&lt;/em&gt;. São umas quatro milhas.&lt;br /&gt;- Como assim, impossível? Eu gosto de andar a pé.&lt;br /&gt;- Mas é muito longe.&lt;br /&gt;- Está bem, mas e então se for apenas perto do &lt;em&gt;Hollywood sign&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Ainda serão umas três milhas.&lt;br /&gt;- E não dá para ir a pé?&lt;br /&gt;- Talvez. Mas terá que subir a colina a pé.&lt;br /&gt;- Tudo bem, mas vale a pena? A vista é bonita?&lt;br /&gt;- Nem por isso, &lt;em&gt;sir&lt;/em&gt;. Inclusivamente nem se vê nada a esta hora da noite&lt;span style="color:#330033;"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;[eram cinco da tarde]&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;porque as luzes estão desligadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a ficar farto deste lugar. Vou-me embora. Espera-me uma via-sacra em réplica para passar pelo LAX outra vez. Mas desta vez, depois dos oito controles de entrada, três máquinas de raio-x, uma revista em que até me quiseram ver a cor das cuecas &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;[o que foi extraordinário, tendo em conta que eu não uso cuecas]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; e mais três quilómetros e meio a andar a pé, havia ainda mais um tormento: um alarme na sala de embarque que tocou 43 minutos seguidos sem que alguém se tivesse preocupado em desligá-lo. Finalmente alguém o desligou. Ouviram-se palmas. Sinto-me aliviado por sair de um sítio assim. Mas a verdade é que estava capaz de viver por cá.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[breve vídeo de 20 segundos do inferno do alarme no LAX. Para verem que não estou a inventar]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-fdd289393dd4f0d0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfdd289393dd4f0d0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329976770%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6CE0EF5F937ED09F947BAE429384E37808B56710.13073D7F10E1AED801FD83290B0A68E409202DF4%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfdd289393dd4f0d0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLsg6ofvfYAcN3v2J0AQ_XkXGi-M&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfdd289393dd4f0d0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329976770%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D6CE0EF5F937ED09F947BAE429384E37808B56710.13073D7F10E1AED801FD83290B0A68E409202DF4%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfdd289393dd4f0d0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLsg6ofvfYAcN3v2J0AQ_XkXGi-M&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4862211474531492890?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=fdd289393dd4f0d0&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4862211474531492890/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4862211474531492890' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4862211474531492890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4862211474531492890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/12/la-is-my-lady-ta-ta-ta-ta-ta.html' title='LA is my lady... ta ta ta ta ta...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SxsB16XNlAI/AAAAAAAAAWY/gI0BjVwliI8/s72-c/DSCF5839.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-5359567338532777570</id><published>2009-10-15T11:26:00.009+01:00</published><updated>2009-10-15T12:49:06.911+01:00</updated><title type='text'>EXCLUSIVO: Maitê Proença assume identidade portuguesa e escreve num blog de maledicência</title><content type='html'>Não percebo. Juro que não percebo. Ando há anos a dizer mal dos portugueses e nunca ninguém se insurgiu contra mim. De repente aparece a Maitê Proença, actriz brasileira popularizada por ter uma das vozes/dicção mais irritantes da comunidade de Língua Portuguesa e por ter a genitália mais frequentemente retratada no cinema brasileiro dos anos 80, e cai o escândalo. E toda a gente exige um pedido de desculpas. A mim nunca ninguém exigiu um pedido de desculpas. A quem é que eu tenho que exibir a genitália para me exigirem um pedido de desculpa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritado, enviei um &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; à Maitê Proença a dizer-lhe umas verdades. A dizer-lhe que eu sei que ela é portuguesa. Que eu sei quem ela é. E que me peça desculpa pelo facto de a mim ninguém me exigir um pedido de desculpa. Isto de dizer mal dos portugueses exige dedicação, esforço e um certo nível de profissionalização. Não se admite que agora chegue uma actriz, conhecida dos dois lados do oceano, e assim sem mais nem menos me tire o emprego. Já não chegavam os brasileiros que servem nos restaurantes e os brasileiros que entregam &lt;em&gt;pizzas&lt;/em&gt; em casa, mais os brasileiros que atendem os telefones nos &lt;em&gt;call-centers&lt;/em&gt;, os brasileiros que fazem ponto no Conde Redondo, os brasileiros que assaltam bancos, os brasileiros que montam fios da TV Cabo, os brasileiros que fazem maus anúncios de televisão para o Pingo Doce e os brasileiros que jogam no Paços de Ferreira, agora ainda temos que levar com os brasileiros que falam mal dos portugueses. Onde é que já se viu isto?? Qualquer dia, temos brasileiros a contar anedotas sobre portugueses. Isso seria um ultraje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maitêzinha já me respondeu ao &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; e às questões que eu lhe enumerei. Dez questões firmes. Uma dezena de perguntas claramente a pôr o dedo na ferida e a exigir explicações. Aqui transcrevo as respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;On Wednesday, 14th October, Edmund wrote:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Reply by &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:Maite_proenca@uol.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Maite_proenca@uol.com.br&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Caro Edmund, em resposta ao seu ímeio:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;1. Eu nunca quis tirar sarro da cara dos portuga. Muito menos quis tirar de você essa atividade profissional.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;2. Mil perdões, mas não tem razão de ficar embestado com isto. Gozar com portugueses não é de agora não. Já vem de longe. Há pelo menos 50 anos que toda a gente faz isso no Brasil. E já venho fazendo isso vai p'ra muito tempo. Quem sabe uns 60 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;3. Como você descobriu que eu sou portuguesa?? É verdade, sou sim. Em 1999 eu fiz plástica para disfarçar ruga e agora ela quebrou toda. Tou parecendo velha e portuguesa, não quero que ninguém saiba, por favor mantenha sigilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;4. Não sei quem é esse tal de Santana Lopes que você tá falando.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;5. Não creio que seja possível a gente almoçar essa semana, tou com trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;6&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;. Contracenar com Diogo Morgado foi super bacana, ele é totalmente fofinho e bom colega e excelente ator. A não ser que eu esteja confundida e você não esteja falando daquele cara espanhol e o Diogo seja aquele ator português. Nesse caso ele é um calhorda, mau carácter e um pouquinho boiolão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;7. Tou pensando voltar a posar para a Playboy sim, a grana faz falta para a plástica que vou ter que fazer para disfarçar esse rosto com que fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;8. Quem é esse tal de Miguéu? Não lembro de Miguel Sousa Tavares não. Uma vez teve aqui um cara português muito inxirido que andou bisbilhotando na biblioteca, copiando coisas de livros. Ouvi dizer que ele escreveu livro em Portugal e tá sendo o maió sucesso. Dá p'ra entender. Portuga é besta, sô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;9. Olha, jantar também tá difícil, cê sabe que eu não janto. A minha refeição é a base de suplemento de vitamina, cálcio para reforçar o osso, glúton de larva de pulga e água de coco. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;10. Quanto ao carnaval, olha, eu vou ficar por aqui mesmo no Brasil. Tive convite para ir no carnaval de Torres Vedras, mas nem sei em que parte da Espanha isso fica. Eles mostraram fotos p'ra mim, aquele lugar parece Baguedá depois de Sadã ter sido enforcado. Vou ficar por aqui mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado e maior beijinho, você é o maior gato Edmund&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não apreciei as respostas e estou indignado. Assim sendo, vou revelar a identidade secreta dela. Maitê Proença é... Manuela Ferreira Leite. Fugiu para o Brasil assim que soube que o Santana Lopes queria ir a novo conselho nacional do PSD para se recandidatar à liderança do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StcLVhAco1I/AAAAAAAAAWQ/Qj6WMzqpFoU/s1600-h/MP.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392791543064863570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 177px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StcLVhAco1I/AAAAAAAAAWQ/Qj6WMzqpFoU/s400/MP.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Maitê Proença, melhor dizendo, Manuela Proença Maitê da Silva Gallo Ferreira Leite, prometeu, no seu exílio em Aracajú, no estado do Sergipe, deixar de gozar com todos os portugueses, passando a gozar apenas com os portugueses que votarem em Pedro Santana Lopes. Ou em Hernâni Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometeu, igualmente, passear todos os dias de manhã, junto à água do mar, em tanguinha e bikini. Também prometeu nunca mais fazer bobó. De camarão. Parece que uma vez comeu camarão estragado e agora quer evitar a gastroentrite, que é coisa para ser desagradável ao nível da tripa. Prometeu ainda enviar-me um par de havaianas, mas até agora ainda não recebi nada e estou a ficar preocupado. Prometeu voltar a Portugal unicamente no dia em que Mário Soares disser uma frase que faça nexo do princípio ao fim e, enquanto espera, vai enviar uma carta a António Lobo Antunes disponibilizando-se para ser a sua próxima namorada em terras de Vera Cruz. Que, como se sabe, é a prima brasileira do Carlos Cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-5359567338532777570?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/5359567338532777570/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=5359567338532777570' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5359567338532777570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5359567338532777570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/10/exclusivo-maite-proenca-assume.html' title='EXCLUSIVO: Maitê Proença assume identidade portuguesa e escreve num blog de maledicência'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StcLVhAco1I/AAAAAAAAAWQ/Qj6WMzqpFoU/s72-c/MP.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-989300798599817496</id><published>2009-10-12T17:59:00.008+01:00</published><updated>2009-10-12T19:29:54.774+01:00</updated><title type='text'>Breves notas sem critério especial nem rigor por aí além sobre as eleições autárquicas</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;Cancelaram a reunião dos piscopatas anónimos de domingo passado, &lt;em&gt;de maneiras&lt;/em&gt; que dei comigo sozinho na barraca, em frente a uma televisão só com três canais. E os três a dar o mesmo: a cobertura das eleições autárquicas em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas a reter:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- alguém devia ensinar português aos tipos que escrevem os oráculos. Em alternativa, podia contratar-se técnicos de grafismo multimédia que de facto tivessem estudado português na escola. Mesmo que tivessem chumbado. &lt;em&gt;«Macário Correia já chegou &lt;strong&gt;há &lt;/strong&gt;sede de campanha»&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;«Portas aguarda para comentar &lt;strong&gt;escrútinio&lt;/strong&gt;»&lt;/em&gt; eram erros difíceis de evitar, mas «&lt;em&gt;Rio conquista maioria no &lt;strong&gt;Poto&lt;/strong&gt;»&lt;/em&gt; e «&lt;em&gt;Passos Coelho &lt;strong&gt;releito&lt;/strong&gt; para Assembleia Municipal»&lt;/em&gt; talvez fossem evitados por qualquer ser humano com mais de sete anos de idade. Mesmo nascido no Uzbequistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Valentim Loureiro voltou a ganhar em Gondomar e estou com um pressentimento que Tony Carreira será seu mandatário para toda e qualquer eleição futura, incluindo para os órgãos sociais do Boavista, do FC Gondomar, unidos do Chinquilho da Guiné, Federação dos Negociantes de Diamantes e Clube de Tuning de Fânzeres. Ficou provado, também, que Valentim Loureiro &lt;strong&gt;dispensa o uso de um microfone&lt;/strong&gt; para discursar à multidão. Os seus gritos de ontem ouviram-se em Reguengos de Monsaraz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StNzBpOB1pI/AAAAAAAAAVs/mlCCG_JKI84/s1600-h/santana_lopes_zorate1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391779650974373522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 337px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StNzBpOB1pI/AAAAAAAAAVs/mlCCG_JKI84/s400/santana_lopes_zorate1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- &lt;strong&gt;Santana Lopes&lt;/strong&gt; não estava a preparar-se para ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Assim que percebeu que não ia vencer (deviam ser umas cinco da tarde e o gin já tinha acabado, só sobravam dois rissóis do dia anterior e um folhado de salsicha roído pelo cão), começou a preparar-se para a Meia Maratona de Lisboa. Fez o caminho entre a sede de campanha e o escritório de advogados umas trinta vezes e está em belíssima forma. Alguém devia explicar-lhe, porém, que nas maratonas não há obstáculos. É que ele insistia em fazer o caminho por detrás dos carros de exteriores e saltando vigorosamente as rampas dos camiões, com uma desenvoltura digna do Rochemback antes da picanha do pequeno-almoço. Nunca vi ser humano tão obcecado pela própria imagem. Nem o Narciso - o grego, não aquele de Gaia - gostava tanto de si próprio. O Santana foi o único candidato a assistir à revelação das projecções num sítio &lt;strong&gt;onde pudesse ser filmado&lt;/strong&gt;. Provavelmente era o único a acreditar que podia ganhar. Mas devia ter sido um dos vários em que ninguém devia ter votado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Hernâni Carvalho ia ganhando&lt;/strong&gt;. Decididamente, há demasiada gente em Odivelas a precisar de acompanhamento psiquiátrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elisa Ferreira ganhou o prémio de &lt;strong&gt;sorriso mais falsificado da noite&lt;/strong&gt;. Deve ter treinado aquela expressão facial vezes sem conta e sempre em frente ao Pedro Abrunhosa, para se ver ao espelho nos óculos dele &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(é verdade, vou desmistificar um mistério: o Abrunhosa usa óculos escuros porque é estrábico. Daqueles assim mesmo BUÉ estrábico. Tipo as mamas da Ana Malhoa, uma para cada lado. OK? Não tem nada a ver com estratégias de marketing. Achei que deviam saber, só isso. Também nunca percebi o interesse do assunto. O Zé Cid usa óculos escuros há decénios e nunca ninguém quis saber porquê).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; Elisa Ferreira estava tão contente, mas tão contente, tão radiante, que logo a seguir àquele sorriso encantado pela forma como decorreram as eleições a seu (des)favor, anunciou que vai para Bruxelas. Até a Fátima Felgueiras se esforçou para fazer um sorriso mais honesto. O típico sorriso de quem acabou de se urinar nas calças em público e toda a gente notou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em &lt;strong&gt;Torres Vedras&lt;/strong&gt; ganhou Soares Miguel. Ganhou a si próprio porque o presidente já era ele. Ganhou com inteira justiça e mereceu todo e cada voto que lhe concederam. Do programa eleitoral do candidato socialista e presidente da autarquia constava apenas uma breve nota sobre a &lt;em&gt;«criação do Centro das Artes do Carnaval».&lt;/em&gt; Extraordinário, para um município onde o carnaval tem um peso tão grande, como todos os defensores do carnaval gostam de frisar. O que representa em termos económicos, turísticos e sociais. Uma importância incrível. Uma relevância tão grande, tão histórica, tão cultural, que mereceu duas linhas no programa eleitoral do candidato mais forte e, mesmo assim, sobre um tema obsoleto e ridículo. Felizmente, há pessoas inteligentes a viver neste país dos portugueses. Duas ou três. Uma delas deu-se ao trabalho de escrever &lt;strong&gt;&lt;a href="http://cultura-torresvedras-2009.blogspot.com/2009/07/o-centro-de-artes-do-carnaval.html"&gt;isto&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; num blog. Não sei quem é, nem o que faz, nem para quem trabalha, nem sequer se é de Torres Vedras. Mas desço do meu suporte básico de vida e faço-lhe uma vénia, considerando-me, a partir de hoje, seu admirador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém devia arranjar uma &lt;strong&gt;cadeira mais larga&lt;/strong&gt; para Pacheco Pereira. O conhecido comentador social-democrata é daqueles cidadãos obesos que, quando exulta a sua soberba e quase cai da cadeira, quase cai para os dois lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seguindo a mesma linha de raciocínio (inventada por um colega meu que é copeiro num bar de &lt;em&gt;strip&lt;/em&gt;, porque eu não sei raciocinar), alguém devia arranjar uma &lt;strong&gt;almofada dupla&lt;/strong&gt; para a cadeira do Marques Mendes. Mesmo estando numa cadeira extensível em altura, puxada no máximo para cima, continua a parecer pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém se concentra no que o Pacheco Pereira está a tentar dizer depois de ver &lt;strong&gt;as pernas da Clara de Sousa&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém leva a sério um &lt;em&gt;pivot&lt;/em&gt; de uma noite eleitoral se ele tiver a &lt;strong&gt;barba de adolescente garanhão&lt;/strong&gt; do Rodrigo Guedes de Carvalho. Seria o mesmo que o Mário Crespo de rabo-de-cavalo e &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; cava justinha ao peito ou a Ana Lourenço de tranças e traje colegial. Se bem que me agrada mais a segunda ideia do que a primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A ideia da RTP tentar passar a &lt;strong&gt;imagem ultra-tecnológica&lt;/strong&gt; dos &lt;em&gt;pivots&lt;/em&gt; a comandar a emissão a partir de uns mega &lt;em&gt;touch-screens&lt;/em&gt; não resultou lá muito bem. Toda a gente percebeu que havia descoordenação entre o toque no ecrã e o gajo que estava na &lt;em&gt;régie&lt;/em&gt; a comandar as operações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ver o Pedro Pinto como coordenador de uma emissão especial sobre eleições é mais ou menos o mesmo que ver o Rui Unas a coordernar o Prós e Contras sobre o referendo ao aborto. Aquilo não cola. E como a TVI voltou a levar uma &lt;strong&gt;grande tareia nas audiências&lt;/strong&gt;, a próxima noite eleitoral vai ser apresentada pela Júlia Pinheiro e pelo Manuel Luís Goucha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem teve a ideia de colocar &lt;strong&gt;Miranda Calha&lt;/strong&gt; como coordenador autárquico do PS devia passar três dias a arrancar os outdoors de campanha com os dentes. E quem teve a ideia de o deixar discursar para as televisões devia estar a escrever guiões para programas do Baby TV. Ou dos novos canais ZON-zen. Miranda Calha aparece e os jornalistas não prestam atenção ao que ele está a dizer. É uma risota pegada. O Guiness está a investigá-lo para recordista mundial de tiques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como sempre, em qualquer eleição, &lt;strong&gt;nunca ninguém perde&lt;/strong&gt;. Tenho pena de não ter apanhado nenhuma declaração pública de Manuel Monteiro nas últimas três semanas. Tenho a certeza que nem ele seria derrotado. A CDU perdeu várias autarquias e, mesmo assim, diz que reforçou a sua posição naquelas que manteve. E queixa-se que as pessoas que não votaram na CDU não o fizeram porque foram atrás das ideias de direita do PS. Os comunistas gostam de ideais de direita? Não sabia. Francisco Louçã fez uma declaração pública em que parecia - por momentos cheguei a pôr o aparelho auditivo no máximo porque pensava que era desta - que ia admitir a derrota. Mas não. Disse apenas que ia mencionar um objectivo que o BE não tinha conseguido atingir e, sem dar por isso, mencionou dois de seguida. E no imediato lançou-se a dizer que era uma grande vitória a manutenção da única câmara municipal que já tinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Maldita ZON TV&lt;/strong&gt; Cabo. Se não fosse pela incompetência de quem ali trabalha, não teria sido obrigado a passar por tudo isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peço desculpa. As notas não são tão breves quanto isso&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-989300798599817496?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/989300798599817496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=989300798599817496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/989300798599817496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/989300798599817496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/10/breves-notas-sem-criterio-especial-nem.html' title='Breves notas sem critério especial nem rigor por aí além sobre as eleições autárquicas'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/StNzBpOB1pI/AAAAAAAAAVs/mlCCG_JKI84/s72-c/santana_lopes_zorate1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4839347388284860713</id><published>2009-10-09T12:14:00.004+01:00</published><updated>2009-10-09T12:26:24.853+01:00</updated><title type='text'>Socorro. Torres Vedras inteira quer matar-me e eu já me comprometi a discursar numa convenção de filatelia esta noite e não me dá jeito morrer agora</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss8db2QI6QI/AAAAAAAAAVk/-QwPbnrtS_8/s1600-h/2007_0201_155814.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390559643242653954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss8db2QI6QI/AAAAAAAAAVk/-QwPbnrtS_8/s200/2007_0201_155814.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Parece incrível. Até eu fico (mais) parvo (ainda) com isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/o-carnaval-de-torres-vedras-estpido-e-o.html"&gt;Este post&lt;/a&gt; continua a dar que falar. De tal maneira, que estou tentado a reeditá-lo, mudando uma ou duas palavras para o tornar ainda mais ofensivo, voltando a pô-lo aqui logo na &lt;em&gt;frontpage&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente em Torres Vedras me quer ver morto. Só porque eu digo que o carnaval de Torres Vedras é estúpido. E digo outra vez: &lt;strong&gt;o carnaval de Torres Vedras é estúpido&lt;/strong&gt;. E o Luís Delgado também. E não consta que o Luís Delgado me queira matar, ao contrário do carnaval de Torres Vedras, que me quer ver sete palmos debaixo da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras é estúpido. Será que recebo um prémio por dizê-lo num número de vezes recorde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros amigos de Torres Vedras: se me querem matar, por favor façam-no ordeiramente e aguardem a vossa vez, porque há uma fila enorme à espera. O Carlos Castro, o Nuno Eiró e o Santana Lopes são os primeiros da fila e estão à espera há imenso tempo. E eu tenho vida que chegue para toda a gente matar, mas não pode ser assim tudo ao mesmo tempo, senão dá confusão. E nem eu morro, nem vocês almoçam. Pode ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras é estúpido. Por nenhum motivo especial que não seja ser genuinamente estúpido. E talvez, também, por ter gente estúpida a defendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4839347388284860713?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4839347388284860713/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4839347388284860713' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4839347388284860713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4839347388284860713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/10/socorro-torres-vedras-inteira-quer-me.html' title='Socorro. Torres Vedras inteira quer matar-me e eu já me comprometi a discursar numa convenção de filatelia esta noite e não me dá jeito morrer agora'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss8db2QI6QI/AAAAAAAAAVk/-QwPbnrtS_8/s72-c/2007_0201_155814.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4770993351236988519</id><published>2009-10-08T15:57:00.003+01:00</published><updated>2009-10-08T16:31:54.378+01:00</updated><title type='text'>Toda a parvoíce é profissional, com excepção da que é involuntária</title><content type='html'>Há pessoas que são parvas por convicção. São-no e sabem-no e usam-no em seu próprio capital. Vasco Pulido Valente, por exemplo. Esforça-se para ser parvo como é, para continuar a ter para onde vomitar o seu ódio. Camilo Lourenço, outro excelente exemplo: passa a ideia que é um parvo que aprendeu Economia às próprias custas, que a vida o ensinou, que a experiência lhe deu tudo o que sabe. Quando, na verdade, toda a gente sabe que ele não sabe nada do que diz e escreve. António Tadeia e Luis Sobral: dois comentadores de futebol que são muito parvos, porque isso é importante para manter o emprego. Se as pessoas soubessem que eles nunca puseram o cú num campo de futebol nem nunca apanharam pé-de-atleta num balneário, percebiam que eles não dizem nada de jeito simplesmente porque não percebem nada do que estão a fazer. São os parvos profissionais, os que exercem parvoíce e passam recibo. Como João Malheiro. Ou a Maya. Ou aquele moço de tamanho diminuto que apresenta um programa que tem «pastéis de nata» no nome e apanhou Gripe A. Ou o Fernando Girão. Ou o José Cid.&lt;br /&gt;O Luís Delgado não conta. Não entra nestas contas por não ser parvo. Luis Delgado é simplesmente estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss4FjXppmjI/AAAAAAAAAVc/M_mgfTOteeQ/s1600-h/hernane_outdoor.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390251909211331122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss4FjXppmjI/AAAAAAAAAVc/M_mgfTOteeQ/s320/hernane_outdoor.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas há pessoas que são parvas de modo involuntário. Veja-se Hernâni Carvalho. O momento mais marcante da sua existência foi ficar refém num abrigo em Dili e os timorenses a morrer à sua volta. Conseguiu regressar, infelizmente. Deu entrevistas na televisão, nem uma lágrima verteu, pese embora os relatos horríficos da chacina que presenciou. Austero, inabalável, a seguir dedicou-se aos casos impossíveis. O da menina que desapareceu no Algarve. Caso duro. Caso misterioso. Caso mórbido. Um caso do Carvalho. Só ele sabe onde ela está, o Gonçalo Amaral que tire o cavalinho da chuva. E hoje, Hernâni continua a ser um homem de causas. Por causa disso, candidatou-se à Câmara Municipal de Odivelas, talvez com a promessa eleitoral de fomentar o turismo entre casais &lt;em&gt;swingers&lt;/em&gt; do Reino Unido. Odivelas precisa de mediatismo. Odivelas para o mundo. Odivelas na blogosfera. Odivelas rumo a Marte. Odivelas incandescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou candidato a nenhuma autarquia. Mas prometo - é a minha promessa eleitoral - deixar de falar a todas as pessoas que descobrir que vão votar em Hernâni Carvalho. E eu sei que elas agradecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, é preciso fazer uma ressalva. Eu não sou parvo por convicção nem parvo porque calhou. Sou parvo porque é muito divertido ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- A minha colega acabou de comentar comigo: &lt;em&gt;«o Joaquim de Almeida diz que a Kim Bassinger acabava as cenas de nudez e imediatamente se enrolava no robe». &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Eu percebi: &lt;em&gt;«o Joaquim de Almeida diz que a Kim Bassinger acabava as cenas de nudez e imediatamente se limpava no rabo»&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Percebem como é divertido?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4770993351236988519?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4770993351236988519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4770993351236988519' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4770993351236988519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4770993351236988519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/10/toda-parvoice-e-profissional-com.html' title='Toda a parvoíce é profissional, com excepção da que é involuntária'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Ss4FjXppmjI/AAAAAAAAAVc/M_mgfTOteeQ/s72-c/hernane_outdoor.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-5097173018474297696</id><published>2009-05-15T17:44:00.005+01:00</published><updated>2009-05-15T18:07:24.843+01:00</updated><title type='text'>Os austríacos têm PH neutro e odeiam alemães*</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;*o que, a meu ver, me parece uma excelente ideia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível como a Áustria e a Suíça se confundem em quase tudo: é tudo arrumadinho e limpinho, faz um frio de rachar no Inverno, há demasiados sítios onde se fala alemão (bom, no caso da Áustria, na totalidade deles) e aquela estúpida mania da neutralidade faz-nos ter vontade de lhes arrancar o sorriso da cara com uma ventosa de canalizador. Na Áustria, esta questão da neutralidade é ainda mais irritante, porque está prevista na constituição e, ao que parece, os senhores foram claros o suficiente para escrever um parágrafo a dizer que querem ser neutros para sempre. Mesmo que nasça outro cidadão baixinho e de bigode ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que irrita, especialmente, no caso dos austríacos, é que eles têm um ar simpático e tudo aquilo faz sentido. São neutros porquê?, nem eles sabem. São e pronto. Têm um exército e serviço militar obrigatório, mas não sabem para quê (conheço outro sítio na Europa onde já foi assim…). E segundo me explicou um austríaco de gema (nascido em Berlim, portanto), a principal função dos militares austríacos, hoje em dia, é dar assistência aos guardas-fronteiriços. &lt;em&gt;«Para impedir os húngaros de entrar?!»&lt;/em&gt;, pergunto eu, com o ar aterrorizado de quem nunca leu uma linha sobre História Contemporânea: &lt;em&gt;«não, isso da cortina de ferro já não existe, sixas! &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[‘sixas’? Eu já te disse como é que me chamo, porque é que me estás a chamar ‘sixas’?? Que panasquice é essa?? Conheces-me há cinco minutos e já estás com intimidades??]&lt;/span&gt; Ajudam os guardas da fronteira a impedir a entrada de imigrantes ilegais, é para isso que eles servem!»&lt;/em&gt;. Ahhh… Quer dizer, vai dar ao mesmo: os austríacos são neutros e não querem mal a ninguém, mas há um Paulo Portas entre eles que é de extrema-direita e não grama dos estrangeiros. E nesse grupo, inclui-se os húngaros. Patético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2hEoEbEdI/AAAAAAAAASw/y9oHylAca80/s1600-h/DSCF2612.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336098234351423954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2hEoEbEdI/AAAAAAAAASw/y9oHylAca80/s200/DSCF2612.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No fundo, no fundo, eu preciso encontrar um motivo para embirrar com estes tipos. O idiota tratou-me por ‘sixas’ e já me parece razão suficiente para arranjar confusão e propor um duelo de fisgas. Mas, afinal, ‘sixas’ é apenas uma forma comum de um austríaco dizer ‘tás-a-ver?’. Bolas… ainda não é desta. Insisto na questão da neutralidade, então: &lt;em&gt;«ouve… eu não queria tocar neste assunto, porque é delicado e é do tempo dos meus pais, mas aqui vai…»&lt;/em&gt; – diz-me ele com ar sério – &lt;em&gt;«primeiro foram os estúpidos dos alemães, depois foram os soviéticos, toda a gente queria um bocadinho da Áustria no século passado. Vieram para cá os ingleses, os americanos e os franceses e obrigaram-nos a assinar um compromisso de neutralidade para se irem embora daqui e para nos deixarem a salvo dos russos e dos húngaros. Sixas?»&lt;/em&gt; OK, deixa-me cá ver se eu percebi isto bem: os austríacos são neutros porque os alemães os meteram nas guerras sem eles pedirem e ainda os deixaram, depois, entregues aos soviéticos e aos húngaros e tiveram que ser os americanos a salvá-los. Portanto, a culpa é dos alemães. Portanto, os austríacos dizem &lt;em&gt;«somos neutros»&lt;/em&gt;, mas no fundo deviam dizer &lt;em&gt;«somos-neutros-e-não-odiamos-ninguém-a-não-ser-que-sejam-alemães»&lt;/em&gt;. De um momento para o outro perdi a vontade de embirrar com eles. Eu também me solidarizo nessa missão de achar os alemães parvos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salzburgo é uma cidade tão bonita que quase não se dá por ela. O centro está cheio de edifícios barrocos a espreitar para o rio, misturados com edifícios modernos e inteligentemente proporcionados. Dá vontade de não mexer em nada, não vá partir-se alguma coisa. Os arredores são ainda mais bonitos, com montanhas mais altas que qualquer Serra da Estrela, cabines de desportos de Inverno por todo o lado e casas de madeira, espaçosas, quadradas e de grandes telhados negros. Tudo limpo e arrumadinho, como se a empregada tivesse vindo trabalhar nessa manhã. Há uns lagos fantásticos, a perder de vista, suportando as montanhas de um lado e de outro. E a mim, que sou fino, hospedaram-me num hotel que é um castelo. Tão incrível e inacessível que não se chega lá de carro – levam-me numa lancha rápida, um passeio lindo e agradável que só não é mais lindo e mais agradável porque o frio corta-me os beiços como se estivesse a enfiar a cara num balde de gelo. Entra-se por um jardim que mais parece uma plateia para a Áustria inteira, depois passa-se por um túnel feito nas entranhas da rocha cujo caminho está marcado por velas e tochas e, quando já começava a imaginar uma recepção cheia de teias de aranha, com mobiliário antigo e morcegos a esvoaçar de um lado para o outro, dou com uma comissão de boas-vindas num moderno e impecavelmente remodelado &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt;, cheio de mobiliário envidraçado e criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira inevitável curiosidade: quantos pedaços da minha biologia eu teria que entregar ao cozinheiro para pagar tão-somente cinco minutos de estadia naquele sítio? Nada. Procurei por todo o lado, não há uma única tabela de preços. Nem a &lt;em&gt;Stiegl&lt;/em&gt; fresquinha que eu pedi no bar me deixaram pagar. &lt;em&gt;«Isto é tudo negociado a priori»&lt;/em&gt;, diz o relações públicas daquele espaço: &lt;em&gt;«herr Didi não gosta de conversas sobre dinheiro. Não há uma única caixa registadora no hotel e todo o dinheiro que vais encontrar por aqui há-de estar nos bolsos de alguém»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2fZUuBGxI/AAAAAAAAASg/57e104ZA6DI/s1600-h/DSCF2587.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336096390911171346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2fZUuBGxI/AAAAAAAAASg/57e104ZA6DI/s200/DSCF2587.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Convém explicar: &lt;em&gt;«herr Didi»&lt;/em&gt; é Dietriech Mateschitz, dono de uma bebida chamada Red Bull (bom, tecnicamente, não é assim dono, dono, dono… tem 49% do capital, mas é ele que tomas as decisões todas), multi-milionário, um boémio que não bebe nem fuma, mas anda sempre rodeado de mulheres que nem o Briatore conseguiu conhecer. Tem tanto dinheiro que é dono de mais de metade da cidade de Salzburgo, mas vive numa ilha das Fiji que comprou à família Forbes por 10 milhões de euros (e vai para lá de avião e é ele que «conduz»). Metade do aeroporto de Salzburgo é dele e inclui uma exposição de alguns dos aviões acrobáticos da Air Race (da Red Bull), carros de Fórmula 1 (da Red Bull) e o mais impecavelmente restaurado Piper Super Club que eu já vi (que não é da Red Bull, é dele mesmo, e ao que parece gosta de andar a passear com ele). Tem um hangar só para ele, onde está a reconstruir, pelo menos, um DC-3 e um Caravelle (e eu só consegui ver estes dois). O clube Casino de Salzburgo é dele e agora chama-se, vá-se lá entender porquê, «Red Bull Salzburgo». E a montanha do lado de lá de um dos 185 lagos da região é dele, precisamente aquela que tem oito castelos todos reconstruídos, que servem agora de hospedagem de luxo para individuais ou grupos. Negoceia à distância por antecipação e os preços a pagar incluem tudo, mesmo tudo, o que é serviço do hotel: cama, mesa, bar, piscina, spa, transporte, manicure, vernissage, patisserie, e outras porcarias em estrangeiro. O que é que faz num sítio como este um gajo como eu, que não tem dinheiro nem para mandar cantar o ceguinho do metro das Laranjeiras? É uma boa pergunta, mas que vão ter que a colocar aos senhores que me levaram até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2gC_ISGZI/AAAAAAAAASo/iHsn-LU9jIM/s1600-h/DSCF2651.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336097106670262674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2gC_ISGZI/AAAAAAAAASo/iHsn-LU9jIM/s200/DSCF2651.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O hotel/castelo é gigantesco e o meu quarto é, obviamente e como manda a tradição, o último e mais longínquo do hotel. Quando saí do quarto para jantar, perdi-me três vezes nos corredores e parei a meio para tomar um aperitivo. Por duas vezes tinha a certeza do caminho e acabei na lavandaria. E ao jantar, ao qual consegui chegar 55 minutos depois de ter fechado a porta do quarto, reencontrei, finalmente, o meu interlocutor da hora do almoço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Onde andaste, pá?»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- &lt;em&gt;«A ver as vistas»&lt;/em&gt;, disse eu, sem dar parte fraca. &lt;em&gt;«Isto é lindo, o que é que há para não gostar num sítio como este?»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- &lt;em&gt;«Hum… está sempre a chover.»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Sempre?!»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;em&gt;«Quer dizer… quando não está a chover, está a nevar. Bom é lá para os vossos lados, onde está sempre sol.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Bom, primeiro que tudo, tu não fazes ideia de onde eu venho, por isso, faz o favor de não me misturar com a horda de espanhóis que está aí ao teu lado a falar alto, a comer com as mãos e a cuspir perdigotos. Segundo, peço desculpa mas eu não trocava isto por um país cheio de sol. Aqui estamos na 10ª melhor economia do mundo, o PIB da Áustria não pára de crescer desde os anos 90 e é tudo tão organizadinho que parece a Suíça, mas para melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Sabes…»&lt;/em&gt;, diz ele enquanto lambe a espuma da cerveja do lábio superior, &lt;em&gt;«isso é tudo muito bonito, mas não és tu que tens que passar a vida a ouvir a aturar os alemães, nem os turistas idiotas que aqui vêem à procura de sinais do Adolf»&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;em&gt;«O Adolfo… pois é, o tal que era assim meio abichanado e que levava porrada do pai quando era pequeno… nasceu por estes lados, não foi?»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;em&gt;«Se andares 60 km para norte dás com a casa dele, em Braunau. É fácil reconhecer, mesmo à porta tem uma lápide colocada pelos austríacos que foi feita a partir da pedra de um campo de concentração, onde se faz um apelo do tipo ‘fascismo nunca mais’, mas que hoje está completamente vandalizada e pintada com suásticas pelos estúpidos dos neo-nazis alemães que aqui vêm em peregrinação»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Deixa lá… eu do Adolfo só gosto de me lembrar que um dia se matou, a ele e à Eva, cheio de medo de ser capturado pelos soviéticos, num bunker, em Berlim»&lt;/em&gt;, tentei rematar, com uma gargalhada tão idiota que até a mim me assustou.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Pois… nós também…»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-5097173018474297696?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/5097173018474297696/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=5097173018474297696' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5097173018474297696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5097173018474297696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/05/os-austriacos-tem-ph-neutro-e-odeiam.html' title='Os austríacos têm PH neutro e odeiam alemães*'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sg2hEoEbEdI/AAAAAAAAASw/y9oHylAca80/s72-c/DSCF2612.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4831511020978757716</id><published>2009-04-20T14:10:00.015+01:00</published><updated>2009-04-20T15:00:35.254+01:00</updated><title type='text'>Dubrovnik é mais bonito que Sintra e dá para andar de T-shirt e calções</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sintra tem palácios e castelos e muralhas e coisas antigas e bonitas. Dubrovnik também. Sintra é património da UNESCO. Dubrovnik também. Sintra é bonita. Dubrovnik também. Em Sintra chove e faz frio. Em Dubrovnik não.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5dY1sknI/AAAAAAAAARU/FhZK0QqJ6V8/s1600-h/SNC00244.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5dY1sknI/AAAAAAAAARU/FhZK0QqJ6V8/s200/SNC00244.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326766005063291506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Sintra fica à beira do Atlântico e das suas águas frias e agitadas. Dubrovnik e as suas ilhotas adjacentes encavalitam-se no Adriático e têm águas quentinhas e mais sossegadas que um cadáver durante a autópsia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;À chegada a Dubrovnik somos recebidos com as boas-vindas numa língua que ninguém entende: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Dobrodošli na Hrvatsku»&lt;/span&gt;. Não podia faltar, obviamente, aquele éssezinho irritante com um chapéu virado ao contrário. O mesmo que usam para pintar no chão antes das escolas primárias, para avisar o condutor para a proximidade de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«škola»&lt;/span&gt;. E, surpresa das surpresas, um magnífico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;slogan &lt;/span&gt;em inglês faz-nos saber que a Croácia é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«o Mediterrâneo como um dia já foi»&lt;/span&gt;. Uau, fantástico! Verdadeiramente surpreendente, tendo em conta que a Croácia é banhada pelo mar Adriático! (vá, vá, eu sei, o Adriático é parte do Mar Mediterrâneo, mas, que querem?, deu-me vontade de baralhar as referências… eu nasci na Papua e sempre me disseram que afinal era a Nova Guiné… não que eu alguma vez tivesse conhecido a Antiga Guiné…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única palavra relativamente perceptível na língua desta gente é «Torcida». É o nome que tem a claque de apoio do Hajduk Split, clube de futebol quase centenário de uma cidade que fica mais a norte e que tem uma impressionante milícia de apoiantes por estas bandas. Desde 1950 que a Torcida se chama «Torcida», essa palavra genuinamente croata.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5RTxHI6I/AAAAAAAAARM/ET9KaWrVaQs/s1600-h/SNC00258.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 190px; height: 143px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5RTxHI6I/AAAAAAAAARM/ET9KaWrVaQs/s320/SNC00258.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326765797543453602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dubrovnik é um sítio tão bonito que dá vontade de meter no bolso e levar para casa. Ou então de convencer o comendador Berardo a dar aqui um saltinho para negociar uma troca: nós ficamos com Dubrovnik, os croatas ficam com Sintra, o Fernando Seara, o hospital Fernando da Fonseca, o Cacém, Massamá, o IC19, o Cabo da Roca e uma série de terreolas com nomes lindíssimos como Abrunheira, Ranholas, Algueirão, Pêro Pinheiro, Arrentela, Rinchoa, Fitares, São Pedro de Penaferrim, São João das Lampas, Magoito e Monte Abraão. Pronto, eu sei, a Arrentela fica no concelho do Seixal, mas, bolas, que mal fazia dar-lhes o Seixal como presente nesta operação de charme? E no fim das contas eles que não se queixem porque ficam claramente a ganhar – toda a gente sonha, um dia, poder viver numa terra que tem uma rotunda do Ramalhão, a Casa do Preto e as queijadas e os travesseiros. E passeios de charretes puxadas por cavalos que fazem muito cocó no chão &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(para quando uma lei que obrigue os donos dos cavalos a apanhar as bostas que eles fazem no chão? Isso é que era de coragem)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dubrovnik é um local de gente doida que se veste aos quadradinhos da cabeça aos pés. &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(Uma questão: quadradinhos vermelhos sobre fundo branco dá quadradinhos vermelhos-e-brancos? Se sim, quais foram pintados primeiro?, os vermelhos sobre o branco ou os brancos sobre o vermelho? Se não, então por que raio se diz que o F.C. Porto equipa às riscas azuis-e-brancas?)&lt;/span&gt;. Até as crianças, pobres crianças, andam na rua vestidas como o Boavista debotado. Mas é, na verdade, um sítio tão bonito que dá vontade de visitar e nunca mais parar, motivo pelo qual eu ainda aqui estou e não me apetece ir embora. Alguém fez a maldade de contratar uma visita guiada ao centro histórico e eu lá fui, claro, sob a ameaça de ser vendido como escravo para satisfação pessoal dos netos do Slobodan Milošević.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5nUG18-I/AAAAAAAAARc/kno7_g_2Fas/s1600-h/SNC00250.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5nUG18-I/AAAAAAAAARc/kno7_g_2Fas/s200/SNC00250.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326766175591724002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«O centro histórico»&lt;/span&gt; – começou por explicar a senhora, com o seu magnífico sotaque de quem esteve pelo menos três vezes em Alfeizerão, debaixo de um reluzente bigode arranjadinho, enquanto apontava para uma planta da cidade – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«foi uma das partes de Dubrovnik mais fustigada pela artilharia durante a guerra»&lt;/span&gt;. Qual guerra? Mas como é que alguém, algum dia, se lembrou de fazer guerras num sítio como este, onde só apetece mergulhar no mar e nadar sem parar até conhecer, uma-por-uma, todas as ilhas do istmo? Pelos vistos houve quem se tivesse lembrado e não foram poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente houve aqui uma guerra no início dos anos 90. Não sei como, escapou-me. Não dei por ela. Se calhar porque na altura eu estava a viver como um ermita juntamente com os pandas neo-zelandeses numa gruta das florestas de Hamilton e, como tal, não havia televisão. Mas houve aqui guerra. Dubrovnik forma uma península que é, no fundo, um enclave entre a Bósnia Herzegovina e o Montenegro (que fica do lado de lá de uns montes que são bem branquinhos, mas tudo bem). Como na altura toda a gente queria ser independente da federação jugoslava (incluindo os próprios sérvios, se bem que nunca admitiram), a Sérvia, dirigida por essa simpática e bondosa figura de seu nome Slobodan Milošević, pediu aos amiguinhos montenegrinos, chefiados pelo Momir Bulatović, que avisassem os habitantes de Dubrovnik para tirar o cavalinho da chuva, porque a cidade é um ponto de comércio demasiado importante para fugir às mãos dos gananciosos. Como os croatas lhes fizeram um manguito que deixaria orgulhoso o Jesualdo Ferreira, vai daí os sérvios mandaram o exército popular da Jugoslávia (sérvio, basicamente) disparar contra tudo o que mexesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sérvios, gente perfeitamente plural e justa, com um profundo conhecimento de estratégia militar, escolheram minuciosamente os seus alvos: centenas de obuses atingiram as muralhas da cidade, que, sendo medieval e bem construída, resistiu a tudo; um barco de pesca atracado na marina ficou feito em cacos, atingido por quatro projécteis de artilharia marítima, certamente porque os anzóis e as redes que tinha a bordo eram perigosíssimo material bélico; um MIG-21 sobrevoou dois pares de vezes uma irrequieta cruz de pedra situada no topo das montanhas adjacentes… e de todas as vezes que disparou, falhou rotundamente, de modo que o ostensivo símbolo católico lá continua a servir de provocação; o topo do edifício que hoje serve de hotel Hilton Imperial foi atingido e incendiado, uma decisão extremamente inteligente tendo em conta que, nessa altura, o prédio estava em reconstrução e não havia lá ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo foi assim, perfeitamente ridículo. Infelizmente, houve coisas mais sérias e uns quantos civis foram mortos, se bem que nessa altura era difícil usar a palavra «civil», porque basicamente todos os habitantes de Dubrovnik, das senhoras da lota aos residentes do centro de dia, empunhavam uma AK-47 para repelir o opressor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há que dar um abraço de solidariedade a esta gente de Dubronvik, sabem? Resistem a tudo. Nem sequer havia um exército na cidade, e no entanto repeliram o inimigo. No século XVII resistiram ao Napoleão e às três mil balas de canhão que foram disparadas contra a cidade. Em 1667 houve um terramoto, mas resistiu toda a gente com excepção dos cinco mil que morreram. E, mais incrível que isto tudo, em 1545 a cidade resistiu, com enorme coragem e determinação, ao calvário de ter que acolher centenas e centenas de judeus refugiados de Portugal e Espanha. Se já é difícil lidar com judeus, imagine com judeus que são espanhóis. Que inferno…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guia turística lá prosseguiu a sua prelecção sobre os acontecimentos da guerra, o sítio onde as bombas caíram e o espectáculo que foram os croatas, tanto os que se defenderam do inimigo com facas de cozinha, fisgas, inoculadores de asma e borrifadores de Ajax multisuperfícies, mas também os que depois reconstruíram a cidade antiga tal-e-qual como ela era, de maneira que hoje está tudo intacto, lindo, impecável, perfeito para agradar aos senhores da UNESCO. Fico tão impressionado com a reconstrução que:&lt;br /&gt;1) desconfio que não houve guerra nenhuma e alguém me está a tentar enganar;&lt;br /&gt;2) o governo grego devia fazer uma visitinha a estes senhores para perceber como pode ter as obras de restauro do Parthénon prontas antes da vindima;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5u3NmKjI/AAAAAAAAARk/wJHQ0tlRhEg/s1600-h/SNC00265.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5u3NmKjI/AAAAAAAAARk/wJHQ0tlRhEg/s200/SNC00265.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326766305274374706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Uma das formas mais divertidas e originais que os dubrovniquianos &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(ou dubrovniquenses? Ou dubrovnicos, simplesmente?)&lt;/span&gt; encontraram para colorir o processo de reconstrução da cidade foi pintar símbolos do Hajduk Split por todo o lado. O quartel dos bombeiros tem um (gigante), o posto dos correios também e as casinhas que servem de albergue às caixas ATM têm vermelho aos quadradinhos e faixas azul-e-vermelho a identificar a tal «Torcida». Cheguei a pensar que o Hajduk Split era, também, uma cadeia de bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena vir a Dubrovnik e ficar por aqui. Engolir golfadas de ar puro e gastar os olhos com o reflexo do sol nas águas do Adriático. Mergulhar os braços e apanhar ouriços-do-mar. Comer um gelado na esplanada do centro histórico, enquanto pensamos por que raio a porta de entrada se chamará &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Pila»&lt;/span&gt;. Não existem charretes como em Sintra, mas, vendo pelo lado positivo, não precisamos de trazer a gabardine nem andar sempre a olhar para o chão para evitar pisar cocó.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4831511020978757716?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4831511020978757716/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4831511020978757716' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4831511020978757716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4831511020978757716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/04/dubrovnik-e-mais-bonito-que-sintra-e-da.html' title='Dubrovnik é mais bonito que Sintra e dá para andar de T-shirt e calções'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sex5dY1sknI/AAAAAAAAARU/FhZK0QqJ6V8/s72-c/SNC00244.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6327929315543057375</id><published>2009-04-08T12:48:00.016+01:00</published><updated>2009-04-08T18:26:36.970+01:00</updated><title type='text'>Eu cá gosto quando me servem uma cerveja que é mais alta que a Carolina Patrocínio</title><content type='html'>Munique é aquela cidade famosa na Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Famosa por causa daquele clube que tem uma estranha predilecção de esmagar os clubes de futebol de Lisboa com festivais de golos (sim, sim, ou os benfiquistas têm memória curta e esquecem-se que também já sucumbiram aos pés do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Kataklinsmann»&lt;/span&gt;?), famosa por ter a sede de uma das marcas de automóveis preferidas dos construtores civis e famosa por ter uns santos populares em Outubro em que dezenas de canecas de cerveja se enfiam teimosamente em generosos braços de senhoras de tranças e bigodes maiores que o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzXQCr8ffI/AAAAAAAAAQ8/7HrjXeFf9qU/s1600-h/DSCF4369.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 239px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzXQCr8ffI/AAAAAAAAAQ8/7HrjXeFf9qU/s320/DSCF4369.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322365530244152818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Infelizmente, Munique é também uma cidade famosa por estar cheia de alemães. Isto até podia nem ser um problema, se os alemães cheirassem bem, se não tivessem a desagradável tentação de comprar as roupas com as cores mais bizarras que encontram e se falassem uma língua minimamente compreensível.  O meu conhecimento do idioma deles é limitado. De resto, o meu conhecimento de qualquer idioma que seja é limitado a um nível próximo da inutilidade. Estas palavras só estão neste blogue porque me emprestaram uma máquina que converte aquilo que eu grunho em palavras escritas. E, mesmo assim, de quinze em quinze segundos dá um apito irritante e diz: [imaginar voz de robot] &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«beeeeeeepppp! essa palavra não existe!»&lt;/span&gt; [parar de imaginar voz de robot]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sei de língua alemã chega para muito pouco: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«guten morgen»&lt;/span&gt;, para dar a ideia que estou feliz porque está uma linda manhã, mesmo quando é de noite; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«danke schön»&lt;/span&gt;, para parecer educado e inteligente; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«auf wiedersehen»&lt;/span&gt;, que uso com frequência sempre que pressinto que vou conseguir sair rapidamente daquele país; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«eine bier, bitte»&lt;/span&gt;, a expressão mais importante de todas, que quando corre bem tem como resultado prático porem-me uma cerveja à frente dos beiços. Da última vez que usei esta frase fiquei extraordinariamente feliz: primeiro, porque a menina a quem eu pedi a cerveja - que parecia o maestro Vitorino de Almeida vestido de padeira austríaca - percebeu à primeira e até sorriu; e, segundo, porque esta foi a primeira vez em 7432 idas a Munique em que não estava a chover torrencialmente ou a nevar. E olhem que eu já tentei ir em Agosto e, mesmo assim, choveu durante 72 horas. Ininterruptamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que chega, então, uma cerveja. Fresquíssima, com borbulhas lindas, com um grande bigode de espuma e muito loira. Parecia quase a Marisa Cruz. E parecia, sobretudo, porque era grande, muito grande. E estava dentro do maior copo de imperial que eu já vi na vida. Uma cerveja que, na sua esplendorosa totalidade, era mais alta que a Carolina Patrocínio*. Fantástico. Era mesmo o que me estava a apetecer, porque, na verdade, não há mais nada de jeito para fazer em Munique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;* - é que eu já estive ao lado &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;da Carolina Patrocíno. Quer dizer... disseram-me que tinha estado ao lado dela. É que eu espreitei, espreitei, olhei para baixo, mas ela é tão pequenina que ficou tapada pelos meus joelhos. Mas dizem que tem um rabinho, ui, ui...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me disseram que alguém estava a combinar uma visita ao centro histórico da cidade, acompanhado de guia turístico, torci o nariz. Torci o nariz, porque nesse momento estava a tentar enfiar toda a minha cabeça biónica dentro do copo de cerveja e o meu nariz, que é feito numa mistura de carbono e kevlar, estava todo torto. E depois porque não me parecia uma boa ideia trocar as melhores loiras que eu já vi na vida por um passeio numa cidade alemã. Todavia, sob a ameaça de divulgação às autoridades da minha posição geográfica no planeta** e a ameaça de porrada, lá tive que engolir a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pilsner &lt;/span&gt;à pressa e ir com o resto da manada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzW7ntmG2I/AAAAAAAAAQ0/gxYEE5M0qek/s1600-h/DSCF4519.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 171px; height: 228px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzW7ntmG2I/AAAAAAAAAQ0/gxYEE5M0qek/s320/DSCF4519.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322365179405933410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;** - para quem não sabe, eu ando foragido à justiça desde que roubei uma arca com beringelas de ouro m&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;aciço em Vanuatu. Fui interceptado quando tentava trocá-las por discos do An&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tónio Variações na casa do Benfica do Luxemburgo, mas consegui fugir pela porta dos fundos com a conivência do polícia de serviço, que foi meu companheiro de beliche durante a invasão de Samarkanda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente de uma guia turística juntou-se um numeroso grupo de pessoas. Dois americanos, uma dinamarquesa, cento-e-oitenta-e-três japoneses e uns dois ou três espanhóis. Os espanhóis perderam-se ao final de duas esquinas, felizmente. Os japoneses fizeram o trajecto todo, infelizmente. A guia turística era uma simpatia e falava inglês. Tinha uma voz quase tão irritante como a daquela moça que apresenta um programa de TV com o Goucha, mas era, na verdade, muito simpática. Tinha uns óculos que a faziam ter um ar inteligente. Unhas pintadas, bem arranjadas. Camisa de seda impecavelmente passada. Manchas de suor nos sovacos como se fosse o Camacho. No fim, recebeu palmas dos japoneses e ficou emocionada. Ao meu lado estava uma japonesa que não parava de rir. Formosa, fofa. Com sorriso singelo, fofo. Tinha um cabelo preto, longo, bonito, fofo. Afinal, era um japonês. Fofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos altos da visita guiada à cidade é ficar uns minutos - algures entre dois e três minutos, o que para mim é uma eternidade - à frente do edifício da antiga catedral à espera que bata as quatro da tarde para se ver um espectáculo inolvidável. Uns bonequinhos mais ou menos apessoados andam para a frente e para trás, batem com as canecas umas nas outras e fingem que estão a dançar, ao som de uma cacofónica melodia dos sinos. Miserável espectáculo e milhares de pessoas a ver. E a bater palmas. Quer dizer, os japoneses batiam palmas. A tudo, basicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzWiyk-7-I/AAAAAAAAAQs/VjGHxZXukXg/s1600-h/DSCF4390.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 246px; height: 184px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzWiyk-7-I/AAAAAAAAAQs/VjGHxZXukXg/s320/DSCF4390.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322364752825872354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das japonesas sentiu-se mal e deu-lhe assim um fanico tipo desmaio. A guia turística, acompanhada da sua voz perturbante para qualquer sistema nervoso, acudiu, abanou uma tímida brisa de ar com a mão direita e exclamou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«desculpem! É que estamos a atravessar uma vaga de calor!»&lt;/span&gt;. Amiga... olha bem para mim: estou de casaco e cachecol. Não calcei as luvas por vergonha, mas fiz questão de colocar dois pares de meias entre os pés e os sapatos. Estão 11 graus. Em nenhum lugar do mundo com excepção da Gronelândia, do Alasca e da Serra de Sintra esta temperatura se qualificaria como «vaga de calor». E no entanto, os muniquenses (ou serão «municos»? ou «muníacos»? ou «muniscos»?) andam na rua como se alguém tivesse rebocado o calor das Bahamas até ao sul da Alemanha. Como quase toda a gente anda de bicicleta, é ver os rapazes de calção e chinela, as meninas de mini-saia e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tops &lt;/span&gt;com quase tudo de fora, os rapazes que são meninas também de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;top &lt;/span&gt;mas numas cores assim rosa-choc e verde fluorescente e flores no cabelo e fitas com arco-íris e tudo muito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;, muito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor de Munique foi o que descobri, sem querer, enquanto andava perdido a tentar encontrar o Schweinsteigger para lhe dar com uma cadeira no focinho. A uma meia hora de caminho do centro de Munique (45 minutos, se for um Fiat, uma hora e dez, se for de pasteleira, duas horas e meia, se for a pé) fica um memorial. Mais concretamente, um memorial sobre o Holocausto, feito a partir do campo de concentração de Dachau. Isto é, o campo de concentração propriamente dito, transformado num museu, que todos podem visitar. Eu decidi visitar e, como bom parvo que sou, entrei cheio de moral e a fazer piadinhas parvas sobre judeus, férias e hotéis de cinco estrelas. Bastaram cinco minutos lá dentro para perder a vontade de rir e 40 minutos de visita, com passagem pelas câmaras de gás (que foram mantidas intactas, mas sem bicos de gás), para ficar mais enjoado do que se tivesse comido favas à transmontana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzX0CNH8yI/AAAAAAAAARE/KcQTp4ODGWE/s1600-h/DSC03931.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 178px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzX0CNH8yI/AAAAAAAAARE/KcQTp4ODGWE/s320/DSC03931.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322366148590170914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Peço desculpa pelo teor sério destas últimas linhas, mas é que aquele sítio impressiona mesmo. Demorei uns quatro minutos a recompor-me. O memorial de Dachau é a prova de que os alemães, apesar de tudo, não têm vergonha do passado, pelo menos não o suficiente para se esconderem e assobiarem para o lado a fingir que não foi nada com eles. Também não têm orgulho nisso e, sempre que podem, evitam falar no Holocausto. Mas sabem o que os antepassados andaram a fazer e alguns deles lamentam que tenha sido assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por causa disso, tiro-lhes o meu chapéu. Mas a seguir ponho-o logo na cabeça outra vez, que está frio...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6327929315543057375?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6327929315543057375/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6327929315543057375' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6327929315543057375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6327929315543057375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/04/eu-ca-gosto-quando-me-servem-uma.html' title='Eu cá gosto quando me servem uma cerveja que é mais alta que a Carolina Patrocínio'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SdzXQCr8ffI/AAAAAAAAAQ8/7HrjXeFf9qU/s72-c/DSCF4369.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-9071683790598475903</id><published>2009-03-12T10:07:00.006Z</published><updated>2009-03-13T13:42:56.723Z</updated><title type='text'>Na Suíça há queijo com buracos, chocolates e gente a falar línguas esquisitas, incluindo português</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sbjv4FRe6WI/AAAAAAAAAQk/dmPCu6K139o/s1600-h/interlaken1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312259507250719074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sbjv4FRe6WI/AAAAAAAAAQk/dmPCu6K139o/s320/interlaken1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Suíça é bem capaz de ser o país mais arranjadinho da Europa. Quase tão arrumadinho como a Áustria, um pouco menos arranjadinho que a Brandoa e tão limpinho como uma praia brasileira às sete da manhã. Aliás, a limpeza é sílaba tónica: dá a ideia que, se alguém deitar um papel de rebuçado para o chão, aparece logo alguém atrás a limpar. De tal modo que um cidadão suíço teria um colapso cardíaco se fosse a Torres Vedras a seguir ao carnaval e visse a quantidade de porcaria que fica espalhada no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma suspeita curiosa: os suíços, se calhar, não existem. Os suíços que vivem na Suíça são, essencialmente, franceses, alemães ou italianos. Nada mais ridículo para uma nação soberana eternamente elogiada pela sua irritante neutralidade. Conheci vários cidadãos com passaporte suíço: um que era francês, mas tinha negócios na Suíça; outro que era inglês, mas trabalhava na Suíça; outro que era suíço, mas vivia em França. Porquê? Porque o custo de vida para lá da porta de Anemasse, que faz a fronteira entre a periferia de Genebra e uma França muito rural, é bem menor do que viver nos limites urbanos. Paga-se metade do preço do aluguer das casas e ainda se consegue ter uma vivenda em madeira pré-fabricada. E além disso, chegar ao centro da cidade para ir trabalhar demora uns 20 minutos, porque a Suíça pode muito bem ser do tamanho de um dedal, mas tem um sistema de transportes públicos extraordinário.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;* a sério que tem. Para ir para qualquer lado apanha-se um «tram», que no fundo é a versão eficiente dos eléctricos de Lisboa, ou então um comboio. São rápidos e silenciosos, são confortáveis, aclimatizados e há sempre lugar para sentar, mesmo estando cheios de gente cujas conversas não entendo. E nunca se apanha um revisor a clicar irritantemente o obliterador. Em qualquer um há sempre jornais gratuitos para ler, o que seria excelente se eu soubesse ler em línguas estrangeiras. Aliás, seria excelente se eu soubesse ler de todo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se gente a falar idiomas incompreensíveis. Incluindo o português. Tentei perguntar que comboio se apanhava para o aeroporto e escolhi um indivíduo com um farto e desalinhado bigode, amarelo na parte de baixo, queimado de tanto tabaco. Motivo óbvio: era português. Mas mesmo assim não percebi patavina do que ele disse: &lt;em&gt;«u xenhôre vei puracolá, sobe nas escaliéres rullants e vire a droite... faça atençon, pruque nas linhes 'hã' ê 'dô' estão entrãn de devlopar uns traválhes e é melhor ir pur a linhe truá»&lt;/em&gt;. Ficaram na mesma? Eu fiquei. Mas no meu caso é compreensível porque o meu processador interno tem um desempenho miserável do ponto de vista cognitivo, especialmente porque tem um sistema operativo feito em Banguecoque e não consegue entender dialectos ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é um Suíço, afinal? E que língua fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o suíço, ao que parece, é um queijo. «Tem mais buracos que um queijo suíço», costumo ouvir. Pois devo dizer que não vi um único queijo na Suíça que tivesse buracos. O das racletes, por exemplo, vem assim espesso, espesso, quentinho, derretidinho, e buracos é coisa que não tem. Depois mudei de ideias, porque me disseram que o suíço, afinal, é um chocolate. Ok, parece fazer sentido. Há anúncios de televisão que dizem «a excelência do chocolate suíço». Mas, caramba, o chocolate suíço chama-se Milka. Ainda pensei que fosse aquele rapaz amaricado que canta umas músicas com uma voz muito fininha como se lhe estivessem a prender as alças das cuecas pelos ombros, mas não. Esse é o Mika, tem como nome próprio Mica Penniman (o homem que gosta de pénis, portanto, perfeitamente apropriado), nasceu no Líbano e vive em Londres. Milka é, portanto, uma mulher. Logo, não é o verdadeiro suíço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, o verdadeiro suíço é uma mistura de várias origens. Conheci um suíço a quem tentei questionar para desbloquear o mistério:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Mas tu és suíço?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Sou.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- E nascescte onde?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Em Antuérpia.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Boa. Obrigado. Muito mais esclarecido...)&lt;br /&gt;- Então mas como é que vieste parar à Suíça?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- A minha mãe era de Lausanne, o meu pai belga. Vim para cá aos 2 anos. Falo muito pouco de flamenco.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Então, mas se és suíço, falas o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Francês.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- OK, e...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- (interrompendo) ...e alemão. E italiano. E um bocadinho de flamenco, como já disse.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Mau... vou pôr a coisa noutros termos: os suíços a sério, falam o quê?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- «Swissgerman». Ou «Swissromand».&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Bolas, mas o que é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- É um idioma. Um dialecto, talvez. Só os suíços é que percebem e, mesmo assim, nem todos os suíços.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Mas é alemão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Não. É suíço-alemão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Olha, e se fosses para o raio que te parta?!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem os suíços se entendem uns aos outros. Este rapaz vive perto de Genebra, tem família em Interlaken, uma avó em Ticcino e um primo em Thun. Os Natais devem ser engraçados: tudo à mesma mesa, comida com fartura, e ninguém entende uma palavra do que os outros dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá, e vocês, suíços, no futebol são uma nódoa, não é? Assim para o fraquinho.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Bom, no Europeu, que foi aqui na Suíça, por acaso ganhámos a Portugal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Hum... mudando de assunto, aqui qual é o desporto nacional?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Ski.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como? Isso não é desporto, é férias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Não é não. É um desporto e toda a gente conhece os campeões.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Mas como é que acabaram a gostar de Ski?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Olha à volta: por todo o lado há montanhas. Há miúdos que começam a calçar os skis antes de saberem andar. Não achas natural que dê grandes campeões?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Começas a irritar-me seriamente...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse olhos e não estes implantes gelatinosos de plasma que me colocaram depois de escavacar as órbitas durante os bombardeamentos do Líbano, teria sido capaz de ver que a Suíça está toda entalada no meio de montanhas. Bonito, segundo dizem. Tem 26 cantões (que devem ser umas esquinas gigantes) e 7,7 milhões de habitantes. Muitos portugueses, mas infelizmente nenhum suíço de gema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Afinal, os verdadeiros suíços devem ser os relógios. Ou os canivetes.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-9071683790598475903?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/9071683790598475903/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=9071683790598475903' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9071683790598475903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9071683790598475903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/03/na-suica-ha-queijo-com-buracos.html' title='Na Suíça há queijo com buracos, chocolates e gente a falar línguas esquisitas, incluindo português'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/Sbjv4FRe6WI/AAAAAAAAAQk/dmPCu6K139o/s72-c/interlaken1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-7425364325290434764</id><published>2009-02-25T11:52:00.003Z</published><updated>2009-02-25T12:19:21.363Z</updated><title type='text'>O carnaval nas Caldas da Rainha é o mais brejeiro do Mundo. Quem sabe, até, de Portugal</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fantásticos, estes últimos dias. Pessoas aos magotes na rua, grandes sorrisos, até uma simpatia que desconhecia existir. À noite, a grande loucura do futebol. Está-se bem em Londres. Só uma má notícia: o meu enviado-especial ao carnaval das Caldas disse-me que esteve um dia vestido à Verão. Pena. Porque parece que o carnaval das Caldas foi a brejeirice do costume...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DO NOSSO ENVIADO-ESPECIAL AO CARNAVAL DAS CALDAS,&lt;br /&gt;Edgar Varejeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(melhora depressa, &lt;em&gt;man&lt;/em&gt;... se os danos psicológicos provocados por este carnaval to permitirem...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«As frivolidades brejeiras do Carnaval das Caldas da Rainha começaram por volta das três horas da tarde. A criançada inocente e parola aperaltava-se para aquele que seria o ponto alto do dia: a parada das dez ou mais viaturas apetrechadas de símbolos fálicos – alguns mecânicos, outros operados pelas criaturas de indumentárias bizarras – que encarnam o historial do pénis de loiça da localidade supracitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SaU3E0xEnYI/AAAAAAAAAQU/7YAC_9d_Dic/s1600-h/548487.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306708291949469058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SaU3E0xEnYI/AAAAAAAAAQU/7YAC_9d_Dic/s200/548487.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Com as gentes esclarecidas e assalariadas reunidas na praça principal, o “entertainer” da rádio regional invocou a presença da rainha do Carnaval, Merche Romero, para dar início ao desfile. Ao meu lado, uma idosa criatura sorridente de seus setentas ostentava uma bandelete com dois pénis. Nas colunas espalhadas pela avenida e praça principal, as membranas vibravam ao ritmo do também-tradicional-das-Caldas samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfile começara. Uma mãe e seus dois rebentos repastavam-se com Danoninhos na praça quadrada, enquanto os balões de água acertavam, em catadupa, na Rainha do Carnaval e seus Reis. E o povo rejubilava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre as divertidas e satíricas alusões prosadas sobre José Sócrates, Oliveira e Costa e o Magalhães, constavam novas palavras, frutos do acordo gramatical com a sociedade de Riquexó-de-Baixo. As crianças, essas, sorriam. A meus olhos - lavados em lágrimas da emoção que se me apoderou de assistir a tamanhas coreografias, frutos do treino árduo dos cinco minutos anteriores ao desfile – circulavam as gentes pequenas, das escolinhas adjacentes. Cheias de vivacidade, saltitavam com os seus pequenos computadores Magalhães, cada um com o seu pénis ilustrado na tampa do dito dispositivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou o desfile, o apreço do “entertainer” pela Rainha foi ouvido por todos os presentes. “Tu merches comigo, Merche”, dizia o jocoso amigo da brincadeira. O povo, esse, ria, e o brilho nos olhos dos locais garantia uma, e uma só certeza: para o ano, a comparência está garantida.»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Certas e determinadas pessoas deviam ser proibidas de sair à rua. Proibidas de existir, até. Ou então entregavam as Caldas da Rainha à jurisdição autónoma dos Açores. Isso é que havia de ser um carnaval...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-7425364325290434764?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/7425364325290434764/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=7425364325290434764' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7425364325290434764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7425364325290434764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/02/o-carnaval-nas-caldas-da-rainha-e-o.html' title='O carnaval nas Caldas da Rainha é o mais brejeiro do Mundo. Quem sabe, até, de Portugal'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SaU3E0xEnYI/AAAAAAAAAQU/7YAC_9d_Dic/s72-c/548487.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-532713061548216694</id><published>2009-02-18T10:32:00.006Z</published><updated>2009-02-18T11:36:54.324Z</updated><title type='text'>O carnaval de Loulé é estúpido. Mesmo assim, um bocadinho menos estúpido que os outros</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Excelentes notícias para este carnaval!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As companhias &lt;em&gt;low-cost&lt;/em&gt; estão a fazer umas promoções bestiais para alguns destinos na Europa, o que significa que, para mim, fugir para uma cidade qualquer onde nem sequer saibam o que é o carnaval vai sair-me mais barato do que ir a Loulé assistir às festividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A actriz Vitória Guerra, natural de Loulé e imensamente popular pelos seus desempenhos em produções televisivas portuguesas, vai ser a estrela do carnaval louletano, onde, segundo o &lt;a href="http://algarvepressnews.blogspot.com/"&gt;Algarvepressnews&lt;/a&gt;, a Vitória vai ter oportunidade de irradiar os esperados 100 mil visitantes com a sua estonteante beleza. Infelizmente, eu não sei quem é a Vitória Guerra, mas espero - muito, mas muito sinceramente - que não seja a menina que aparece nesta foto de divulgação do carnaval de Loulé. Quanto mais não seja porque esta menina que aparece na imagem tem, digamos, um pénis debaixo daquela tanga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SZvxkzHTtGI/AAAAAAAAAQA/q9aj3h3s848/s1600-h/CML_Carnaval_de_Loul%25C3%25A9_(2).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304098600657335394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SZvxkzHTtGI/AAAAAAAAAQA/q9aj3h3s848/s400/CML_Carnaval_de_Loul%25C3%25A9_(2).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O tema do carnaval de Loulé é, este ano, &lt;em&gt;«Alegria, Natureza e Carnaval».&lt;/em&gt; Bom, tendo em conta que um dos convidados especiais para animar a malta (sobretudo as crianças - as mais novas e as crianças adultas) é o Avô Cantigas, compreendo que estejam reunidas condições para haver «Alegria». Quem nunca gingou ao som do Fantasminha Brincalhão? Quem nunca trauteou a música do &lt;em&gt;«Eu sou o avô cantigas, todas as crianças são minhas amigas...»&lt;/em&gt; o dia todo porque, infelizmente, é daquelas canções que se cola ao fundo do cérebro e não &lt;em&gt;«deslarga»&lt;/em&gt;... Já quanto à parte de «Natureza», não compreendo bem como se adapta. Até porque o Avô Cantigas, como toda a gente sabe, é falso. Não é um avô a sério. Não cheira a naftalina nem usa ceroulas. É um rapaz novo que se mascara para parecer avô. A única coisa verdadeira que tem é o bigode e, mesmo assim, esse aguenta-se com laca. Mas tendo em conta que o Carlos Vidal se mascara de Avô Cantigas, então está garantida a parte de «Carnaval».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente vai haver tanta coisa para ver e fazer durante o carnaval de Loulé que ninguém vai ter mãos a medir. Os habitantes de Loulé, por exemplo, já estão a fazer as malas para se porem ao fresco o mais rápido que conseguirem, para fugirem à horda de idiotas que vai entupir o trânsito, encher as ruas de lixo e esgotar o &lt;em&gt;stock&lt;/em&gt; de cerveja e tremoço dos cafés. Segundo a apresentação feita pelo Algarvepressnews, vai haver &lt;em&gt;«gigantones, cabeçudos, grupos de animação, a Escola de Samba da Abrigada e as bailarinas brasileiras com os corpos pintados e o samba no pé»&lt;/em&gt;. E com pêlos nas pernas e bigodes fartos, acrescento eu. E com frio, acrescento eu outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estonteante total de 17 carros alegóricos irá desfilar na Avenida José da Costa Mealha* desafiando a sátira social com o tema &lt;em&gt;«um animal em vias de extinção: o Homem».&lt;/em&gt; Bolas, não tinha ideia... não sabia que o Homem era um animal em vias de exitnção. Se calhar era importante pegar numa série de louletanos e fechá-los em habitat controlado para se reproduzirem. Só homens. Vá, homens e o lince da Malcata, todos no mesmo ambiente controlado, assim de uns 12 metros quadrados. Aposto que ganhava um louletano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* coitado do José da Costa Mealha... deve andar às voltas na tumba. Mal sabia ele que tudo o que fez pelo município e pelas suas gentes acabaria a ser espezinhado por um ridículo corso carnavalesco... para quem não sabe, foi ele que pagou, do próprio bolso, a avenida por onde passa o desfile e que hoje tem o seu nome. Foram 15 contos de reis na altura. Era muito dinheiro. O sufuciente para comer chocos à algarvia durante 75 anos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vai haver um baile com concurso de máscaras, marcado para 21 de Fevereiro às 21h30 no Convento de Santo António. Dada a localização, seria previsível que fosse um desfile das melhores máscaras de monges e freiras, com claro favoritismo para uma vitória de Miguel Ângelo, dos Delfins. Mas não. Aparentemente, será um concurso para quem for mascarado de super-herói, o que significa que têm inscrição assegurada todos os que forem mascarados de Homem-Aranha, Batman, Superman, Lara Croft, Professor Bambo, Mantorras, Valentino Rossi, Manuela Ferreira Leite, Emplastro, Toy, Valentim Loureiro e talvez até daquele moço que é presidente do Comité Olímpico Português, o Vicente Moura, que, para além de ser um clone do Padre Melícias, é também um verdadeiro herói por ter suportado praticamente sobre os seus próprios ombros a desgraça que foi a representação olímpica portuguesa em Pequim. Pobre mártir. Doeu quase tanto quanto aos testículos do Martim Moniz quando se deixou entalar nas portas de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honra às coisas boas que tem este ridículo carnavalinho português: as receitas do carnaval de Loulé revertem para a Santa Casa de Misericórdia. Ainda bem. Uma atitude inteligente no meio disto tudo. Até porque a Santa Casa tem gasto uma fortuna para manter a funcionar aquele abrigo anti-nuclear onde a Maddie está escondida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-532713061548216694?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/532713061548216694/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=532713061548216694' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/532713061548216694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/532713061548216694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/02/o-carnaval-de-loule-e-estupido-mesmo.html' title='O carnaval de Loulé é estúpido. Mesmo assim, um bocadinho menos estúpido que os outros'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SZvxkzHTtGI/AAAAAAAAAQA/q9aj3h3s848/s72-c/CML_Carnaval_de_Loul%25C3%25A9_(2).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8684093922585746505</id><published>2009-01-21T14:28:00.005Z</published><updated>2009-01-21T16:42:38.152Z</updated><title type='text'>Os gajos que falam mal dos gajos que falam mal do carnaval são parvos</title><content type='html'>Esta malta não tem emenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem mal por tudo e por nada, sem qualquer conhecimento de causa. Eu sei o que digo, porque eu digo mal de tudo e de nada e não costumo saber patavina do que estou a falar. Mas, normalmente, digo mal porque me apetece. E parece-me um bom motivo para dizer mal do que quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SXc0kiCZYSI/AAAAAAAAAPw/eQZZmXB050g/s1600-h/106497562_6cb7dbfc36.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293757689214099746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SXc0kiCZYSI/AAAAAAAAAPw/eQZZmXB050g/s200/106497562_6cb7dbfc36.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O carnaval é parvo. Porquê? Porque me apetece. Alguma coisa contra? É favor dizer mal, então. É para isso que este espaço serve. Para isso e para a cura do hemorroidal, porque parece que foram descobertas propriedades altamente laxativas neste espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras é ainda mais parvo, por gostar de se considerar a si mesmo o carnaval mais português de Portugal. A simples existência de um carnaval em Portugal já é suficientemente parva para se pensar numa qualquer tradição relacionada com isso. Se o carnaval fosse bom, as pessoas realmente interessantes deste país (as únicas duas, portanto) aderiam, mascaravam-se e brincavam ao carnaval. Se o carnaval fosse giro, o Carlos Castro mascarava-se. Se o carnaval tivesse algum interesse, não era vivido tão intensamente apenas pelas crianças (as crianças que são crianças e as crianças que são adultas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em &lt;a href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;amp;postID=9080535303310250405"&gt;resposta ao senhor anónimo&lt;/a&gt; que deixou um extenso comentário que só consegui acabar de ler depois de adormecer duas vezes a meio, aqui fica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;1 - O senhor sabe daquilo que fala ?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;R: Obviamente que não, caso contrário estaria a escrever colunas de opinião no Expresso. Ou na TV Guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;2 - O senhor já alguma vez esteve no Carnaval de Torres Vedras ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;R: Obviamente que não. Eu nem sei onde fica Torres Vedras. Eu nunca saí da Arrentela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;3- Porque criticar o Carnaval de Torres edição de 2009, visto que esta ainda nem sequer foi realizada ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;R: Porque, a exemplo do carnaval de Torres edição de 2008 e do carnaval de Torres edição 2010, vai ser um carnaval feito em Torres Vedras. Parece-me suficientemente mau para ser criticável. Além disso, a organização do carnaval de Ovar paga-me 1500 euros para eu dizer mal do carnaval de Torres Vedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;4- Têm alguma coisa contra os torrenses ou mais propriamente contra o povo PORTUGUÊS ?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;R: Claro que tenho. Eu tenho sempre qualquer coisa contra qualquer povo. Ou contra qualquer coisa. Eu sou do contra. E não, eu não sou maluco. De vez em quando ouço vozes que me dizem que não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;5- Segundo o que me dá a entender o Sr. é brasileiro, tem alguma coisa contra os PORTUGUESES ?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;R: Segundo o que me dá a entender, o Sr. está enganado. Tenho tanta coisa contra os brasileiros como contra os portugueses, com a diferença de que tenho mais contra os brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou de uma ilha do Pacífico onde o carnaval mais frequente acontece quando uma onda gigante cresce do oceano para engolir o que resta desta ilha. Se quiser venha até cá, eu mascaro-o de menina do Tahiti e ponho-o num quadro do Gaugin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;Elvis Presley&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8684093922585746505?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8684093922585746505/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8684093922585746505' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8684093922585746505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8684093922585746505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/os-gajos-que-falam-mal-dos-gajos-que.html' title='Os gajos que falam mal dos gajos que falam mal do carnaval são parvos'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SXc0kiCZYSI/AAAAAAAAAPw/eQZZmXB050g/s72-c/106497562_6cb7dbfc36.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4978346280662967400</id><published>2009-01-14T13:59:00.006Z</published><updated>2009-01-14T14:47:36.522Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carnaval ovar; ovário; estupidez; carlos castro(sempre ele)'/><title type='text'>O carnaval de Ovar é tão estúpido quanto o de Torres Vedras</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vou enviar uma missiva ao Presidente da República a lembrá-lo daquele velho projecto que ele teve em tempos de acabar com o feriado do carnaval... era um primeiro passo para aumentar a produtividade nacional e resolver a crise...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW311IFBVoI/AAAAAAAAAPQ/hZEI8opU6wA/s1600-h/ovar2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291155430280615554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW311IFBVoI/AAAAAAAAAPQ/hZEI8opU6wA/s320/ovar2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em &lt;a href="http://www.carnaval.ovar.net/index.html"&gt;Ovar&lt;/a&gt; há um carnaval que é praticamente tão mau como todos os outros, se não for pior ainda. O evento deste ano é identificado como &lt;em&gt;«a mais louca e criativa festa popular do país»&lt;/em&gt;, negligenciando claramente a superior categoria de outras festas de carácter popular que se realizam em Portugal, como as marchas de Lisboa ou o desfile dos pais natais no Porto. Ou mesmo a inauguração da árvore de natal do parque Eduardo VII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Ovar pauta-se por ter a mesma qualidade dos outros carnavais espalhados pelo país. Ou seja, é estúpido. Pelo simples motivo de que se chama carnaval, já se qualifica directamente para a categoria «estupidez», sendo claramente um dos candidatos ao galardão de «mais estúpido de todos». Na frase de lançamento das festividades, a organização do carnaval ovário diz &lt;em&gt;«sabemos que está farto de ouvir falar na crise, por isso, deixe-se envolver pela folia e levar pela loucura. Em Ovar, tome a Vitamina da Alegria® e embarque nesta viagem onde (quase) tudo é permitido»&lt;/em&gt;. Fantástico, não é? Não só os ovários descobriram o remédio para a crise, como registaram a marca desse remédio e passaram a concorrer directamente com qualquer laboratório farmacêutico desse mundo fora. Até imagino a delegação de Ovar a fazer-se representar num congresso de medicina em Boston: &lt;em&gt;«nós inventámos uma vitamina que dá alegria, faz-nos fazer coisas parvas durante uns dias e esquecer que não temos dinheiro para mandar arranjar os dentes às crianças»&lt;/em&gt;. E depois um médico pergunta: &lt;em&gt;«então e depois de passar o efeito da vitamina? Tomam mais?»&lt;/em&gt; Não. É um exclusivo dos dias do carnaval. Depois não vale tomar. É batota. Depois passa o efeito alucinogénio e toda a gente se lembra que vive apertado, com as meias rotas e os sapatos descascados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor sugestão dos ovários para este carnaval é que esqueçamos a crise. Pois para esquecer a crise, parece-me um princípio importante... fazer com que ela não exista. Os rios de dinheiro que se gastam num carnaval podiam servir, por exemplo, para construir um telheiro novo na escola primária, abrir dois novos postos de saúde, fazer uma morgue decente na paróquia e, quem sabe, comprar um BMW 740i ao presidente da câmara, que está farto de andar de Audi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se toda a gente que trabalha no carnaval de Ovar trabalhasse a sério nos seus empregos, a única crise que haveria era de asma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para mim, o carnaval deixava-se sossegadinho lá no Brasil, na terra dele. Ou então voltávamos àquilo que antigamente se considerava «carnaval» em Portugal: um bando de gente a atirar trampa às fuças uns dos outros. Isso sim, parece-me um bom motivo para montar um arraial.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4978346280662967400?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4978346280662967400/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4978346280662967400' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4978346280662967400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4978346280662967400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/o-carnaval-de-ovar-to-estpido-quanto-o.html' title='O carnaval de Ovar é tão estúpido quanto o de Torres Vedras'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW311IFBVoI/AAAAAAAAAPQ/hZEI8opU6wA/s72-c/ovar2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-9080535303310250405</id><published>2009-01-14T11:29:00.011Z</published><updated>2009-01-14T14:47:43.697Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carnaval torres vedras; sesimbra; viriato; dança do cu; parvoíce'/><title type='text'>O carnaval de Torres Vedras é estúpido. E o de Sesimbra também</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Calma... respirar fundo, gravar uma quantidade severa de jogos da liga inglesa no Meo e fechar-se em casa a sete chaves. É a estratégia este ano para o carnaval...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW3knVmx-wI/AAAAAAAAAPI/XET1xQYX9J8/s1600-h/216_534-cabecudos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291136501696035586" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW3knVmx-wI/AAAAAAAAAPI/XET1xQYX9J8/s320/216_534-cabecudos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em &lt;a href="http://www.carnavaldetorres.com/noticias/?id=20"&gt;Torres Vedras&lt;/a&gt;, diz-se, faz-se o carnaval mais português de Portugal. Curioso, estava mesmo convencido que o carnaval nem sequer português é. Mas quando vejo montras enfeitadas, de um lado, com corações para o dia dos namorados e, do outro, com fatos de Batman e de Noddy para mascarar as criancinhas, percebo que o problema é grave: o país está cada vez mais cheio de brasileiros e, pior que isso, cada vez mais cheio de portugueses que acham que são brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior comunidade de portugueses que acham que são brasileiros existente em Portugal reside em Torres Vedras, onde, este ano, o carnaval tem o tema &lt;a href="http://www.carnavaldetorres.com/noticias/?id=19"&gt;«profissões»&lt;/a&gt;. Imaginando que o carnaval é uma grande tradição brasileira, as profissões a retratar serão, sem qualquer margem para dúvida: preguiçoso; bêbado; criminoso; aldrabão; jogador de futebol; apresentador de programas de TV com qualidade duvidosa; escroque; e, vá lá, sendo um bocadinho mauzinho (mas sem ofensa, a sério, só a brincar), talvez também empregado de mesa e senhora da limpeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras tem, este ano, uma novidade muito importante: uma sede para a associação de ministros e matrafonas. Esta sede não custou um tostão aos ministros e às matrafonas e foi inaugurada ali mesmo no centro histórico, contando com a presença do ilustre presidente da Câmara Municipal, Carlos Miguel, que pediu para esta sede ser &lt;em&gt;«um carnaval todos os dias»&lt;/em&gt;. Tem piada, este autarca. Reconheço-lhe a boa vontade de querer fazer com que estes ministros, pelo menos estes, não dêem tantas faltas às sextas-feiras, mas é curioso como Carlos Miguel, conhecido pelas autorizações concedidas para a construção civil em áreas de reserva natural e na praia de Santa Cruz, tenha tido a excelente ideia de tirar dinheiro do meu bolso (e do seu, também) para construir uma sede para brincar ao carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era interessante perceber se o presidente da Câmara, em tempos vereador, alguma vez pensou utilizar o meu dinheiro (e o seu, também... «seu» de «você», que está a ler isto!!) para brincar a coisas mais sérias. Para arranjar uma alternativa ao fecho da maternidade do centro hospitalar, por exemplo. Ou para avançar de uma vez a estrada que ali faz falta, para Peniche, sem obrigar os munícipes a pagar portagem... se bem que, durante o carnaval, toda a gente em Torres Vedras devia pagar portagem só por existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, Torres Vedras tem agora uma sede para um monte de gente inútil organizar os seus carnavais. Atendendo ao frio que se faz sentir actualmente, prevê-se, em 2009, um carnaval ainda pior do que o dos anos anteriores, pelo que se aguarda com ansiedade para perceber se o centro hospitalar será capaz de dar vazão a tantas pneumonias na mesma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval de Torres Vedras tem cabeçudos e matrafonas. O de Sesimbra tem o maior desfile de palhaços do mundo, o que não espanta, tendo em conta que a lista de palhaços envolve, igualmente, toda a gente que se desloca até lá para ver. O de Cabanas de Viriato, no distrito de Viseu, tem a «dança do cú», o que me parece suficientemente estúpido para me inibir de tecer algum tipo de consideração sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível que não aparece alguém que diga a esta gente que o carnaval é um costume brasileiro?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Todo o carnaval tem seu fim... menos o português.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-9080535303310250405?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/9080535303310250405/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=9080535303310250405' title='88 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9080535303310250405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9080535303310250405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/o-carnaval-de-torres-vedras-estpido-e-o.html' title='O carnaval de Torres Vedras é estúpido. E o de Sesimbra também'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SW3knVmx-wI/AAAAAAAAAPI/XET1xQYX9J8/s72-c/216_534-cabecudos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>88</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4927455476295702166</id><published>2009-01-09T15:29:00.010Z</published><updated>2009-01-09T18:07:34.165Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='primeiro-ministro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carlos castro(só porque me apetece)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cristiano ronaldo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='britney spears(também deve estar com frio)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vaga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frio'/><title type='text'>Eu acho que o frio é estúpido. E as vagas também.</title><content type='html'>&lt;em&gt;Irra, que está frio!!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É impressionante a capacidade que os portugueses demonstram para se adaptar a qualquer situação. Chega a parecer o povo mais solidário do mundo. O primeiro-ministro diz &lt;em&gt;«atenção, vem aí a crise»&lt;/em&gt; e a malta, &lt;em&gt;pimba!,&lt;/em&gt; num extraordinário volte-face, passa a viver toda em crise, sem dinheiro para comprar o pão que está cada vez m&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWePECwwNVI/AAAAAAAAAPA/b2GsZUUAAOQ/s1600-h/1129795_52847153.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289353586993542482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWePECwwNVI/AAAAAAAAAPA/b2GsZUUAAOQ/s200/1129795_52847153.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ais caro, só para fazer a vontade ao PM e não deixar que ele passe por mentiroso. Agora anda tudo a adaptar-se ao tempo gelado e já mete nervos entrar em qualquer lado e ouvir as pessoas fazer competições de quem é que mediu a temperatura mais baixa na madrugada anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o frio não é culpa dos portugueses em si e, segundo me parece, também não é do primeiro-ministro em particular. O frio, ao que parece, é culpa do Fernando Torres. O El Niño, ao contrário do que muitos pensam e poucos se deram ao trabalho de explicar, não é um furacão. É um fenómeno climatérico que resulta das correntes de águas quentes do Oceano Pacífico e que ocorre durante entre 12 e 18 meses. Não há um só El Niño. Há vários e repetem-se, de tempos a tempos, atacando em bandos. Também é verdade que ainda ninguém descobriu, em pormenor, o que raio é que as águas quentes fazem, ao certo, ao mais pacífico dos oceanos para provocar tantas alterações climatéricas no planeta todo. Certo é que os pescadores têm medo dele e que se chama El Niño porque começa a ter lugar lá para o final de Dezembro, portanto, na mesma altura em que o menino está nas palhas deitado ou nas palhas estendido (neste particular também ninguém se entende). O El Niño tem uma irmã, que é a La Niña, e que é absolutamente contra as práticas sádicas do irmão. Vai daí, faz precisamente o contrário - arrefece as águas do Pacífico. Andam os dois constantemente a desfazer aquilo que o outro faz e quem paga é o clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consequência maior do El Niño no estado do tempo em todo o mundo é provocar sucessões de anos muito quentes e secos e anos muito frios e molhados. A consequência maior do El Niño em Portugal é provocar vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWeOg2AC0PI/AAAAAAAAAOw/TKieQORkjEM/s1600-h/1123148_45705729.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289352982272594162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 102px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWeOg2AC0PI/AAAAAAAAAOw/TKieQORkjEM/s200/1123148_45705729.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em Portugal há vagas para tudo, menos para a faculdade de Medicina. Dependendo da altura do ano e do mau-humor do El Niño, há vagas de incêndios. Desata tudo a arder por todos os lados e gastam-se horas e horas de televisão com reportagens em directo dos locais onde largaram fogo ao país. Passam aviões de um lado a deitar água para apagar o fogo e, do outro, a largar balõezinhos a arder. Em alturas concomitantes também decorrem vagas de calor. Morre-se aos magotes na Amareleja, onde a temperatura no alcatrão derrete vigas de ferro, e os hospitais - esses locais fresquinhos e arejados por natureza - abarrotam de gente a queixar-se de afrontamentos. Em certas alturas do ano, nomeadamente antes do Natal, há vagas de maus resultados no Sporting, prontamente compensadas lá para Abril pelas vagas de maus resultados do Benfica, que, no fundo, já duram desde Setembro do ano anterior mas toda a gente achava que era uma «fase». Em períodos esporádicos de um ano, nomeadamente os que coincidam com nomeações para «jogador do ano» em qualquer categoria, há vagas de notícias sobre Cristiano Ronaldo. Em épocas de chuva há vagas de cheias. E agora, neste preciso momento, estamos a atravessar uma vaga de frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio, segundo as enciclopédias, é uma sensação associada a baixas temperaturas. O que quer dizer, no fundo, que este frio que estamos a sentir não existe, muito menos a vaga de frio que nos querem vender. Frio, meus amigos, está em Pavlograd, na Ucrânia, onde estão -19º, ou então em Winnipeg, no &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWeOrawNh5I/AAAAAAAAAO4/yYXTdpLtO0g/s1600-h/1129132_89901195.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289353163936991122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWeOrawNh5I/AAAAAAAAAO4/yYXTdpLtO0g/s200/1129132_89901195.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Canadá, onde estão -23º, ou até mesmo em Nagano, no Japão (que é onde foi tirada a última foto deste texto), onde estão -16º mas parece que estão -45º. Aqui onde eu finjo que trabalho temos uma funcionária de Kishinev, na Moldávia (onde estão neste momento -13º) que ouviu a malta conversar, no café, sobre o frio que está. Olhou para mim e encolheu os ombros, dizendo &lt;em&gt;«frriô... aqui nô é frriô... en Kishinev temos Primaveras com menos-cinco...».&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é certa. Na Suécia consegue-se estar na rua com -20º e só congela a pontinha do nariz. Aqui em Portugal, com 2º, parece que os ossos vão estalar como o extreminardor implacável 2. Este frio corta, entranha-se nos ossos, morde nos dedos dos pés, faz gretas nas mãos, arrefece a sopa que está na mesa há meio-minuto e esgota com as Plumas nos postos de abastecimento da Galp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas: o El Niño é um bicho mau, mas é especialmente cruel connosco, que estamos aqui mesmo à beirinha do Atlântico. Vá lá que nunca se lembrou de nos mandar vagas de terramotos ou vagas de atentados terroristas... &lt;span style="font-size:78%;"&gt;ops!, bolas, agora dei-lhe ideias...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;brrrrrrrrrrrrr...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4927455476295702166?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4927455476295702166/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4927455476295702166' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4927455476295702166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4927455476295702166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2009/01/eu-acho-que-o-frio-estpido-e-as-vagas.html' title='Eu acho que o frio é estúpido. E as vagas também.'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SWePECwwNVI/AAAAAAAAAPA/b2GsZUUAAOQ/s72-c/1129795_52847153.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3321581338482163740</id><published>2008-12-30T12:29:00.009Z</published><updated>2009-01-22T13:36:47.113Z</updated><title type='text'>Carlos Castro: se estiveres a ler isto, por favor não me faças mal</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVocK8GTOCI/AAAAAAAAAOo/rMiI6lMuX_E/s1600-h/CARLOS_CASTRO1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285568086929520674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVocK8GTOCI/AAAAAAAAAOo/rMiI6lMuX_E/s320/CARLOS_CASTRO1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Serve o presente &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; para lançar o alarme junto da sociedade portuguesa: Carlos Castro ainda existe. Se procurarem no &lt;a href="http://www.google.pt/"&gt;Google&lt;/a&gt;, não só descobrem que o guru do transformismo nacional tem uma «empresa» de produções para espectáculos de moda e agenciamento de «apresentadores de TV»*, como o terceiro resultado da pesquisa é este fantástico &lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/01/carlos-castro-clone-guru-musa.html"&gt;post&lt;/a&gt; publicado por uma pessoa extremamente parecida comigo que ainda por cima tem o mesmo nome que eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;*«apresentador de TV» - o que é? Um empregado da Worten que se aproxima de nós e diz «bem-vindo, gostava de lhe apresentar esta TV de 44 polegadas...»?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É motivo para alarme, sim, porque a segunda linha da pesquisa refere-se a uma entrevista «pessoalíssima» que Carlos Castro deu quando ainda só tinha 64 anos, estava na flor da idade, e abordou tudo o que foi assunto relacionado com pan... com homossexualidade e outras práticas saudáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a primeira linha da pesquisa leva-nos, precisamente, ao &lt;a href="http://www.carlos-castro.com/"&gt;website&lt;/a&gt; oficial da musa da sociedade portuguesa, onde se encontram aguarelas lindíssimas das viagens fantásticas a lugares do mundo absolutamente exóticos, locais de sonho para muitos, como Fort Lauderdale, a Disneyland ou o Carnaval da Madeira. Caramba... nem nos meus &lt;em&gt;wildest dreams&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome de Carlos Castro tem feito mais por este humilde &lt;a href="http://todo-carnaval.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt; «Todo-Carnaval» do que pela vida do &lt;em&gt;jet set&lt;/em&gt; português. Porque o cornista... perdão, cronista social que nunca chama os bois pelos nomes tem trazido aqui visitantes atrás de visitantes. Sinto lisonja, a sério que sinto. Desde o &lt;a href="http://euclaudio.blogspot.com/"&gt;Cláudio Ramos&lt;/a&gt; que não havia uma figura tão repugnante a gerar acessos tão alegres e descomprometidos a um &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; não-identificado dedicado à maledicência barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esse motivo, e porque este &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; é suficientemente mau, aqui fica um singelo pingo de decência na forma da devida homenagem a uma figura de baixa estatura e alta moral: Carlos Castro, meu grande marialva, por ti, aqui me identifico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordialmente,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bob Dylan&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;0&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3321581338482163740?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3321581338482163740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3321581338482163740' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3321581338482163740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3321581338482163740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/12/carlos-castro-se-estiveres-ler-isto-por.html' title='Carlos Castro: se estiveres a ler isto, por favor não me faças mal'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVocK8GTOCI/AAAAAAAAAOo/rMiI6lMuX_E/s72-c/CARLOS_CASTRO1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-5944635514504621864</id><published>2008-12-23T22:37:00.003Z</published><updated>2009-01-21T17:35:04.824Z</updated><title type='text'>Onde está o Ossama Bin Wally?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVFsldS21qI/AAAAAAAAAOI/lahAcGei0rk/s1600-h/uss1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283123228656981666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVFsldS21qI/AAAAAAAAAOI/lahAcGei0rk/s200/uss1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que é que esperavam de um homem que tem 53 irmãos, 5 mulheres e 12 filhos? Só podia ser um revoltado. Da revolta ao terrorismo vai um passinho bastante curto, como provam os gregos que andam às cabeçadas há vários dias consecutivos porque, aparentemente, um polícia resolveu dar uns açoites num adepto de futebol que se portou mal. Onde é que já se viu??? Isto admite-se??? Os adeptos de futebol - sobretudo os gregos - são gente extremamente bem comportada e não merecem ser destratados dessa maneira. Por isso, acho bem que se revoltem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem mais procurado do mundo, que se saiba, não é adepto de futebol (apesar de haver um jornal inglês altamente credível que jura a pés juntos que ele já esteve exilado em Londres e era adepto do Arsenal e ia ao estádio e tudo). Aquilo que é verdade é que o melhor uso que encontrou para o estádio nacional de Cabul, no Afeganistão, foi servir de palco para execuções em massa de mulheres de burkha que se portaram mal - isto durante os tempos em que ele era rei e senhor do território afegão, naquela altura em que andou por lá a recrutar os talibãs para serem as suas marionetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osama bin Laden chama-se, na verdade, أسامة بن محمد بن عوض بن لادن . Quer dizer, na verdade, na verdade, ninguém sabe ao certo como é que ele se chama. Oficialmente, a tradução do seu nome para dialecto de gente é «Usāmah bin Muhammad bin `Awad bin Lādin», mas isto foi na altura em que ele próprio andava agradecido aos americanos pela ajuda que deram durante a luta dos mujahedin contra a União Soviética. A partir daí, como os EUA já lhe serviam de pouco e colocar um nome daqueles numa pauta de liceu devia ser o cabo dos trabalhos, passou a ser chamado Osama bin Laden. Mas só por alguns. Vamos ver se nos entendemos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não há nenhuma tradução ocidental que seja aceite para esta arabice, o nome dele é traduzido de várias maneiras. Os jornais de língua inglesa usam «Osama bin Laden» ou então «Usama bin Ladin». Depende do editor e da quantidade de bourbon que tiver bebido na noite anterior. Para a CIA é «Usama bin Laden», que é uma mistura dos dois anteriores. Os franceses, com a mania que são diferentes e já têm problemas que chegue com os muçulmanos do norte de África, escrevem «Ussamah bin Ladin». Os alemães, que não estão para se dar ao trabalho e já são especialistas em aglutinar palavras, escrevem apenas «Binladin» para poupar nos caracteres. O Diário de Notícias escreve «Usama ben Laden». Viva o direito à diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes questões desta quadra natalícia continuam, portanto, a ser as mesmas: quem é que namora Mickael Carreira, afinal?; porque é que os professores não querem ser avaliados, pela inépcia própria em avaliar seres humanos com metade da idade deles?; será 2009, finalmente, o ano em que Herman José se vai convencer que não há mais lugar para ele na televisão?; e onde está, afinal, o Wally bin Laden?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foi dado como morto uma mão cheia de vezes, mas aparentemente os americanos acham que ele está escondido algures na fronteira do Parquistão com a Afeganistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, está no Algarve. No mesmo buraco em que a Maddie se escondeu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-5944635514504621864?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/5944635514504621864/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=5944635514504621864' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5944635514504621864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/5944635514504621864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/12/onde-est-o-ossama-bin-wally.html' title='Onde está o Ossama Bin Wally?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SVFsldS21qI/AAAAAAAAAOI/lahAcGei0rk/s72-c/uss1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6992860301911895978</id><published>2008-10-30T12:31:00.006Z</published><updated>2008-10-30T12:49:09.444Z</updated><title type='text'>Espanha devia ser um país no Pacífico</title><content type='html'>O meu patrão é espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é coisa para me fazer levantar todos os dias de manhã com vontade de vir trabalhar, mas também não é caso para ficar mais um quarto-de-hora na cama todas as manhãs a imaginar em qual das partes da minha caótica biologia poderia contrair um estafilococos fatal que me impedisse de vir trabalhar. Venho trabalhar porque gosto do que faço e, felizmente, andam distraídos o suficiente para me pagarem por isso. Mal, é certo. Mas isso é outro assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, devo dizer que o meu patrão espanhol é muito bom rapaz (Olá, chefe! Tudo bem? Gosto de si, &lt;em&gt;joder!&lt;/em&gt; – não vá ele ter tanta sorte de dar com isto na internet). É tão bom rapaz que até já me ofereci para fazer uma pesquisa aprofundada sobre a sua genealogia para confirmar que ele, afinal, é holandês e nasceu na Nova Zelândia. Porque o meu patrão é simpático, educado, um gestor objectivo e sem medo de cortar onde as despesas são mais gordas (Olá outra vez, chefe. Se por acaso continua a ler isto é porque arranjou uns serviços de tradução – e se é esse o caso, olhe que eu sou dos mais poupadinhos. Não faço despesa quase, quase nenhuma. Até sou eu que trago o meu papel higiénico de casa). É um tipo elegante, apresentável, de modo que tenho certas dúvidas que seja realmente espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQms_d6f8TI/AAAAAAAAAOA/Jkw5Y9qRKw0/s1600-h/mururoa.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262927845920862514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 136px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQms_d6f8TI/AAAAAAAAAOA/Jkw5Y9qRKw0/s200/mururoa.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os espanhóis são as melhores pessoas do mundo para viver no atol de Moruroa. Para eles seria um prémio – bom tempo, uma ou duas tempestades típicas do Pacífico de vez em quando para animar os dias, a praia ali mesmo à porta, ausência de impostos, vastas oportunidades de especialização em &lt;em&gt;paella&lt;/em&gt; de tubarão… enfim, só vantagens. E além disso poderiam servir um bem maior a toda a Humanidade e servir de cobaias para os testes nucleares que eu vou convencer o Sarkozy a retomar ali mesmo, naquele lugar. Como é que os fazíamos caber todos juntos naquele espaço? Não sei, não é problema meu. Mas se, de facto, convencermos a França a voltar aos testes nucleares em Moruroa, suspeito que nem sequer se torna um problema de todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis comem com as mãos, escrevem com os pés e falam quase tão alto quanto os italianos. No primeiro caso, não me parece mal – quem nunca comeu uma coxinha de frango à unha ou despachou uma sardinhita morta à estalada em cima de uma fatia de pão? – embora no caso dos espanhóis a utilização das patas para comer se estenda ao arroz negro, ao &lt;em&gt;fillet-mingon&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;judias verdes&lt;/em&gt; e à &lt;em&gt;crema catalana&lt;/em&gt;. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQmsyd793HI/AAAAAAAAAN4/bBraO30hdDw/s1600-h/_0000.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262927622588718194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 123px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQmsyd793HI/AAAAAAAAAN4/bBraO30hdDw/s200/_0000.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No segundo caso, já me parece um pouco pior – Miguel é um espanhol que eu conheço, de Madrid. Curiosamente, também é bom rapaz, uma vez que tem raízes na Galiza (que, como se sabe, é «Portugal do Norte»). Escreve numa revista, sobre assuntos com muita piada, mas com textos que não têm mesmo piada nenhuma e, pior que isso, têm erros que nunca mais acabam. Como qualquer outro espanhol, não sabe escrever. E mesmo os que sabem, como o José Saramago, não são tão interessantes quanto isso. Mas o pior de tudo, mesmo, é falarem alto – já assistiram a um italiano a falar ao telemóvel? Do tipo, atende uma chamada em Génova e ouve-se em Nápoles? Os espanhóis são mais-ou-menos assim, com a particularidade de dispensarem o telemóvel. Falam com a mesma amplitude de decibéis de um italiano, mas para pessoas que estão a metro-e-meio deles. E ornamentam todas as frases com uns &lt;em&gt;joder&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pendejo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;la-madre-que-me-parió&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis têm vários conflitos e um deles é com a água. Atenção que isto é sério – não é cá brincadeiras como o terrorismo no País Basco. O pior terrorismo que os espanhóis fazem é com os visitantes, com quem vem de fora, quem visita o país. Nem nesses dias tomam banho. Isto resulta em constantes atentados à minha pirâmide nasal, que – coitada – já sofreu atentados que chegue e já de si é um bocadinho uma ruína de pirâmide em vez de uma pirâmide como deve ser. Não tomam banho, mas perfumam-se. E em quantidades suficientes para encher o lago do Campo Grande. Mas como os perfumes dos espanhóis vêm de Marrocos, a catarse que resulta é tudo menos interessante – uma mistura entre naftalina de baú com almíscar de chamuça, com recortes de peúga-por-lavar, carrascão entornado há dois meses e um ligeiro travo a tabletes dietéticas. Apertar a mão a um espanhol é, normalmente, um acto de coragem – porque fico sempre com a mão direita engordurada o suficiente para fazer a revisão ao carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQmsmPmqJUI/AAAAAAAAANw/99yl7XCMZwU/s1600-h/espana_campeon.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262927412582819138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQmsmPmqJUI/AAAAAAAAANw/99yl7XCMZwU/s200/espana_campeon.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os espanhóis são campeões da Europa de futebol. &lt;em&gt;So what?&lt;/em&gt; Também os gregos – e isso não faz deles gente brilhante. Como é que um país onde as províncias lutam há anos para serem independentes e terem campeonatos de futebol independentes, onde existem equipas de futebol profissional que não admitem no seu plantel jogadores que não sejam exclusivamente originários daquela província, de repente se consegue unir para apoiar uma selecção multi-cultural, onde até joga um brasileiro? Não consegue. Foi tudo produto do &lt;em&gt;Marketing&lt;/em&gt;, que, como se sabe, é um tipo americano que veio trabalhar para a Europa para ganhar dinheiro. A única vantagem que os espanhóis encontraram em ser campeões da Europa de futebol foi ter mais dois ou três dias de desculpa para não ir trabalhar – porque se embebedaram a celebrar e não se lembravam do caminho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu patrão é do tipo de gente que devia viver em Belém, com uma varanda gigante virada para o rio. Comporta-se bem à mesa, é um óptimo conversador, esforça-se para falar português, convive-se impecavelmente com ele, até porque liga muito pouco a futebol. Tenho a certeza que ele não é espanhol. Deve ser suíço, ou então austríaco, isto se eu não conseguir confirmar que ele nasceu mesmo em Auckland.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu, por outro lado, de tão interesseiro que sou, desconfio que os meus pais se embebedaram algures em Badajoz há umas décadas a esta parte e andaram a divertir-se…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6992860301911895978?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6992860301911895978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6992860301911895978' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6992860301911895978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6992860301911895978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/10/espanha-devia-ser-um-pas-no-pacfico.html' title='Espanha devia ser um país no Pacífico'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQms_d6f8TI/AAAAAAAAAOA/Jkw5Y9qRKw0/s72-c/mururoa.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6526139347018315619</id><published>2008-10-24T17:13:00.008+01:00</published><updated>2008-10-24T17:29:44.827+01:00</updated><title type='text'>Nos Estados Unidos as sanitas têm lavagem automática</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Não, não é daquelas sanitas que rodam o tampo automaticamente a seguir ao servicinho. Nem daquelas que mandam evacuar a sala para despejar uma desinfecção completa com direito a lixívia. Falo das sanitas convencionais, dos hotéis, das casas-de-banho do aeroporto, dos restaurantes, das casas, de todo o lado. Acham que estou a brincar? Não estou. Vejam na foto (e sosseguem, porque não há nada de escatológico na imagem; é meramente para efeitos científicos; e até trouxe de duas sanitas diferentes para verem que eu não estou a gozar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH0yCuLVeI/AAAAAAAAANI/OfJgGoqdl1Q/s1600-h/SNC00129.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260754980306638306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH0yCuLVeI/AAAAAAAAANI/OfJgGoqdl1Q/s200/SNC00129.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH04cMfNfI/AAAAAAAAANQ/xViBY0Osfi8/s1600-h/SNC00166.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260755090223871474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH04cMfNfI/AAAAAAAAANQ/xViBY0Osfi8/s200/SNC00166.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Reparem bem como cada sanita se apresenta ao ilustre desconhecido com uma camada de água bem definida até cá acima. Ao primeiro impulso dá vontade de chamar o canalizador para ele trazer o seu desentupidor de ventosa e tratar do assunto, mas um olhar clínico sobre o mobiliário de WC (eu sei, isto é coisa para repugnar, mas garanto que quando eu fiz isto a sanita estava limpa e imaculada) e um sensato accionamento da manivela de descarga revelam que… &lt;em&gt;1)&lt;/em&gt; a água desaparece e é substituída por outra água igualzinha, cheia até ao mesmo ponto; e &lt;em&gt;2)&lt;/em&gt; é suposto ser assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente eu podia ser extremamente desagradável e tecer aqui todo o tipo de considerações sobre entidades estranhas a boiar alegremente numa piscina de PVC como as meninas do Tahiti a tomar banho dos quadros do Gauguin. Mas não. Vou ser apenas desagradável e dizer que este sistema é muito simpático, porque além de receber matéria orgânica com o mesmo orgulho de qualquer outra sanita que habite na Europa, ainda proporciona toda uma nova sensação de conforto ao retribuir a oferenda com uns refrescantes salpicos que, por um lado, arrepiam o esfíncter e, por outro, dão o contributo – nobre e por muitos ignorado – de ajudar na tarefa de higiene e limpeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que esta é a forma justa de introduzir o tema: &lt;em&gt;«mas afinal os americanos servem para quê&lt;/em&gt;?». Ainda não tenho uma conclusão clara sobre o assunto, mas a ideia mais forte com que fico é que servem para mandar para o Afeganistão. Os americanos que foram enviados para capturar o Bin Laden são os únicos que fazem alguma coisa construtiva pelo mundo* – porque os outros, os que ficaram em casa a ver os debates entre o Obama e o McCain enquanto devoram um balde de Baskin’n’Robbins à colherada de sopa, pertencem à mesma corja dos americanos que ensinaram à Humanidade fenómenos como a obesidade, o racismo e o sobreendividamento. Aliás, foi por se distinguirem com notoriedade na capacidade de contrair créditos que são incapazes de pagar que os americanos arruinaram por completo o esqueleto teórico da sociedade capitalista. Mas o problema não é tanto dos americanos que contraíram os créditos; é mais dos americanos que trabalham nos bancos e que aceitaram emprestar-lhes dinheiro que sabiam que eles não tinham e que não iam ser capazes de devolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* e neste particular eu devo salientar que tenho o maior respeito pelos americanos que deram a sua vida para salvar a Europa das garras dos nazis durante a II Guerra Mundial; obrigado por tudo, curvo-me pera&lt;/em&gt;&lt;em&gt;nte as vossas campas, mas podiam ter aproveitado para, nessa mesma altura, resolverem de vez todos os problemas da Europa: tinham feito algum planeamento familiar junto dos pais do Santana Lopes para evitar que ele nascesse dez anos depois e, uma vez que ficava em caminho, também podiam ter aproveitado para afundar a Espanha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH12h58BoI/AAAAAAAAANo/r45a9tI4R6s/s1600-h/SNC00162.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260756156908570242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH12h58BoI/AAAAAAAAANo/r45a9tI4R6s/s200/SNC00162.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;E o que é que acontece actualmente? Os Estados Unidos estão à venda. As casas dos americanos são, normalmente, de um só piso, com um lindo relvado aparado à frente, uma carcaça velha de uma carrinha de nove lugares à porta da garagem e sem qualquer vedação. Comum a todas é o facto de terem duas placas espetadas no seu belo relvado: uma diz &lt;em&gt;«I vote for Obama»&lt;/em&gt;, a outra diz &lt;em&gt;«esta casa está à venda»&lt;/em&gt;. Nunca pensei ver os americanos na penúria, muito menos em pânico. Primeiro, porque tinha quase a certeza que não sabiam o significado da palavra «penúria» e, segundo, porque mesmo que soubessem o que quer dizer, não saberiam reconhecer os sinais de que estariam mesmo a passar por isso. Mas a verdade é que estão mesmo em pânico, porque um dos candidatos à presidência disse, num dos debates televisivos, &lt;em&gt;«caro senador, caros concidadãos, o nosso país está na penúria»&lt;/em&gt;. Em Nova Iorque, nessa noite, foi o caos: trânsito absolutamente louco, pessoas em passo apressado na rua, gente aos gritos, barulho de ambulâncias, magotes de gente enlatada nas estações de metro, tudo num ritmo alucinante como se quisessem fugir da cidade e entregar o país de volta aos índios. &lt;em&gt;«Que se passa? Para onde vai esta gente toda? Está tudo a fugir da depressão financeira?»&lt;/em&gt;, perguntei a um dos polícias-sinaleiros-que-afinal-não-são-polícias que estão nos cruzamentos de apito na boca a mandar avançar o trânsito. &lt;em&gt;«Nada de especial»&lt;/em&gt;, respondeu ele: &lt;em&gt;«hoje há jogo dos Giants»&lt;/em&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me dei por vencido. Eu sei que os americanos são burros como portas, mas não podem ser assim tão imbecis que não vêem a realidade desvendar-se diante dos seus próprios olhos. Fui ver tudo o que era canal de notícias na TV (e são vários, uns sete ou quarenta-e-três), li os jornais de uma ponta à outra, quis saber a reacção dos americanos ao terem sido confrontados com o choque de saberem que estão falidos por intermédio de um dos homens que daqui a uns dias vai ser o líder do país. Em Chicago ninguém deu por nada, porque ficaram todos retidos no trânsito por causa de um acidente na linha de comboio de superfície; em Washington ficou toda a gente presa num engarrafamento à saída da cidade por causa de uma operação policial desencadeada para prender o filho de um senador democrata que &lt;em&gt;«hackeou»&lt;/em&gt; a conta de e-mail da republicana Sarah Palin; em Cleveland ninguém viu o debate, porque andava toda a gente na rua à procura dos donos de um stand de automóveis que burlaram o estado com centenas de facturas falsas; em Las Vegas os casinos estavam cheios à hora do debate e ninguém ligou patavina; em Los Angeles ninguém percebeu nada, porque os habitantes de Los Angeles só percebem espanhol… acho que a única pessoa que assistiu ao debate pela televisão fui eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH1g4r-xCI/AAAAAAAAANY/sDYk-0LOt1I/s1600-h/SNC00119.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260755785066923042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH1g4r-xCI/AAAAAAAAANY/sDYk-0LOt1I/s200/SNC00119.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Finalmente encontrei-me com um administrador de uma multi-nacional que parecia ter um neurónio-e-meio a mais que o comum dos americanos. &lt;em&gt;«Sabes, não sei o que vai acontecer à minha reforma»&lt;/em&gt;, disse ele. Como assim, &lt;em&gt;man&lt;/em&gt;? Chegas aos 65, penduras o casaquinho e a gravata das cornucópias roxas, compras um Cadillac e começas a fazer planos para visitar a Europa – esse continente que nem fazes ideia onde fica, mas ouviste dizer que é &lt;em&gt;«um país bonito»&lt;/em&gt;. Mas não era a isso que ele se referia. Estava a falar do dinheiro da reforma, aquele que andou a pôr de parte a vida toda num fundo de investimento e que agora não sabe dele. Porquê? Porque a instituição financeira que lhe atribuiu o plano de reforma fez como qualquer banco e estimou uma solidez financeira que nunca teve e tão cedo não vai voltar a ter. Ou seja, na realidade tem uns bons milhões a menos do que aqueles que sempre disse aos investidores que tinha e se, agora, toda a gente corresse a tirar de lá o dinheiro para o guardar debaixo do colchão, seria altamente provável que a mesma instituição financeira só tivesse dinheiro suficiente para devolver as uns dois ou três clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro pânico dos americanos é o da segurança. Para se visitar o 103º andar da torre mais alta dos Estados Unidos – desde que as outras duas vieram cá parar abaixo que a Sears Tower ficou como a mais alta dos EUA, a 3ª de todo o mundo logo a seguir ao Burj do Dubai e à torre de Toronto, no Canadá – é preciso fazer um &lt;em&gt;strip-tease&lt;/em&gt; quase completo e passar por um detector de metais mais sensível que o dos aeroportos, porque até apitou por causa do meu dente de ouro e por causa da placa que eu tenho no crânio desde que estive exposto a um bombardeamento na Guerra do Golfo. E ainda só estava no piso térreo. Depois de 40 minutos para comprar bilhete, tive que esperar na fila para entrar… depois na fila para a sala de espera para ver um vídeo de meia hora… – &lt;em&gt;«desculpe, menina, não posso passar à frente e evitar esta parte? É que eu não quero ver filme nenhum, eu já sei a história toda, só quero lá ir acima espreitar cá para baixo…»&lt;/em&gt; Não, não podia, tinha que ficar meia-hora no meio de oitenta japoneses a ver um documentário sobre a construção do edifício… – depois na fila para passar as portas rotativas… depois esperar na fila para o elevador… e no final das contas o elevador até é a coisa mais rápida de todo o processo, porque leva 62 segundos a subir o 0 para o 103…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se o &lt;em&gt;*PLIM*&lt;/em&gt; da chegada do elevador e, no pico da ansiedade, quando esperava que as portas se abrissem para receber aquela rajada de vento frio por estar prestes a pôr o pé no topo de uma torre a 527 metros do chão… bolas, é um piso fechado?! Então e a cena que se vê nos filmes? O ver o mundo de cima para baixo a respirar oxigénio puro? Nada. O &lt;em&gt;skydeck&lt;/em&gt; da Sears Tower é um enorme andar totalmente vidrado, fechado e com barras grossas para impedir que alguém se queira suicidar – só se fosse esborrachado com toda a força contra os vidros! Assim que a porta se abre vêem-se crianças de todas as idades a correr de um lado para o outro (acho que tive azar e apanhei três visitas de estudo), japoneses mais preocupados em tirar fotos junto a um poster gigante do mais ilustre habitante de Chicago de toda a História (Michael Jordan), gente a espreitar para dentro daqueles super-binóculos de metal que funcionam com moedinha como se vê nos miradouros e montes de gente a tirar fotos com &lt;em&gt;flash&lt;/em&gt; – o que não deixa de ser notável, tendo em conta que o &lt;em&gt;flash&lt;/em&gt; reflecte nos vidros e inviabiliza o efeito de ficar com a cidade como fundo. Acreditem, eu experimentei. Do tempo todo que eu lá estive em cima, que deve ter totalizado qualquer coisa entre dois e três minutos, andou sempre um segurança atrás de mim – terei cara de árabe? Mas eu sou tão branquinho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: treze dólares para quase uma hora de espera, meia-hora de filme e três minutos de uma sensação igual a estar nas Amoreiras. Porreiro. Haverão de me apanhar aqui mais vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH1oS-ftoI/AAAAAAAAANg/7TEJV03oGFs/s1600-h/SNC00150.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260755912382985858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH1oS-ftoI/AAAAAAAAANg/7TEJV03oGFs/s200/SNC00150.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nova Iorque e Chicago parecem cidades gémeas. A diferença é que a primeira é quase três vezes maior que a segunda e para se ir ao «fim dos arredores de Nova Iorque» é preciso apanhar um avião. Mas, de resto, no centro é quase tudo igual. Mas há uma coisa que distingue Chicago de qualquer outra cidade americana e, bem vistas as coisas, qualquer outra cidade no mundo: um comboio de superfície que anda ao nível de um sexto andar. E isto não é só numa rua ou outra, meus amigos. É no coração da cidade e em algumas das artérias principais. Por baixo passam os carros, as pessoas, as bicicletas e os espanhóis, por cima passa o comboio, numa linha férrea engenhosamente montada em cima de estruturas de ferro que parecem servir de telheiro para quem está em baixo. Isto até parece muito simpático – é como ter um metro mesmo no centro da cidade, sem ter que esventrar o chão com túneis intermináveis e sem ter que interromper o trânsito (caótico, por sinal) nas ruas mais movimentadas. Boa ideia. Tirando, claro, o facto do comboio ser extremamente ruidoso e passar rigorosamente ao lado da janela do meu quarto no hotel. Cada vez que o comboio passa – o que a determinadas horas pode acontecer a cada dois minutos – parece que deitaram a Sears Tower abaixo. Uma ideia simpática que não me deixa dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos são, igualmente e como se sabe, o país dos avisos mais inúteis. Alguns exemplos: no conversor de corrente eléctrica EUA/Europa: &lt;em&gt;«não usar como antena de TV»&lt;/em&gt;; numa garrafa de água: &lt;em&gt;«remover tampa de plástico antes de ingerir»&lt;/em&gt;; antes de entrar num túnel: &lt;em&gt;«remova os óculos de sol»&lt;/em&gt;; num frigorífico: &lt;em&gt;«não-indicado para guardar animais vivos»&lt;/em&gt;; numa porta rotativa: &lt;em&gt;«não entre no sentido contrário ao da porta giratória»&lt;/em&gt;; numa auto-estrada: &lt;em&gt;«não use o efeito de travão-motor em horas de proibição de ruído»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os americanos são, devo dizer, especialistas em fazer tudo dentro de um automóvel. Só eu vi dezenas a falar ao telemóvel, um a fazer a barba, uma a pintar-se, uns quinze com um hambúrguer numa mão e a coca-cola na outra, uns quantos a ler o jornal e até um que colocou com mestria o seu computador portátil no tablier do carro para ir a usá-lo enquanto conduz. Tudo isto numa auto-estrada e em andamento. São educados e muito simpáticos, os sobrinhos do Tio Sam. Infelizmente, não têm a mínima ideia do que cá fazem no mundo. E o pior é que nós também não sabemos como livrar-nos deles, caso contrário a ideia de viver nos Estados Unidos faria todo o sentido.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6526139347018315619?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6526139347018315619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6526139347018315619' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6526139347018315619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6526139347018315619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/10/nos-estados-unidos-as-sanitas-tm.html' title='Nos Estados Unidos as sanitas têm lavagem automática'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/SQH0yCuLVeI/AAAAAAAAANI/OfJgGoqdl1Q/s72-c/SNC00129.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6630653113279005118</id><published>2008-07-24T20:07:00.008+01:00</published><updated>2008-07-24T20:35:16.016+01:00</updated><title type='text'>Wrocław tem um «L» cortado e um senhor com a pila à mostra</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjXL2lzLJI/AAAAAAAAAIs/tbRWkRqmGTQ/s1600-h/Wroc%C5%82aw+_5374.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226663966196051090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjXL2lzLJI/AAAAAAAAAIs/tbRWkRqmGTQ/s200/Wroc%C5%82aw+_5374.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há sítios que não parecem deste mundo. Locais onde a Terra acabou, deixou de existir como a conhecemos, tudo é estranho e diferente, como se fosse de outro planeta. E isto acontece com mais frequência do que imaginamos. Entrando em Barcelona pela Avenida Diagonal, por exemplo, parece que entrámos numa infinita galeria de arte, com elementos visuais de todas as formas e estilos, gente de todas as cores, prédios de todas as raças. Subir até ao Arco do Triunfo, em Paris, deixa a sensação de estarmos num filme do Claude Lelouch (claro, o &lt;em&gt;«Rendez-Vous à Paris»&lt;/em&gt; pesa demasiado no subconsciente). Sair da via rápida da Caparica em direcção à Trafaria deixa a sensação que estamos a sair de um subúrbio miserável de uma grande cidade para entrarmos num acampamento de ciganos. São cenários estranhos, às vezes desenquadrados da realidade anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece mais ou menos isto com uma cidade chamada Wroclaw, na Polónia. A começar pelo nome: escreve-se «Wroclaw», mas lê-se &lt;em&gt;«’róclô»&lt;/em&gt;, isto se for dito por um polaco; se for dito por um alemão, diz-se &lt;em&gt;«Breslau»&lt;/em&gt;; se for um checo diz &lt;em&gt;«Vratisláv»&lt;/em&gt;; se for um português pode dizer &lt;em&gt;«Vratislava»&lt;/em&gt;, mas depois pode ter a certeza que vai ser considerado idiota porque «Bratislava» é uma cidade na Eslováquia que fica a quase 500 km dali. Por esse motivo, preferi passar o tempo a dizer &lt;em&gt;«Vróclav»&lt;/em&gt; com o mais fino sotaque de Corroios, para ninguém me entender mal. Para além disso, é bem capaz de ser o único nome de cidade no mundo que se escreve com um «L» cortado. Com este: «ł». Palavra de honra. Escreve-se «Wrocław». Nem todos se podem orgulhar disto, de maneira que a partir deste parágrafo vou passar o tempo a escrever «Wrocław» como deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wrocław parece, como dizia, fora do tempo e do espaço. Quem vem da Alemanha, mesmo da parte oriental, fica sempre com a ideia que deixou o seu planeta-natal e entrou em Júpiter. Porquê? Bom, a começar porque, regra geral, cheira mal. Na atmosfera de Júpiter há amónia e metano, na atmosfera de Wrocław também. Imagine-se: saímos de Berlim Leste, que já de si parece um bocado Reguengos de Monsaraz em fusão com a Holanda dos anos 40, e entramos numa dimensão à parte, com campos de cereais a perder de vista tipo Russell Crowe no &lt;em&gt;«Gladiador»&lt;/em&gt;, mas com uma coloração mais para &lt;em&gt;«Uma Casa na Pradaria»&lt;/em&gt;, como se o sol queimasse a película do filme. Quase que ia jurar que vi o gajo que fazia de &lt;em&gt;«Anjo na Terra»&lt;/em&gt; a correr por ali abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Comeste alguma coisa estragada?»&lt;/em&gt;, pergunta o meu companheiro de viagem&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Como assim?»&lt;/em&gt;, foi a minha resposta incrédula&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Cheira mal»&lt;/em&gt;, disse ele&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«E que culpa tenho eu disso??!»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Podias estar mal da barriga»&lt;/em&gt;, justificou ele&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Não, não estou mal de lado nenhum»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Cheira a ovos podres...»&lt;/em&gt;, disse ele, instantes antes de eu dizer&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;«Olha, uma placa a dizer Wrocław»&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjZGst4haI/AAAAAAAAAJM/poRpbR-hUPc/s1600-h/wroclaw1111.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226666076669511074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjZGst4haI/AAAAAAAAAJM/poRpbR-hUPc/s200/wroclaw1111.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Cheira mesmo mal. Não entendo. A única explicação é a possibilidade do cheiro vir do rio Odra. Mas, pelo aspecto, não deve ser dali. O rio é tão limpo que merecia bandeira azul. Industrialmente, não há muito por onde pegar. Wrocław não tem fábricas mal-cheirentas e os principais focos de poluição vêm das linhas de produção de comboios de duplo carril e dos &lt;em&gt;chips&lt;/em&gt; para a indústria electrónica. De repente, já em pleno centro da cidade, o mau cheiro adensa-se. Em breve, tudo fica explicado: uma famosa empresa portguesa de construção civil foi contratada para fazer umas obras gigantescas ali mesmo e a nuvem de poeira com aspecto de ameaça química não deixa grandes dúvidas sobre a origem do perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wrocław é conhecida pelas suas universidades (algumas das melhores da Europa, dizem), por uma estátua de um gajo com uma espada na mão e a pila à mostra e pela bonita praça central, chamada Rynek e que dizem que contém alguns dos mais belos edifícios históricos da Europa. Um sítio que até podia parecer ainda melhor, se mesmo no centro da praça não tivesse montado um mega-estádio com capacidade para 5 mil pessoas se sentarem a ver, num ecrã gigante, os jogos da selecção polaca de futebol. Não falta uma tendinha com jogos de matraquilhos e barranquinha de cerveja para beber de pénalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi descansar uma horinha no hotel, porque vinha amassado de uma penosa viagem de cinco horas e meia de avião com aquela que se auto-proclama «a companhia &lt;em&gt;charter&lt;/em&gt; líder do mercado polaco». Tendo em conta que não existe outra, é bem capaz de ser mesmo líder. Acordei quando o dia já se tentava escapar pelo horizonte e resolvi ir dar uma volta, para procurar um sítio para petiscar qualquer coisa. As ruas que ligam à praça central estavam desertas, não se via ninguém. Pudera, estavam todos no estádio improvisado a ver um jogo de futebol e os que não arranjaram lugar estavam nas &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjYDtcF7sI/AAAAAAAAAI8/udhvfZkPKGc/s1600-h/Wroc%C5%82aw+_81285858.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226664925812092610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjYDtcF7sI/AAAAAAAAAI8/udhvfZkPKGc/s200/Wroc%C5%82aw+_81285858.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;esplanadas circundantes a entornar cerveja em copos de plástico. Estive um bom bocado para conseguir arranjar mesa para me sentar, algures entre os sete e os doze minutos, o que, tendo em conta a paciência que costumo ter para ficar à espera do que quer que seja em qualquer sítio, posso considerar quase um recorde. Finalmente sentaram-me numa mesa de esplanada e trouxeram-me um menú todo escrito em Wrocławês. &lt;em&gt;«I can’t read polish»&lt;/em&gt;, tentei fazer-me ouvir entre os gritos &lt;em&gt;«Polska! Polska!»&lt;/em&gt;. O empregado fez dois ginetes com a cabeça para cima e para o lado, tirou-me a lista da mão e foi para dentro. Voltou uns cinco minutos depois com cara de quem tinha perdido à bisca e trouxe-me uma cerveja. Tendo em conta que a selecção polaca tinha acabado de sofrer um golo, achei mais prudente fingir que era aquilo mesmo que eu tinha pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir para o jantar que estava marcado dei mais uma volta pela praça e seus circundantes. Entretanto, o jogo acabou. As ruas começam a encher-se de gente a andar em todas as direcções, uns com camisolas da equipa deles, outros com cachecóis, e todos, mesmo todos, com um grande melão. A Polónia tinha perdido. Num assomo de crueldade invulgar até mesmo para mim, resolvi perguntar o resultado a um grupo de gente jovem com ar de que sabia falar inglês. &lt;em&gt;«We lost 2-0»&lt;/em&gt;, disse um rapaz antes de me perguntar de onde eu era. O momento em que lhe contei de onde vinha devolveu-lhe o sorriso à cara: &lt;em&gt;«oh, you and your Cristiano Ronaldo, you lost with us, remember?»&lt;/em&gt;. Achei que se calhar era altura de ir jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que o jantar seria uma combinação de pratos tradicionais Wrocławenses. Porreiro. Ao menos que sirva para ficar a conhecer mais qualquer coisa. Começamos por uma sopa que se chama «żurek» e que, para não variar, tem uma letra esquisita no nome: aquele «ż» com um pontinho em cima da cabeça. Vem em cima de uma bandeja e a primeira impressão é assustadora – é um pão que tem o tamanho de uma abóbora, está cortado na parte de cima e, lá dentro, tem a sopa tradicional. Digo-vos só que sabe infinitamente melhor do que &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjYNSjujKI/AAAAAAAAAJE/25rY-1PaKqA/s1600-h/%C5%BCurek225_org.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226665090395049122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjYNSjujKI/AAAAAAAAAJE/25rY-1PaKqA/s200/%C5%BCurek225_org.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;aquilo que o aspecto permitia antever. O resto do jantar meteu «pierogi», uma espécie de ravioli gigante recheado com queijo e carne e outras porcarias e polvilhado com uma treta parecida com soja que não consegui identificar, juntamente com «zrazy», uma misturada feita de carne que também leva bacon, cogumelos e pepino, acompanhada de «mizeria», uma salada que leva pepino e aipo e que, como o próprio nome indica, sabe quase tão mal quanto o aspecto que tem. Para sobremesa serviram um cheesecake tradicional chamado «sernik» e um bolo tipo esponja, recheado, horrível, chamado «makowiec».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de parecer uma cidade deslocada do mundo, Wrocław acaba por ter algumas coisas familiares. Pessoas com muito mau aspecto, por exemplo. Há disso por todos os lados. Lixo no chão, também. Carros estacionados em cima do passeio, paredes riscadas com &lt;em&gt;grafittis&lt;/em&gt; imperceptíveis, gente a passar com o rádio do carro em altos berros, bosta de cão em quase todos os passeios e até vendedores de mercadoria contrafeita. Apercebi-me que não há uma estrada que não tenha um buraco enorme e, juntando a memória de ter visto aquela obra feita por uma empresa que me era bem familiar, senti um arrepio na espinha por pensar que, afinal estava em Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6630653113279005118?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6630653113279005118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6630653113279005118' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6630653113279005118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6630653113279005118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/07/wrocaw-tem-um-l-cortado-e-um-senhor-com.html' title='Wrocław tem um «L» cortado e um senhor com a pila à mostra'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/SIjXL2lzLJI/AAAAAAAAAIs/tbRWkRqmGTQ/s72-c/Wroc%C5%82aw+_5374.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-7290658550548201063</id><published>2008-02-18T10:50:00.002Z</published><updated>2008-02-18T11:00:27.511Z</updated><title type='text'>Movimento proactivo de fundação do carnaval do Monsanto</title><content type='html'>&lt;a href="http://i.s.sl.pt/a1adb2068d9e1068b432a522ff7d485e.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://i.s.sl.pt/a1adb2068d9e1068b432a522ff7d485e.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho uma ideia: vamos brincar ao carnaval no Monsanto. Sim, esse mesmo, o Monsanto de Lisboa. Querem melhor sítio para fazer um desfile de carnaval? Várias zonas estão cortadas ao trânsito, há zonas verdes com fartura e árvores para a malta se empoleirar a ver o corso. No final do dia há, digamos, hospedeiras dispostas a fazer vários tipos de serviço. Parece-me tudo reunido para uma grande festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a favor da criação de um movimento «pro-carnaval do Monsanto». Mas com uma condição: tem que ser num dia igual ao de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi o dia em que Lisboa acordou dentro do Rio Tejo. Se não era o Tejo, era um primo dele, tal a força com que a água jorrava lá do cimo do Monsanto, qual cascata num anúncio de &lt;em&gt;shampoo&lt;/em&gt;. Ruas inundadas, automóveis submersos e pessoas em dificuldades para chegar ao trabalho: querem melhor pretexto para convencer o Governo de que este era um dia perfeito para se fazer um feriado, chamar-lhe carnaval e deixar toda a gente de folga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria perfeito. O Governo decretaria feriado nacional para todos aqueles que quisessem ir para o Monsanto assistir ao desfile de carnaval, devidamente munidos com as suas barbatanas, &lt;em&gt;snorkel&lt;/em&gt;, fato impermeável e, quem sabe, prancha de &lt;em&gt;wakeboard&lt;/em&gt;. Pelo menos o disfarce de escafandrista seria um sucesso no carnaval do Monsanto, dia 18 de Fevereiro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* - PS. A foto estava no &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.sapo.pt/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;sapo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;. Não sei de quem é, mas tenho pena da pobre senhora e do seu discreto disfarce de carnaval.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-7290658550548201063?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/7290658550548201063/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=7290658550548201063' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7290658550548201063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7290658550548201063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/02/movimento-proactivo-de-fundao-do.html' title='Movimento proactivo de fundação do carnaval do Monsanto'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8122988064517206138</id><published>2008-01-27T10:46:00.000Z</published><updated>2008-01-27T11:11:48.088Z</updated><title type='text'>O Carnaval mais português de Torres Vedras</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5xm0RK1GII/AAAAAAAAAIc/g4NPem5FcU0/s1600-h/tvedr20498.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160112321207801986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5xm0RK1GII/AAAAAAAAAIc/g4NPem5FcU0/s200/tvedr20498.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O Carnaval de Torres Vedras é conhecido como &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.carnavaldetorres.com/"&gt;«O Carnaval Mais Português de Portugal»&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. É um bom &lt;em&gt;slogan&lt;/em&gt;, mas é, por si só, um erro: o Carnaval é brasileiro. De mais lado nenhum. Mesmo o de Veneza, que me parece um Carnaval bastante tradicional e histórico, não é um Carnaval a sério. É um carnavalinho, se quisermos. O Carnaval de Torres Vedras, tal como o Carnaval português, é uma invenção de gente parva.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No Carnaval de Torres Vedras há um &lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt; de cabeçudos. Imagino um estúdio amplo, solarengo, com soalho em madeira, telas por todo o lado e pauzinhos de incenso a arder e, nas paredes, uma exposição dos melhores cabeçudos de sempre, incluindo Paulo Bento, Mário Lino, Maria João Avillez, José Carlos Malato, Paula Bobone, Pedro Santana Lopes, Maria de Belém (e a sua prima, Fafá), Luiz Felipe Scolari e aquele rapaz que apresenta o &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.rtp.pt/"&gt;«Só Visto»&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; e que agora, parece, vai para a &lt;a href="http://www.sic.pt/"&gt;SIC&lt;/a&gt;, se couber com a cabeça nos corredores de Carnaxide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas afinal não: o &lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt; de cabeçudos é um projecto encabeçado (nem de propósito) por &lt;a href="http://www.carnavaldetorres.com/noticias/?id=13"&gt;Francisco Profírio&lt;/a&gt;, que faz demonstrações de como são construídos os tradicionais cabeçudos. Enalteça-se o esforço do Porfírio, mas na verdade alguém devia dizer-lhe que não é necessário fazer um &lt;em&gt;atelier&lt;/em&gt; para explicar como se faz um cabeçudo. Basta perguntar à mãe do José António Camacho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8122988064517206138?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8122988064517206138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8122988064517206138' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8122988064517206138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8122988064517206138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/01/o-carnaval-mais-portugus-de-torres.html' title='O Carnaval mais português de Torres Vedras'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5xm0RK1GII/AAAAAAAAAIc/g4NPem5FcU0/s72-c/tvedr20498.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-9143765659561821967</id><published>2008-01-25T12:32:00.000Z</published><updated>2008-01-25T13:33:38.716Z</updated><title type='text'>Por que não retomar as mais bonitas tradições de Carnaval?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5neyBK1GHI/AAAAAAAAAIU/N5ijrwR3KNI/s1600-h/carnaval_sujo02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159399799018297458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5neyBK1GHI/AAAAAAAAAIU/N5ijrwR3KNI/s320/carnaval_sujo02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Até 5 de Fevereiro, o inferno está por aí. Nas ruas, nas escolas e, sobretudo, nos corredores dos centro comerciais, onde se eleva consideravelmente o risco de tropeçar num homem-aranha ou numa fada de três anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loulé, Torres Vedras, Rio de Janeiro, Salvador, enfim, todas as localicades onde o Carnaval é tradição estão a preparar-se para o grande acontecimento, com a diferença de que, nas duas primeiras, é uma tradição parva e só dizem que é tradição porque sim. Em Ovar, o Carnaval ameaça ser o mesmo espectáculo de todos os anos, ou seja, gastam-se rios de dinheiro a preparar um evento de rua que resulta em alguns minutos de noticiário ao fim-de-semana e num incontável número de constipações em quem desfila - e em quem assiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfile do ridículo é tão decadente que terá uma grande noite de reis (vá-se lá saber porquê) no dia 1 de Fevereiro, pela tropa «Axu-Mal», o que, por si só, não augura nada de bom. Antes há uma noite do dominó ao som de Quim Barreiros e depois haverá desfiles para todos os gostos e uma matiné infantil «Charanguinha», a anteceder a «Noite Mágica». Tudo termina com a publicação de resultados, que serão, como tudo em Portugal, isentos e transparentes e deixarão umas boas dezenas de idiotas a lamentar o dinheiro que gastaram nisto tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triste espectáculo evitar-se-ia, quanto a mim, se fossem recuperadas algumas tradições do passado, essas sim verdadeiras heranças históricas do que seria um excelente motivo para se festejar o Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 50 chamava-se «Carnaval Sujo». E porquê? Basicamente porque deixava os intervenientes todos cagados de porcaria, assim como todos os que assistiam. &lt;em&gt;«O 'Carnaval Sujo' teve poucas edições, durante os anos 50, acabando por sucumbir aos seus próprios excessos»&lt;/em&gt;, pode ler-se no &lt;a href="http://carnaval.ovar.net/"&gt;&lt;em&gt;website&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; oficial do Carnaval de Ovar. Não entendo, devo dizer, o que se quer salientar por 'excessos'. Um bando de homens a atirar porcaria uns aos outros, incluindo cal, carvão ou serradura, parece-me um excelente pretexto para se armar um Carnaval. Nesta altura do ano ou noutra qualquer. A &lt;a href="http://www.latomatina.es/"&gt;&lt;em&gt;tomatina&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; de Buñol faz-se em Agosto a fechar umas festas tradicionais e não me parece que alguém se queixe, a não ser as centenas de espanhóis parvos de dão entrada no hospital com feridas de pele e olhos à Belenenses e queimaduras e problemas psíquicos. Podia retomar-se a tradição, em Ovar. De certeza que era mais divertido, as imagens na TV teriam todo um novo &lt;em&gt;élan&lt;/em&gt; e pelo menos a malta tinha motivo para descarregar as suas frustrações uns nos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo &lt;em&gt;website&lt;/em&gt; diz que &lt;em&gt;«pela sua singularidade, o 'Carnaval Sujo' ainda hoje é recordado como um importante marco do Carnaval Vareiro»&lt;/em&gt;, sem que se especifique a parte &lt;em&gt;«recordado por quem»&lt;/em&gt;, uma vez que já não existem pessoas suficientes que tenham entrado nestas festividades e, as que existem, são impedidas de recordar os acontecimentos por causa do &lt;em&gt;alzheimer&lt;/em&gt;. Mas as belíssimas fotos de época do &lt;a href="http://carnaval.ovar.net/carnaval_sujo.html"&gt;Estúdio Almeida&lt;/a&gt; lá estão para documentar o que se fazia naquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, isto devia voltar. Se assim fosse, passaria a olhar para o Carnaval de uma outra maneira e incentivaria todas as outras regiões do país a adoptarem este tipo de celebrações, com arremessos de ovos, picaretas, capachinhos, cabeças de zés-pereira, bloqueadores de automóveis mal estacionados, cabeças de porco embalsamadas, vendedores porta-a-porta do Clix ADSL, livros da Margarida Rebelo Pinto e, num lampejo de agressividade que fica sempre bem, talvez farinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem pague 10 euros para ver o corso carnavalesco. Dinheiro bem empregue era pagar 10 euros para ver parvos a atirar porcaria à cara de outros parvos. Isso sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-9143765659561821967?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/9143765659561821967/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=9143765659561821967' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9143765659561821967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/9143765659561821967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/01/por-que-no-retomar-as-mais-bonitas.html' title='Por que não retomar as mais bonitas tradições de Carnaval?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/R5neyBK1GHI/AAAAAAAAAIU/N5ijrwR3KNI/s72-c/carnaval_sujo02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-172380227504729875</id><published>2008-01-23T16:26:00.000Z</published><updated>2008-01-25T11:51:48.623Z</updated><title type='text'>Vermelho, em piemontês, quer dizer uma coisa completamente diferente</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.antoniodipietro.com/immagini2/traffico_autostradale.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.antoniodipietro.com/immagini2/traffico_autostradale.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sei quem ensinou os italianos a guiar, mas suspeito que terá sido o mesmo artista que ensinou as boas maneiras aos espanhóis. Turim não é uma cidade grande - milhão e meio de pessoas movimenta-se por aqui com o à-vontade de quem vai a Sintra comer um travesseiro, com a diferença que o trânsito não se acumula em Ranholas mas sim ao longo de todo o Rio Po (sim, chama-se assim. «Po» em italiano é «pouco», em português é uma coisa diferente; em piemontês, um dialecto que se fala na região de Piemonte, quer dizer «Po» porque nem eles sabem explicar a origem do nome do rio que nasce nos Alpes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turim tem umas avenidas largas, mesmo à italiana: de um lado o rio, do outro casas e mais casas. Ao meio passam as avenidas que têm quilómetros e extensão e, ainda mais ao meio, os carris dos eléctricos aqui da zona. O rapaz que pintou as marcas de trânsito no pavimento deve ser descendente do Leonardo Da Vinci, tão direitinho que pintou as linhas no chão. Estão um mimo: duas faixas impecavelmente desenhadas no asfalto, para identificar duas vias de trânsito no mesmo sentido. Infelizmente, os italianos - especialmente estes piemonteses - não percebem nada de arte, ou então andam todos no mesmo oftalmologista que lhes troca as dioptrias por completo. Em cada avenida de duas faixas, os condutores de Turim inventam, pelo menos, mais duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caos completo que, verdade seja dita, até parece muito organizado: toda a gente sabe que, havendo espaço, naquela avenida circulam, lado-a-lado, tantos carros quantos os que se encaixarem. Depois páram nos semáforos, que, curiosamente, estão com a luz verde acesa. Cruzando a via de outra avenida perpendicular aparecem vários carros a uma velocidade de fazer corar o Michael Schumacher. O que me leva a pensar que, estando este sinal verde, o deles estará vermelho. Esperei até ao semáforo seguinte para confirmar e é mesmo verdade: os italianos avançam com o sinal vermelho. Está instituído. É lei. Todos fazem, ninguém refila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é quando chegamos a uma praça central, ou coisa que o valha, onde nenhum artista plástico desenhou marcas no chão. Nessa situação, meus amigos, valha-nos São Tom Tom. Eles avançam em todas as direcções, sem medo uns dos outros, como guerreiros montados a cavalo em duelos de lanças. Tanto nos pode aparecer um carro de frente e passar pela esquerda ou pela direita, e isto no exacto instante em que outro carro nos ultrapassa a velocidade considerável. Da direita aparece um maluco a cruzar a avenida para o lado oposto e quase choca de frente com outro, que faz o sentido inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que acaba o susto e recuperamos os sinais vitais, começamos a achar divertido. É uma mistura de «Destruction Derby» com «Carmaggedon», mas em versão real. E a conclusão mais engraçada de todas é a de que os habitantes de Turim, todos aqueles com que consegui trocar três palavras sem ser em piemontês (que é uma língua que só os piemonteses percebem, e mesmo assim depois de entornar duas garrafas de tinto da Toscânia), não fazem a mínima ideia para que raio serve aquelas luzes vermelhas que se acendem nos semáforos. Aliás, a malta de Turim com quem conversei acha que o vermelho é simplesmente aquela cor que fica bem nos cartões que se mostram aos jogadores da Juventus no &lt;em&gt;derby&lt;/em&gt; da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turim faz-me lembrar a Roménia. O que não deixa de ser especialmente interessante, tendo em conta que eu nunca estive na Roménia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-172380227504729875?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/172380227504729875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=172380227504729875' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/172380227504729875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/172380227504729875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2008/01/vermelho-em-piemonts-quer-dizer-uma.html' title='Vermelho, em piemontês, quer dizer uma coisa completamente diferente'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-7473745882112894100</id><published>2007-11-05T16:32:00.000Z</published><updated>2007-11-05T17:10:11.050Z</updated><title type='text'>Visby: um sítio onde, na verdade, não se passa rigorosamente nada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Visby é uma cidade perdida no meio do nada e fica próxima de lugar nenhum. A cidade em si foi fundada no Século X, na altura como capital da ilha báltica de Gotland, mas desde então até cá parecem ter passado apenas três meses, porque, ao que parece, está tudo na mesma. As casas estão tão velhas que o musgo e a podridão se recusam a apoderar-se delas. Não se vê viv’alma nas ruas, talvez porque está a chover como o raio e quem andar cá fora só pode ser maluco. Ou parvo. Há estradas que entram e saem de florestas sem que se veja uma única habitação, mas caixas de correio crescem na beira da estrada como cogumelos. O ambiente é dramaticamente medieval e a qualquer altura esperamos ver aparecer de uma viela estreita um cavaleiro de armadura, montado no seu cavalo raquítico e de lança em riste. A UNESCO resolveu classificar Visby como património da Humanidade, mas se há coisa que não se vê por aqui é sinal da vida humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9NvxAWadI/AAAAAAAAAHk/D2vP8m3iMi0/s1600-h/Kobe3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129403983602280914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9NvxAWadI/AAAAAAAAAHk/D2vP8m3iMi0/s200/Kobe3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A própria ilha de Gotland é um deserto. Só que sem areia (pudera, com tanta chuva e neve!). Gotland é território sueco e Visby quer dizer &lt;em&gt;«sítio do sacrifício».&lt;/em&gt; Não sei por que motivo, mas desconfio que é por ser uma verdadeira provação ter que viver num sítio assim. Para evitar que a malta quisesse fugir dali, certamente por não ser o sítio mais animado do reino da coroa sueca, os antigos donos da cidade mandaram construir um muro a toda a volta, conhecido por &lt;em&gt;«Ringmuren»&lt;/em&gt;, uma estrutura em pedra que tem quase três quilómetros e meio de extensão e que ainda hoje existe, não vá algum &lt;em&gt;visbyense&lt;/em&gt; maluco desatar a querer pirar-se dali para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malta daqui não é especialmente simpática. Primeiro porque fazem-se quilómetros e quilómetros sem se ver ninguém. E quando finalmente chegamos a um lugar onde se pode confraternizar, não há quem saiba falar inglês. Como o meu sueco é quase tão bom como a capacidade de raciocínio do Luís Delgado, a comunicação faz-se por gestos, coisa que esta rapaziada não acha grande piada. Parece que têm medo que sejamos emissários da Dinamarca armados com paus e fisgas para os atacar – isto porque, consta, durante anos e anos estas gentes de Visby foram atormentadas por um tal de Valdemar, um pretendente ao trono da Dinamarca que entrou por aqui e anexou o território. O Valdemar Atterdag, quarto de uma descendência que honrava tão bonito nome, era um grandecíssimo mariola e mau como as cobras. Filho de Cristóvão II, acabou preso na Alemanha por causa da incompetência do pai em liderar os exércitos dinamarqueses nas suas batalhas no norte da Europa. Assim que se libertou, reuniu um grupo de bêbados e desatou a conquistar territórios inofensivos na Escandinávia até conseguir autoproclamar-se rei da Dinamarca. Como se não bastasse ter virado o reino da Dinamarca de pernas para o ar – coisa em que até o Shakespeare reparou – ainda deixou suecos, noruegueses e finlandeses às bofetadas uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os pobres habitantes de Visby, como se não fosse castigo suficiente ter que viver às ordens de um dinamarquês emproado chamado Valdemar e ainda por cima num sítio onde a maior emoção do dia é capaz de ser ir ao leite (tendo em conta que não há vacas, têm que ir tirá-lo aos cavalos), do lado oposto da cidade ainda tinham que aturar os piratas, que vinham as magotes, dentro dos barcos-rabelo. Durante anos e anos a cidade foi conhecida como o principal porto de abrigo para piratas, ladrões, violadores, administradores do Benfica, cateiristas, espanhóis e todo o tipo de escroques, se bem que apenas os piratas davam nas vistas, porque se embebedavam todas as noites e ficavam às tantas a cantar o &lt;em&gt;«Soltem os Prisioneiros»&lt;/em&gt; dos Delfins em plena rua, sem deixar a malta dormir. O &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt; dos piratas era liderado pelos irmãos Victual, que tinham pouco ou nada a ver com os irmãos Vickers que fizeram o primeiro voo da História – um desastre com uma máquina ridícula que pairou a três centímetros do chão durante 13 segundos, mas suficientemente espectacular para alguém ter considerado que aquilo era o primeiro avião da História. Os irmãos Victual eram sustentados pela rainha Margarida da Dinamarca e pelo Duque Alberto de Mekelenburg, um antepassado do Alberto do Mónaco que, à imagem deste, era um grande garanhão e queria à força engatar a Margarida. Então encarregou os irmãos Victual – que vem do latim &lt;em&gt;«victualia»&lt;/em&gt;, ou seja, provisões – de irem aos países vizinhos roubar tudo o que ele precisava para fazer a corte à rainha: roupas lavadas há pelo menos seis meses, um ramo de flores de plástico para nunca murcharem e pauzinhos de incenso para queimar enquanto faziam cenas de um erotismo extremo ao som dos melhores êxitos de Sérgio Godinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9OCBAWaeI/AAAAAAAAAHs/d7AXr4OE81Q/s1600-h/Kobe6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129404297134893538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9OCBAWaeI/AAAAAAAAAHs/d7AXr4OE81Q/s200/Kobe6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A situação atroz que se vivia em Gotland e em Visby só se resolveu em 1645, depois dos alemães terem ajudado a destruir de vez o que sobrava de bonito na cidade, ou seja, todas as igrejas, com excepção da grande catedral, que era para se abrigarem do frio (que aqui corta mais do que a lâmina da catana do talhante do meu bairro). Pegaram fogo a tudo o que apanharam pelo caminho para se aquecerem, porque estavam a bater o dente e a ficar com frieiras nos joanetes, de maneira que ainda hoje existem essas ruínas. A malta acha que é para dar charme e para convencer a UNESCO a dar alguma importância à cidade, mas eu cá desconfio que é mesmo porque está um frio que não se aguenta e reconstruir casas antigas ao frio deve estar a meio caminho entre uma pneumonia e um ataque de anginas. O Tratado de Brömesbro pôs termo a 300 anos de ocupação dinamarquesa (calma lá que o tal o Valdemar não durou tanto tempo e já não era vivo nessa altura, morreu aos 294 anos quando tentava contair matrimónio com uma armadura espanhola, depois de ter passado a noite a fazer amor com duas lituanas loiras que, afinal, eram Vikings de bigode e tranças). O armistício foi acordado entre a Suécia e, na altura, a aliança Dinamarca/Noruega, que acederam a devolver o território em troca de um presunto de Chaves, uma edição de coleccionador do primeiro volume da revista Gina, um duplo-&lt;em&gt;vinyl&lt;/em&gt; da Mireille Mathieu no Olympia e duas &lt;em&gt;game-box&lt;/em&gt; para o Estádio de Alvalade, incluindo jogos para a Champions.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malta de Visby não chama Visby a Visby. Chamam-lhe «cidade». Um sueco de Estocolmo traduzia a conversa para nós: &lt;em&gt;«eles dizem que têm que ir visitar a cidade porque vale a pena»&lt;/em&gt;. Mas qual cidade? &lt;em&gt;«A cidade»&lt;/em&gt;. Pois. Só há uma, chama-se Visby e, digo-vos eu que nunca minto, é quase tão grande como a Cova do Vapor, na Trafaria. Com menos estilo, claro. É um aglomerado de casas a perder de vista – há uma aqui ao pé de nós e outra a uns 750 metros de distância e, garantem-nos, estas duas famílias são amigas há várias gerações. Cafés, não há. Parece que há um bar junto à muralha, no porto, onde se pode ver o futebol e tudo (o dono do bar pede a um amigo de Gotemburgo para lhe gravar os jogos do campeonato em Betamax e ao fim-de-semana organiza sessões de visionamento para toda a gente da cidade assistir, o que prefaz uma assistência de umas dezasseis pessoas). A loja de &lt;em&gt;souvenirs&lt;/em&gt; tem um ar mesmo típico daqui desta região. Só vende redes de pesca, isco, anzóis, canas, barcos de borracha, galochas, impermeáveis, capotes, amarras e fios de &lt;em&gt;nylon&lt;/em&gt;, o que me deixou seriamente a pensar se não teria a tradução equivocada entre «loja de recordações» e «loja de pesca».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9OQBAWafI/AAAAAAAAAH0/X_VhZSXXrTQ/s1600-h/Kobe1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129404537653062130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9OQBAWafI/AAAAAAAAAH0/X_VhZSXXrTQ/s200/Kobe1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É tradição a ilha encher-se de gente no Verão, porque só chove às meias-horas de seguida e a temperatura quase rebenta a escala do termómetro, atingindo uns infernais 15 graus! As pessoas instalam-se em tendas de campismo ali bem junto às águas do Báltico, que nessa altura do ano convidam a um belo mergulhinho com os seus 9 graus que mais parecem uma canja de galinha. Na semana nº 32 de cada ano do calendário romano, ocorre uma festa muito popular por estas bandas: a semana medieval. É nesta altura do ano que os turistas se cruzam frequentemente com pessoas locais vestidas à época, com saiotes e sandálias do tempo do Ben-Hur e semi-armaduras a proteger o tórax e as partes baixas. Os turistas acham piada e riem-se, mas nem desconfiam que esta gente anda assim vestida o ano todo, porque nunca aprenderam a vestir-se de outra maneira e a Cosmo não chega a Visby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste cenário bucólico, deserto, inóspito e mais alguns sinónimos para «feio» e «sinistro» que não se passa rigorosamente nada. Não passam carros, não há gente nas ruas, não há mendigos com realejos nem ceguinhos a pedir no metro. Nem sequer uma ciganita a vender camisas da Gant por 15 euros. Nada. Não se ouve um pio, porque os pássaros, uns morreram de tédio, outros de frio e os que restavam fugiram para o Ártico para ver se descobriam pinguins (sem saber que os pinguins emigraram todos para o Hemisfério Sul a bordo do Lusitânia Expresso). No meio de uma ilha fria, quase morta e sem nada para fazer, um maluco endinheirado resolveu construir um circuito de velocidade. O Gotlandring é conhecido como a mais exigente pista de velocidade a Leste de Estocolmo, mas claro que se esqueceram de dizer que é também a única. É um projecto fantástico, que por agora tem pistas com nove quilómetros de perímetro e várias configurações possíveis, estrutura para todo o tipo de ensaios de automóveis, bancadas para corridas de campeonato e zonas para testes técnicos e científicos. No futuro, vai ter mais 20 km de pistas para percursos de todo-o-terreno, ralis, &lt;em&gt;snowmobile&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;mushing&lt;/em&gt;. É uma logística interessante e moderna, alimentada por um complexo eólico de umas três ou quinze ventoinhas gigantes. As ventoinhas chamam-se «Vestas», em homenagem ao idiota que resolveu fazer uma obra destas num sítio onde não mora ninguém, o sol põe-se às três da tarde, chove o ano todo e chegar lá demora, no mínimo, metade de uma eternidade... &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-7473745882112894100?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/7473745882112894100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=7473745882112894100' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7473745882112894100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7473745882112894100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/11/visby-um-stio-onde-na-verdade-no-se.html' title='Visby: um sítio onde, na verdade, não se passa rigorosamente nada'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Ry9NvxAWadI/AAAAAAAAAHk/D2vP8m3iMi0/s72-c/Kobe3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8538035444785155611</id><published>2007-06-20T15:52:00.000+01:00</published><updated>2007-06-20T16:09:22.377+01:00</updated><title type='text'>Fazes favor dás-me um croissant antes que lhe chame «pão-de-mafra»?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;Eu não sou obrigado a saber falar francês, pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou desenrascado em línguas. Dou uns toques de inglês, desenrasco-me com o italiano (basicamente, acabo todas as palavras em &lt;em&gt;«ini»&lt;/em&gt; e parece que me safo..), cuspo-me todo a falar espanhol e gostava de ter ficado na escola tempo suficiente para saber falar português. Mas no francês estou perto da nulidade, como de resto em tudo o mais na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rnk_0hQFwhI/AAAAAAAAAG8/Fu34w7j0FcM/s1600-h/DSCF2291.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078160226348548626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rnk_0hQFwhI/AAAAAAAAAG8/Fu34w7j0FcM/s200/DSCF2291.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Estive uns dias em França e tive que tentar falar francês por várias vezes, se bem que, em algumas das tentativas, me tenha ficado só mesmo pela tentativa. Pelo menos a avaliar pelo ar com que me olhavam quando eu tentei o &lt;em&gt;«sile vû plé, le chemã pûr lá avenue de lá grande armê»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em França, no essencial, os que lá vivem sabem falar três línguas: francês, francês fanhoso e francês amaricado. Tudo originário das línguas românicas. Quanto a entender, só entendem francês. E, mesmo assim, é bom que seja um francês perfeito como o do Toulouse Lautrec. Não adianta preparar mentalmente a frase para depois chegar e dizê-la com sotaque da Arrentela. Não resulta. Ou se diz &lt;em&gt;«excusez-moi, est-ce que vous savez le chemin pour Chartres?»&lt;/em&gt;, ou não adianta. Se vamos numa de &lt;em&gt;«ikscuze-moi, saves le chemin para Chates?»&lt;/em&gt;, parece que os estamos a perguntar pela irmã muçulmana de 17 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranjaram-me um alojamento curioso: um castelo. Não era um castelo dos &lt;em&gt;pin-y-pons&lt;/em&gt; nem o castelo do drácula. Era um castelo a sério. Trouxe uma fotografia e tudo, para mostrar que não ando aqui para enganar ninguém. Alguém decidiu reconstruir totalmente um antigo castelo senhorial e converteu-o assim numa espécie de turismo rural. Perdido no meio de um bosque, à noite só vêem os candeeiros da entrada e a lua a tentar espreitar por detrás das nuvens. Por dentro, os longos corredores estão decorados com cabeças de veado embalsamadas, capacetes de armaduras, brazões, morcegos, espadas e espingardas do início do século. Sim, eu disse morcegos e está certo. Morcegos verdadeiros. Dentro de um dos quartos estava um, comodamente pendurado numa das vigas de madeira, a descansar o seu belo soninho, quando alguém acendeu a luz e ele começou a esvoaçar completamente perdido às cabeçadas a tudo o que apanhava pela frente. O quarto que me arranjaram não tinha morcego, mas também não tinha sanita. Se acaso me desse a vontade, tinha que atravessar o corredor a correr, sendo provável que lá chegasse impróprio para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rnk_6RQFwiI/AAAAAAAAAHE/zqgnJV4XxfA/s1600-h/DSCF2282.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078160325132796450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rnk_6RQFwiI/AAAAAAAAAHE/zqgnJV4XxfA/s200/DSCF2282.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A senhora que andou a distribuir os hóspedes pelos quartos falava francês com o tom grave e monocórdico daquele rapaz que faz o programa de rádio «A Hora do Lobo». Mas falava ainda mais baixinho, para não acordar o dono do castelo. Do seu francês coloquial só percebi a que horas era o pequeno-almoço e qual era o número do meu quarto. O sítio onde eu ia dormir tinha uma área maior que a da minha casa, porque ocupava, na totalidade, a extremidade do castelo, aquela «chaminé» redonda que se vê na imagem. A casa de banho era um bocadinho mais pequena, mas sempre dava para fazer um joguinho de Futsal, uma vez que a sanita estava ausente e bidé – que por acaso é uma invenção francesa do século VII, portanto, contemporânea do castelo – nem vê-lo. A banheira estava arrumada num canto e tinha mais ferrugem que as gruas abandonadas da Setnave. O soalho range como nos filmes de terror (nos maus). A porta não fecha. Os estores não descem, mas as cortinas sempre fecham, mesmo que pesem como chumbo. Deitei-me em cima da cama e afundei-me quase até ao andar de baixo. Não sabia que era permitido fazer colchões tão moles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi a correr para estar pronto a horas na manhã seguinte. A mesa, comprida e larga como a do rei Louis XV, estava cheia de pão tipo cacete, que os franceses transportam com mestria debaixo do sovaco, e &lt;em&gt;croissants&lt;/em&gt; acabadinhos de fazer, segundo o que a senhora estalajadeira disse. Ou então disse outra porcaria qualquer, mas eu quis acreditar que eram elogios às propriedades estaladiças dos &lt;em&gt;croissants&lt;/em&gt;. Resolvi perguntar pela manteiga: &lt;em&gt;«sile vû plé, ú-é le borre?»&lt;/em&gt;. A gargalhada de quem estava à mesa fez-me sentir um comediante, mas a cara da madame era mais para o insulto do que para a piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cedo, manhã muito cedo, mas o portageiro parece fresco como um carapau na lota de Leixões. Apeteceu-me perguntar-lhe onde raio é que andava ontem às duas da manhã, quando cheguei à porcaria da portagem e não estava lá ninguém. Rigorosamente ninguém. A partir de uma certa hora, as portagens funcionam em auto-gestão: ou trazes o cartãozinho de crédito para pagar no automático, ou bem que ficas parado porque a cancela não sobe. Olhei outra vez para ele e disse, com esmero na voz: &lt;em&gt;«dones-muá le récibe?»&lt;/em&gt;. Ele riu-se, o palhaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse momento decidi começar a falar inglês com todos os que apanhasse pela frente, mas o chauvinismo dos franceses é tão grande que encolhem os ombros e juram a pés juntos que não entendem inglês. E também dizem que não percebem português quando lhes digo &lt;em&gt;«o Sarkozy é bêbado»&lt;/em&gt;. E eu, que sou uma besta, não sei dizer-lhes nada de jeito em francês, para os deixar mesmo irritados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei convencido que tenho que aprender a falar francês. Por nenhum motivo que me seja verdadeiramente útil, apenas para poder ofendê-los com mais estilo e perceber de que maneira me insultam de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1999, o francês era a 11ª língua mais falada no mundo. A língua portuguesa é a 5ª mais falada em todo o mundo, embora a maior parte dos 210 milhões que a falam a tratem com os pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8538035444785155611?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8538035444785155611/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8538035444785155611' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8538035444785155611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8538035444785155611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/06/fazes-favor-ds-me-um-croissant-antes.html' title='Fazes favor dás-me um croissant antes que lhe chame «pão-de-mafra»?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rnk_0hQFwhI/AAAAAAAAAG8/Fu34w7j0FcM/s72-c/DSCF2291.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-1987885880756625654</id><published>2007-05-04T22:24:00.000+01:00</published><updated>2007-05-07T15:15:15.595+01:00</updated><title type='text'>O banho, a meia, a toalha e o parvo: há um turco para cada necessidade</title><content type='html'>Há o banho turco, a meia turca, o atoalhado turco de qualidade e o turco propriamente dito. O turco propriamente dito é um cidadão, essencialmente, parvo. A única coisa que não é parva no turco é o facto de odiar de morte os gregos, já de si criaturas bastante parvas. Mas o que nem turcos nem gregos sabem, na verdade, é que eles são iguais. Tão iguaizinhos, que parecem irmãos. Como se, nos primórdios, o chefe de uma família «turcomenigrega» tivesse sido forçado a expulsar dois dos seus filhos de casa: a um, mandou-o para um país retalhado e plantado entre os mares Mediterrâneo, Adriático e Egeu, dando-lhe como castigo um &lt;em&gt;puzzle&lt;/em&gt; gigante de pequenas ilhas das quais nunca ninguém conseguirá decorar todos os nomes; ao outro, mandou-o para a Ásia tratar de uma gigantesca propriedade rural, com apenas uma unha negra plantada do lado de cá de um estreito. O turco odeia o grego porque acha que ele ficou a ganhar. Como se houvesse alguma coisa a ganhar no facto de se ser grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8u6B-0EFI/AAAAAAAAABc/DlGxejyCAJk/s1600-h/DSCF1637.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061816080686911570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8u6B-0EFI/AAAAAAAAABc/DlGxejyCAJk/s320/DSCF1637.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A Turquia é da Europa, mesmo que, na verdade, esteja toda enfiada na Ásia à excepção de um bocadinho de terra que o Atatürk se esqueceu do lado de cá. A capital política da Turquia está na Ásia, porque Ankara é uma cidade absolutamente desinteressante, plantada mesmo no meio do território, onde basicamente apenas se passam reuniões e encontros de políticos mal vestidos. E orações dos árabes. Mesmo assim, a Turquia é da Europa. Quer ser da União Europeia, embora ninguém no seio da verdadeira Europa queira abrir as portas a um país com enormes desigualdades sociais e problemas humanitários graves. Sim, é verdade que já cometeram esse erro com Portugal, daí não quererem repetir. Ainda para mais quando, em Bruxelas, toda a gente se faz desentendida sempre que se fala na Turquia: &lt;em&gt;«Turkey? Oh, that is for lunch, right?»&lt;/em&gt;, é o que costumam dizer. Porque, acima de tudo, a União Europeia não está preparada para abrir os braços a um país que, entre a sua população, tem uma grande predominância de turcos, que é o mesmo que dizer «ciganos, mestiços de todas as origens e árabes».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Istambul já se chamou Bizâncio e, depois, Constantinopla. Também já foi Augusta Antónia e Secunda Roma. Como nenhum dos nomes era brilhante, passou a chamar-se Istambul, que é sem dúvida uma evolução na continuidade. Istambul não é a capital da Turquia, apesar de ser a metrópole mais populosa de todas. De longe: moram 11 milhões de pessoas em Istambul e seus arrabaldes, o que significa que Portugal inteiro cabia nos 31 distritos de Istambul. É a única cidade do mundo que se situa em dois continentes. O Bósforo é um estreito que esventra Istambul ao meio, criando um contraste interessantíssimo: de um lado estão os turcos parvos que têm a mania que são europeus; do outro estão os turcos parvos que se riem dos turcos parvos que têm a mania que são europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8wyh-0EHI/AAAAAAAAABs/tZP88uyS7sc/s1600-h/DSCF1438.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061818150861148274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8wyh-0EHI/AAAAAAAAABs/tZP88uyS7sc/s320/DSCF1438.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Andar de carro em Istambul é ter a sensação permanente de que se vai matar um turco a qualquer instante. Eles atiram-se para o meio da estrada em qualquer lado e ninguém percebe como conseguem escapar sem ser atropleados. Isto porque os próprios condutores turcos são mais perigosos do que um cinto de explosivos de um palestiniano. Há, portanto, uma relação muito próxima entre suicídio, martírio, assasínio e acidente. Os condutores dos &lt;em&gt;taksis&lt;/em&gt; (assim se escreve táxis em turco) discutem travagens com os condutores dos &lt;em&gt;otocars&lt;/em&gt; (assim se escreve autocarros em tuco), tudo à mistura com os candutores de &lt;em&gt;ambulâncias&lt;/em&gt; (não fixei como se escreve ambulância em turco). É uma discussão de milímetros e são momentos de grande &lt;em&gt;frisson&lt;/em&gt;, especialmente se, pelo meio, ainda aparecer um turco parvo a atravessar a estrada. Imaginem a situação: trânsito compacto mas uma média de velocidade respeitável, digamos 70 km/h, o que não deixa de ser interessante tendo em conta que pelo meio existem vários semáforos com contador decrescente dos segundos que faltam para o sinal abrir, o que dá todo um novo sentido à expressão «piloto de semáforo»; o &lt;em&gt;taksista&lt;/em&gt; acelera, o condutor do &lt;em&gt;otocar&lt;/em&gt; também; disparado lá de trás, vem o condutor da ambulância (bolas, como é que me fui esquecer do nome em turco...) e passa pela faixa número cinco, aquela que acabou de inventar numa via só de duas faixas, espremido entre um Renault 12 a cair de podre e um riquexó; do passeio, acelera furiosamente um turco a correr em direcção ao centro da faixa de rodagem; a &lt;em&gt;ambulans&lt;/em&gt; (lembrei-me!!) não lhe acerta por uma nesga, mas o &lt;em&gt;taksista&lt;/em&gt; faz pontaria à bacia mas também falha por milímetros; o turco pedestre abranda o ritmo, olha com ar zangado e diz qualquer coisa em turco que deve ter sido do género &lt;em&gt;«se te apanho racho-te uma vareta de pita shoarma nos cornos!»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cidades que são conhecidas pelos seus motes, as suas expressões imortais. Como Paris é a cidade-luz ou Nova Iorque é a cidade que nunca dorme. Istambul é a cidade que não deixa ninguém dormir. Os turcos guiam com o pé no acelerador, a mão direita no volante e a esquerda na buzina. Buzinam, buzinam, buzinam e buzinam mais um pouco. E quando estão cansados de buzinar, há sempre um turco companheiro disposto a buzinar por eles. Na Praça Taksim, uma das maiores e mais movimentadas da cidade, a sinfonia de buzinas é ensurdecedora. Todas afinadas em Fá Maior e com cornetas duplas. Às seis da tarde é um verdadeiro inferno: vem gente aos magotes de todas as direcções e, para variar, atravessam onde calha, que é o mesmo que dizer, no primeiro pedacinho de estrada que encontram; há tantos automóveis que não se vê a estrada; cheira a &lt;em&gt;shoarma&lt;/em&gt; por todos os lados, o que não é de admirar porque porta-sim, porta-não existe uma casa de repasto que prepara carninha e batatinhas fritas inundadas de óleo; há gente a vender flores, papagaios de papel, jornais, bolos, bilhetes para a bola, senhas grátis para os bares de &lt;em&gt;strip&lt;/em&gt; e latas de &lt;em&gt;turka-cola&lt;/em&gt;; anda gente de mão dada, homens com homens, e garantem-me que não é por serem &lt;em&gt;gays&lt;/em&gt;; em todo o lado há alguém a pescar, mulheres imcluídas; passam senhoras com óculos &lt;em&gt;ray-ban&lt;/em&gt; a conversar com amigas cobertas por uma &lt;em&gt;burka&lt;/em&gt; da cabeça aos pés...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8x5R-0EJI/AAAAAAAAAB8/ET0P2glVqUM/s1600-h/DSCF1567.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061819366336893074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8x5R-0EJI/AAAAAAAAAB8/ET0P2glVqUM/s320/DSCF1567.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É um sítio de enormes contrastes. E de trastes, também. No fundo, é como se este bocado da Turquia ainda estivesse a meio de um processo de reconversão num sítio moderno: o mais modernaço dos jovens mestiços vestido com um blusão de cabedal ainda cumprimenta o amigo com dois beijos na face, como manda a tradição, ao mesmo tempo que o convida a dar uma voltinha no seu novíssimo Dacia Logan. Até porque basta atravessar a ponte para o lado da Ásia para perceber que, do lado de lá, a Turquia é outra. De tal maneira que não existe água potável e quem tiver sede tem que comprar a um dos múltiplos representantes que vende um garrafaozito mediante encomenda pelo telemóvel. É fácil dar com os números deles: há uma placa pregada em cada poste da estrada. Por falar nisso, as estradas de asfalto normal acabam depois da ponte de saída da Europa e a picada com buracos passa a ser o piso típico. Não se vê uma única patrulha polícial nesta zona - ficaram todos em Istambul a ver o engarrafamento passar. É literalmente isso que fazem: ficam a ver. Não gesticulam, não apitam, não ajudam a fazer aquele caos movimentar-se mais depressa. Aliás, nem sequer abordam os carros mais estranhos que por eles se cruzam, porque andámos mais de 150 km com um carro sem matrícula e nenhum deles achou estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se disse há pouco, Istambul é a cidade que não deixa ninguém dormir e muita da culpa é dos polícias. Na noite em que o ilustre visitante mais precisava de dormir, andava um turco com um megafone na praça Taksim a gritar qualquer coisa em turco, provavelmente insultos de morte aos gregos (aliás, eu percebi como os senhores do hotel colocaram, habilmente, a bandeira portuguesa ao lado da grega lá fora... acham que têm muita piadinha...). Como as construções turcas são irrepreensíveis e as paredes são reforçadas de forma sólida com o melhor papel vegetal que eu já vi, o estúpido do turco está a falar pelo megafone lá em baixo e eu oiço tudo no 11º andar como se ele estivesse na casa-de-banho. Mas haja esperança!, eis que lá em baixo se aproxima o carro da &lt;em&gt;polisi&lt;/em&gt; turca, com os «pirilampos» ligados e tudo! Então, mas... pararam... espera lá!, por que raio é que eles não o mandam calar??!... os polícias ficam dentro do carro a uma respeitável distância de 10 metros e, eles próprios, usam o seu próprio megafone para o mandar calar. À falta de um, dois megafones para ninguém dormir. Segundo me explicaram depois, acho que os &lt;em&gt;polisi&lt;/em&gt; têm receio que cada maluco seja um terrorista com explosivos amarrados à cintura (quem os pode censurar?), daí que não se aproximem, sob pena de poderem chegar a casa dentro de vários sacos-plásticos. Ou então não foi nada disso e o que me explicaram foi que o maluco era do Beşiktaş e os polícias do Fenerbahçe e apenas ficaram a trocar insultos. Sei lá, não percebia nada do que os turcos diziam. Porque o domínio da língua inglesa por parte de um turco é fascinante: entre um &lt;em&gt;«rélou»&lt;/em&gt; e um &lt;em&gt;«fóq-iu»&lt;/em&gt;, não sabem mais nada. Nem andaram na escola tempo suficiente para aprender o &lt;em&gt;«tânq-iu»&lt;/em&gt;, tal a raridade com que o usavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8ylh-0EKI/AAAAAAAAACE/PvWyoX8moa8/s1600-h/DSCF1847.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061820126546104482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8ylh-0EKI/AAAAAAAAACE/PvWyoX8moa8/s320/DSCF1847.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas não deixa de ser impressionante a quantidade de vocábulos que sabem de português: um dos empregados do restaurante aproximou-se aos gritos &lt;em&gt;«AAAHH CRISTIANO RONALDO!»&lt;/em&gt;. Foi de tal modo expressivo que toda a gente achou que o Cristiano Ronaldo propriamente dito estava a jantar naquele restaurante, ainda por cima na nossa mesa (houve duas turcas que se levantaram e tudo...). Como receio de que «Cristiano Ronaldo» fosse uma qualquer espécie de ofensa em turco, resolvemos mostrar um ar ofendido e respondemos: &lt;em&gt;«Hakan Şükür!!»&lt;/em&gt; (assim mesmo, com cedilhas e tudo). Mas afinal parece que não, o empregado turco estava apenas a mostrar que sabia falar português, e deu mais exemplos: &lt;em&gt;«Luuísse... Figô»&lt;/em&gt;... e também &lt;em&gt;«RRuí Costá»&lt;/em&gt;... e finalmente &lt;em&gt;«Ricardó Cuarêsmá»&lt;/em&gt;. Este último não espanta ninguém, os ciganos têm família em todo o lado e o Quaresma tem, provavelmente, uma costela turca. Bem vistas as coisas, os turcos têm afinal, todas as referências culturais importantes sobre Portugal. Apenas lhes falta aprender a dizer &lt;em&gt;«o melhor português de sempre»&lt;/em&gt;, mas &lt;em&gt;«Salazar»&lt;/em&gt; é uma palavra complicada para um turco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitas diferenças entre turcos e portugueses e, neste aspecto, estou em crer que Deus foi simpático (resta saber com quem...). Quem se queixa do trânsito que há em Lisboa devia fazer um estágio de duas horas em Istambul. Quem se queixa da qualidade da saúde no nosso país devia ser obrigado a ir a uma urgência na Turquia... porque morria infectado só de ver o aspecto das urgências. Quem se queixa da higiene nos restaurantes de Portugal devia ir almoçar a uma tasquinha turca, porque lá a higiene... bom, ninguém sabe quem é essa gaja. Mas em muitos outros detalhes, os turcos são tal-e-qual os portugueses. Na capacidade de organização e logística, por exemplo. À chegada ao aeroporto havia, no mínimo, catorze indivíduos de casaco e gravata (de cores vermelhas) à espera da delegação portuguesa. Um deles segurava uma placa que dizia «Portugal». Outro, imediatamente ao lado deste, também. Aos pares é muito mais eficiente. Ao lado destes dois, mais dois rapazes de casaco vermelho. A missão deles é apontar para outros três colegas, eles sim vão ajudar-nos a perceber para onde vamos. Um deles diz qualquer coisa em turco e nós pedimos ao tradutor que ajude: &lt;em&gt;«ele disse que vão ficar no melhor hotel de Istambul!»&lt;/em&gt;. A sério?, perguntámos com entusiasmo. &lt;em&gt;«Não»&lt;/em&gt;, disse o tradutor. Numa coisa os turcos são iguaizinhos aos portugueses: têm a mania que têm piada. Ao fim de catorze turcos de casaco vermelho, aparece um turco de casaco preto. Ele tem a missão de nos arranjar o &lt;em&gt;transfer&lt;/em&gt; para o hotel. Após sete minutos completamente perdido, aos gritos com toda a gente e em todas as direcções sem que alguém o tenha ajudado a descobrir o &lt;em&gt;otocar&lt;/em&gt; que nos leva ao hotel, o turco de casaco preto ausenta-se por instantes e regressa, agora vestido com um casaco vermelho. A mensagem era bem clara: &lt;em&gt;«eu tenho um casaco vermelho, sou igual aos outros todos, por isso não tenho responsabilidade nenhuma de vos arranjar um autocarro»&lt;/em&gt;. Durante 25 minutos ninguém foi capaz de nos arranjar um transporte dali para fora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8zeB-0ELI/AAAAAAAAACM/8PsxTe-usK0/s1600-h/DSCF1875.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061821097208713394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8zeB-0ELI/AAAAAAAAACM/8PsxTe-usK0/s320/DSCF1875.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Istambul é uma cidade que não sossega e é o cenário ideal para evidenciar um detalhe no qual os turcos são claramente superiores aos portugueses: no «desenrascanço». O &lt;em&gt;otocar&lt;/em&gt; aventurou-se por umas ruas estreitas e, inevitavelmente, deu com um beco em que quatro carros mal estacionados impediam a sua progressão. Sem problema! Um ilustre cidadão que estava ali de esquina rapidamente sacou do bolso um apito (isso mesmo, qual Paulo Paraty) e desatou a assinalar &lt;em&gt;penalties&lt;/em&gt; com todo o oxigénio que tinha nos pulmões. Em menos de dois minutos apareceu o dono do primeiro carro para o tirar dali e os restantes não demoraram mais do que cinco minutos. O homem do apito liderou toda a manobra a partir do exterior, no final da manobra sorriu e agradeceu a ovação dos passageiros, sem sequer ter pedido uma moedinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a noite finalmente começa a acalmar e lá em baixo, na praça Taksim, apenas se escuta o ruído das oito máquinas de limpeza da rua trabalham no local, o Bósforo, no horizonte, começa a mostrar os primeiros raios de sol. E é nessa altura que o &lt;em&gt;iman&lt;/em&gt; daquela região sobe à instalação sonora da mesquita, começando a cantar para se ouvir em toda a cidade e chamar todos os fiéis muçulmanos à primeira oração do dia. Não há quem durma em Istambul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-1987885880756625654?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/1987885880756625654/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=1987885880756625654' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/1987885880756625654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/1987885880756625654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/05/o-banho-meia-toalha-e-o-parvo-h-um.html' title='O banho, a meia, a toalha e o parvo: há um turco para cada necessidade'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/Rj8u6B-0EFI/AAAAAAAAABc/DlGxejyCAJk/s72-c/DSCF1637.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-8993981374584025378</id><published>2007-03-16T12:58:00.000Z</published><updated>2007-03-16T13:49:26.770Z</updated><title type='text'>Pago 100 euros a quem lhe der com um globo no focinho. Ou com outra coisa pesada.</title><content type='html'>Cláudio Ramos tem um &lt;a href="http://eucladio.blogspot.com"&gt;blog&lt;/a&gt;. Cláudio Ramos está nomeado para uma coisa chamada &lt;a href="http://sic.sapo.pt"&gt;Globos de Ouro&lt;/a&gt;. Cláudio Ramos está nomeado para uma nova categoria "vilão", embora nessa categoria se destine, inicialmente, a elogiar o desempenho de um actor que represente personagens. Na verdade, até faz sentido, porque Cláudio Ramos é também um personagem. Dos maus. Mas é. Cláudio Ramos escreve coisas no seu blog. Cláudio Ramos escreveu no seu blog um incentivo para &lt;a href="http://euclaudio.blogspot.com"&gt;votarem nele &lt;/a&gt;nos Globos de Ouro. Cláudio Ramos tem a distinta lata de pedir que a malta VOTE NELE, para isso tendo a necessidade de FAZER UMA CHAMADA DE VALOR ACRESCENTADO. Cláudio Ramos quer à força ganhar um Globo de Ouro para poder subir ao palco e fazer um descurso em que vai dedicar o prémio ao Ped... ao amor da sua vida. Cláudio Ramos quer que a malta gaste dinheiro para que ele possa brilhar. Cláudio Ramos é parvo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-8993981374584025378?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/8993981374584025378/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=8993981374584025378' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8993981374584025378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/8993981374584025378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/03/pago-100-euros-quem-lhe-der-com-um.html' title='Pago 100 euros a quem lhe der com um globo no focinho. Ou com outra coisa pesada.'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3873945142898660184</id><published>2007-02-28T14:13:00.000Z</published><updated>2007-02-28T16:17:37.234Z</updated><title type='text'>Mais vale morrer do que ir ao médico. Pelo menos devo ser atendido mais depressa...</title><content type='html'>A porta das urgências é daquelas que tem mola para um lado e para o outro. Isto é, tanto se pode empurrar de um lado como de outro, o que desde logo faz aumentar a probabilidade de haver mais potenciais «clientes» da própria urgência (imaginem só um choque frontal de macas empurradas freneticamente de um lado e de outro da porta!). Como se não bastasse, sendo uma urgência portuguesa, está sempre a abarrotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da dupla porta de abrir para os dois lados há uma campainha. Ao lado da campainha está um papel que diz «para urgências toque a campainha e aguarde». Ou seja, se eu estiver todo partido, a esvair-me em sangue, prestes a entrar em paragem respiratória e a precisar de reanimação, tudo o que tenho a fazer é tocar a campainha. E aguardar. Pronto! Tanta procura, tanto dinheiro gasto em pesquisa e tanto prémio nobel mal entregue, quando a cura para todos os males está numa simples campainha! Basta tocar e aguardar, a estúpida da urgência resolve-se num instante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que, sendo uma urgência portuguesa, quaisquer quarenta-e-cinco minutos chegam para alguém vir atender à campainha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo sítio da urgência fica o sítio das consultas. O que significa que a sala de espera é a mesma. O que, por sua vez, significa que uma criança com um terçolho, uma idosa com pedra na vesícula, um motociclista com uma perna ao peito e o nariz nas costas, uma senhora com uma bronco-pneumonia e um simples rapazola que vai a uma consulta para saber o que são umas borbulhas na cara, todos juntos, coabitam no mesmo espaço. Desde logo é um ambiente fantástico, nem uma &lt;em&gt;rave&lt;/em&gt; com o melhor «xtc» proporcionaria uma &lt;em&gt;trip&lt;/em&gt; melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente ao &lt;em&gt;guichet&lt;/em&gt; estende-se uma fila de umas sete ou trinta-e-nove pessoas. A senhora que supostamente deveria atender, marcar as consultas e dar andamento ao assunto, conversa mais com as colegas do que com os doentes (faria se fossem «saudáveis»). Sempre que, finalmente, decide atender quem está à espera, aparece alguém a meter nojo que passa à frente de todos com a desculpa que &lt;em&gt;«vai só fazer uma perguntinha»&lt;/em&gt;. Quando finalmente chega a vez de quem está ali apenas por recomendação de um médico que, no alto da sua sabedoria, achou que o seu paciente deveria ser visto uma segunda vez e com maior atenção, a senhora diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- «Mas já marcou consulta?»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- «Não, mas o médico é que disse para eu vir e mostrar este papel assinado por ele»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- «Eu compreendo, mas ele ainda não chegou... entre ali e pergunte por ele»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- «Já perguntei por ele, dizem que ainda não chegou. O que faço?»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- «É melhor ir lá abaixo ao Piso-0 pedir que lhe marquem consulta aqui em cima»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- «E depois?»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- «Depois volta aqui para lhe marcarmos a consulta»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- «Então de que adianta ir lá abaixo?»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- (silêncio constrangido)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- «E depois volto para o fim da fila?»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- «S... sim...»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- «Ok, obrigado. Talvez o médico me veja ainda este século»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois admiram-se que as pessoas, na sua mais inocente credulidade, desejem que exista um Dr. Gregory House em cada hospital...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3873945142898660184?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3873945142898660184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3873945142898660184' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3873945142898660184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3873945142898660184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/02/mais-vale-morrer-do-que-ir-ao-mdico.html' title='Mais vale morrer do que ir ao médico. Pelo menos devo ser atendido mais depressa...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6912323419415439120</id><published>2007-02-21T19:07:00.000Z</published><updated>2007-02-21T19:37:46.132Z</updated><title type='text'>Exibicionismo, estupidez ou simples sinais de masoquismo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Milhares de pessoas convergiram ontem até Estarreja para assistir ao Corso de Terça-feira. Nem chuva, nem frio, nem vento impediram que centenas de graúdos e miúdos desfilassem na Praça Francisco Barbosa durante mais de duas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom. Para já, se foram «centenas», quer dizer que não foram «milhares». O que até me parece uma decisão sensata por parte dos «milhares» que decidiram não ir (pudera!, chuva, frio e vento são convites demasaido tentadores para ficar em casa na restomenga!). Mas o que é preocupante é que «centenas» decidiram, ainda assim, ir enfiar os miolos debaixo do mau tempo, o que me parece um extraordinário exemplo de masoquismo. Ou então, apenas parvoíce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pior que tudo, parece que entre as «centenas» havia miúdos e graúdo. Quanto aos graúdos, estou-me a borrifar, cada um tem o que merece. Quanto aos miúdos, coitados, tenho que lamentar porque eles, de facto, não têm possibilidade de escolha e fazem o que os papás lhes dizem. Tivessem ficado em casinha e talvez os papás tivessem que puxar pelas ideias para lhes arranjar uma festinha de carnaval menos atreita a gripes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que, felizmente, a profecia cumpriu-se: nesta espécie de Verão de São Martinho que todos os anos tentam inventar para o carnaval, não há bom tempo que lhes valha - está sempre um frio de rachar e chove a potes. Quem andou na rua segunda e terça-feira pôde, finalmente, na quarta-feira seguinte, voltar a protestar contra o fecho das urgências. Sobretudo porque, nesse dia especialmente, lhes fazia um jeito dos diabos um médico que lhes acudisse a gripe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6912323419415439120?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6912323419415439120/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6912323419415439120' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6912323419415439120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6912323419415439120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/02/exibicionismo-estupidez-ou-simples.html' title='Exibicionismo, estupidez ou simples sinais de masoquismo?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-1043943805150892835</id><published>2007-02-18T11:10:00.000Z</published><updated>2007-02-18T18:09:54.721Z</updated><title type='text'>Mais um enorme sucesso no carnaval de Torres Vedras: todos ficaram a ver as imagens do Rio de Janeiro pela TV</title><content type='html'>&lt;em&gt;in JN, sexta-feira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A chuva que caiu, esta manhã, em Torres Vedras, levou ao cancelamento do tradicional desfile de Carnaval das crianças das escolas locais.&lt;br /&gt;«Não há condições climatéricas para colocarmos as crianças na rua», explicou Carlos Bernardes, vice-presidente da autarquia, à Agência Lusa.&lt;br /&gt;Muitas crianças viajaram das freguesias rurais de autocarro para a cidade mas acabaram por regressar às suas escolas. «Estivemos sempre em contacto com a transportadora para acautelar que as crianças não se molhassem mas como o mau tempo prosseguiu fomos obrigados a cancelar o desfile», acrescentou Carlos Bernardes.&lt;br /&gt;O desfile das crianças mascaradas marca tradicionalmente o início do Carnaval de Torres Vedras. Este ano, as escolas confeccionaram os fatos e as máscaras tendo como inspiração o tema "povos de todo o mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acrescento eu: e não é que valeu mesmo a pena tanto trabalho?!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-1043943805150892835?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/1043943805150892835/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=1043943805150892835' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/1043943805150892835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/1043943805150892835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/02/mais-um-enorme-sucesso-no-carnaval-de.html' title='Mais um enorme sucesso no carnaval de Torres Vedras: todos ficaram a ver as imagens do Rio de Janeiro pela TV'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-2831075396988207158</id><published>2007-02-17T20:27:00.000Z</published><updated>2007-02-18T18:10:20.229Z</updated><title type='text'>O truque é respirar fundo, ler um livro, rir das exibições do Benfica... que quarta-feira chega num instante</title><content type='html'>E pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá está mais um. Andam crianças por aí vestidas de homem-aranha, aperaltadas com o maior aprumo por parte dos pais, que por sua vez se mascaram com o melhor fato de treino que conseguem encontrar na gaveta de cima, tudo para esse passeio de fim-de-semana ao Feira Nova. Hoje já vi de tudo: crianças vestidas de fadas, coelhos, bruxas, floribellas, morangos com açúcar amarelo, batmans, borboletas, esquimós, zorros, serventes de pedreiros, empregadas da limpeza, um palhaço mascarado de pessoa normal, um careca de fato e gravata que parecia mesmo caixa de um banco, uma freira que parecia mesmo um pinguim, uma loira de salto alto que parecia mesmo prostituta e um rapaz com o cabelo encaracolado e mais crescido do lado de trás, assim a cair sobre os ombros, que parecia mesmo um jogador de futebol. Ah, esperem, afinal era mesmo jogador de futebol. Bom, mas todos os outros eram disfarces perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta tradição genuína e tipicamente portuguesa já chegou. Aliás, ainda eu estava a recuperar da ressaca do ano novo e o carnaval já andava a querer saltar-me para a frente dos olhos através das sempre versáteis montras das lojas. Pois parece que é este fim-de-semana que é o carnaval, esse altíssimo momento do calendário que está enraizado na cultura portuguesa há, pelo menos, 17 anos. Talvez mesmo 18, os historiadores não se entendem muito bem. *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* a propósito disto, lembrei-me de uma coisa: parece que aquela noção que temos dos Açores, desde o tempo da escola, não é bem verdade. Aprendemos que os Açores se chamam Açores por causa desse pássaro chamado açor que havia nos Açores quando os Açores foram descobertos. Ora diz um historiador que, afinal, nunca houve açores nos Açores (e parece que os biólogos confirmam). Parece que os gajos que acompanhavam o Gonçalo Velho Cabral, o tipo que descobriu o arquipélago (quer dizer, aqui também não há consenso, há quem diga que foi o Diogo de Silves), não eram lá muito espertos nem sabiam distinguir um falcão de uma barracuda, daí terem chamado açores a um bando de milhafres mais subnutridos que a águia do Benfica. Mas há outro historiador que diz que isso é tudo treta e que os Açores se chamam Açores porque o tal do Gonçalo Velho Cabral era de uma terra beirã que se chamava Açor, daí ele ter achado que era um bom nome para aquele grupo de ilhas. E depois apareceu o Zé Hermano Saraiva que, para ser do contra, resolveu defender a teoria que a tripulação do Velho Cabral era formada por italianos que, ao chegar a Sta. Maria, vendo um dia de sol tão bonito e céu azul (absolutamente típico, sem dúvida!), disseram a plenos pulmões «AH!, Azzurri!»... que tem tudo a ver com «Açores», claro! Bom, desculpem-me esta trapalhada, mas não sei em quem acreditar. Para mim os Açores chamam-se Açores porque sim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde é que eu ia?... Ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de celebrar o carnaval em Portugal tem tanto de parva como de estúpida. Ou seja, é verdadeiramente parva e estúpida, daí que possa considerar-se ser uma das poucas instituições em Portugal a conjugar esses dois epítetos, juntamente com o comentador desportivo Rui Santos (que ainda junta mais dois atributos, ser feio e bimbo), o apresentador da Praça da Alegria, Hélder Reis, e o seu congénere Carlos Dias da Silva. À Odete Santos falta-lhe ser parva para estar neste grupo. Ao Santana Lopes falta-lhe ser estúpido (por convicção). O João Kléber não é português, por isso não conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda cheguei a pensar converter-me, este ano, ao grupo dos imensos foliões que celebram de forma entusiástica, de norte a sul do país, esse sagrado momento que é o carnaval. Três segundos depois, deixei de pensar nisso. E então fiquei preocupado, porque vou voltar a ter que passar por isto tudo, cruzar-me com gente mascarada e pessoas que não estão mas parecem, voltar a ver crianças enfeitadas da cabeça aos pés e ter que ver, constantemente, pseudo-reportagens televisivas sobre o sucesso que está a ser o carnaval de Ovar, com as 47 pessoas que estão a assistir na rua, ao vivo, ao «corso», debaixo de uma saraivada de canivetes e de um frio de rachar. *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Ovar parece-me um sítio parvo para se fazer um carnaval. Mais parvo do que qualquer outro, quero dizer. A não ser que se mantenha a tradição de mandar ovos à cabeça da malta. Então «ovar» passa a ser outro sentido completamente diferente e totalmente ajustado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para este ano arranjei um truque: ver uns filmes de guerra, um drama francês sem princípio meio ou fim, um filme de animação e uma reprodução autobiográfica do Almodovar e, para fechar o fim-de-semana, uma comédia de rir às gargalhadas (parece que o Benfica vai jogar à Madeira). Assim mantenho-me longe dessa tragédia que é o carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é aquele país onde os culpados nunca são castigados, os pedófilos nunca são condenados, os corruptos fogem sempre, os ricos são cada vez mais ricos, o Alberto João Jardim cada vez mais ignóbil, o país em que as pontes caem e os comboios resvalam para o rio sem haver culpados, os radares são instalados nas cidades mas a maior parte das multas são por excesso de álcool e ausência de carta, o país onde uma menina que faz serviços alternativos escreve um livro &lt;em&gt;best-seller&lt;/em&gt;, o país em que os presidentes de câmara fazem todo o tipo de negócios imobiliários em proveito próprio, sem nunca serem punidos, o país em que a banca nos tem agarrados pelos tomates e ainda se queixa que tem que pagar muitos impostos, o país onde o preço dos combustíveis sobe enquanto nos outros desce, o país em que no Verão há incêndios e no Inverno há cheias, o país em que os jogadores de futebol querem ficar isentos de obrigações fiscais, o país onde um director de um jornal escreve um texto a elogiar uma vintena de empresas portuguesas pelo seu empreendorismo e capacidade de investir em negócios no estrangeiro, esquecendo que parte delas nem cumpre as suas obrigações fiscais em Portugal... o país em que quase crucificavam um antigo-primeiro-ministro-hoje-presidente-da-república porque sugeriu que o carnaval - que raio! - não tinha nada que ser um feriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo são tristezas, nem tudo é fado. Pelo menos fico imensamente feliz por saber que Cláudio Ramos recebeu o diploma de «Excelente Comunicador», emitido pela «Mundial Casa», empresa que comercializa produtos como o Vaporetto Titano. Haja qualquer coisa que nos orgulhe, catano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. - acabei de ver umas imagens do carnaval de Torres Vedras. Maravilhoso. Espectáculo fascinante. Estrondosa mistura de culturas tão diferentes: de um lado, os visitantes, com os seus blusões apertados até ao pescoço por causa do frio; do outro lado, as brasileiras a abanicar as pernas para mantê-las aquecidas, aproveitando para ganhar uns trocos só a dar ao rabo (atenção, eu disse dar «&lt;strong&gt;AO&lt;/strong&gt;» rabo, sem confusões).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-2831075396988207158?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/2831075396988207158/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=2831075396988207158' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/2831075396988207158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/2831075396988207158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/02/o-truque-respirar-fundo-ler-um-livro.html' title='O truque é respirar fundo, ler um livro, rir das exibições do Benfica... que quarta-feira chega num instante'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4152460951224660844</id><published>2007-01-30T17:19:00.000Z</published><updated>2007-01-30T17:34:38.073Z</updated><title type='text'>Não sei onde fica o Inferno, mas suspeito que é em Atenas...</title><content type='html'>Não faço ideia onde fica o Inferno. Já tentei saber junto de algumas pessoas que faleceram, mas não obtive resposta. Já li sobre o assunto, mas não fiquei esclarecido. Parece que os pensadores, filósofos, teólogos e autores de livros também não se conseguem entender sobre a localização ou o tipo de acolhimento no Inferno: há uns que acham que é um pequeno &lt;em&gt;spa&lt;/em&gt; com o qual os mortos se cruzam apenas de passagem, queixando-se obviamente da temperatura da água, que está demasiado elevada; outros acreditam que é todo um aglomerado de cavernas e masmorras nas profundezas do Universo, onde se sofre como o raio, não se come nada de jeito, faz um calor dos diabos (no verdadeiro sentido da expressão «um calor dos diabos») e onde os demónios são bichos ruins que destratam os mortos, vergastando-os com paus e fisgas; e há também quem acredite que o inferno tem sete portões, um para cada tipo de morto, dependendo da quantidade de travessuras que cometeram em vida, do estilo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 1&lt;/strong&gt;, indivíduos que nunca acharam piada aos anúncios do Ecoponto”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 2&lt;/strong&gt;, indivíduos que em toda a sua vida nunca aprenderam a dizer correctamente as palavras &lt;em&gt;‘parteleira’&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;‘númaro’&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;‘curássant com creme’&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;‘standér de automóveis’&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 3&lt;/strong&gt;, indivíduos que já foram sócios do S.L. Benfica”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 4&lt;/strong&gt;, indivíduos que deram dinheiro para assistir a pelo menos uma encenação do Filipe La Féria”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 5&lt;/strong&gt;, indivíduos que pertenceram a bandas de música que tivessem incluído as palavras ‘Roxette’, ‘Scorpions’ ou ‘Quinta do Bill’”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 6&lt;/strong&gt;, indivíduos que começam as frases com a expressão &lt;em&gt;«é assim...»&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;- “&lt;strong&gt;portão 7&lt;/strong&gt;, advogados, primeiros-ministros, presidentes de câmaras, actores da Floribella, presidentes de clubes de futebol, comentadores políticos da TVI, funcionários das finanças, violadores, assassinos, espanhóis e outros escroques do género”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, faltam explicações, minha gente. Ainda ninguém provou onde fica esse tal de Inferno e como se faz para lá chegar: vira-se à direita ou à esquerda em Fernão Ferro? E afinal, para que é que ele serve, se as pessoas quando lá chegam já estão mortas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço ideia onde fica o Inferno, mas suspeito que fica na Grécia. Não faço ideia porque chamam “Inferno” ao “Inferno”, porque o verdadeiro nome do “Inferno” devia ser “Atenas”. É o único sítio do mundo inteiro – e olhem que eu conheço quase o mundo inteiro, falta-me apenas a ilha melanésica de Vanuatu e a Trafaria – que eu acredito que seja pior que o Inferno, mesmo nunca lá tendo estado (no Inferno).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As placas que indicam as direcções estão escritas em duas línguas: em língua de cão, aquela que tem os caracteres indecifráveis mas que tem uma oralidade minimamente parecida à de um catalão ofendido; e em linguagem ocidental, o que ainda assim não serve para nada, porque mesmo a tradução é incompreensível. As ruas parecem Bagdad antes de um bombardeamento, mas para pior, porque no Iraque pelo menos os bombardeamentos sempre contribuem para limpar algum do lixo do chão. Quanto às placas de trânsito, não tenho dúvidas, foram mesmo directamente importadas de Bagdad: não há uma que não tenha buracos feitos por um calibre 9mm ou mesmo por um zagalote de caçadeira de canos cerrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito de Atenas faz os passageiros frequentes do IC19 corar de vergonha de todas as vezes que lembram as queixas sobre a demora nas filas. Entrar numa das avenidas do centro de Atenas por uma das perpendiculares leva o mesmo tempo que ir de Gaia ao Estádio do Dragão, via Ponte da Arrábida. Às oito da manhã. As vias principais até são grandes, assim tipo a largura da Avenida da Boavista, ainda que com um comprimento sete vezes maior. Há vários cruzamentos pelo meio, quase todos eles com sinais de trânsito que proíbem a inversão de marcha. Pois em quase todos eles há gregos a fazer inversão de marcha. Únicos cruzamentos onde ninguém faz inversão de marcha: aqueles em que, de facto, é permitido fazer inversão de marcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos não gostam lá muito de matrículas. Cruzei-me com, pelo menos, uns 70 que andavam sem matrícula atrás, uns 190 que andavam sem matrícula à frente, e até com um que não tinha nem atrás nem à frente. Vi um Smart sem matrícula, que transportava um cão atrás dos bancos, naquela amostra de porta-bagagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os lados aparecem motos. Nascem das ruas pequenas, dos passeios, dos cruzamentos, de dentro de casas e garagens. Aparecem de todos os lados, como moscas em volta de uma sardinhada. Sou tentado a pensar que as motos, em Atenas, não têm travões. Deve ser um extra. De todos os gregos que vi em cima de uma moto, e eram quase tantos como os japoneses que visitavam a Acrópole, nenhum usava o travão. Nem mesmo na iminência de serem esmagados no meio de dois carros que trocavam de faixa. De todos os motociclistas que vi, praí uns três ou dezassete mil, só quatro usavam capacete: um para proteger o cotovelo, dois para proteger o pendura, e outro que, de facto, usava o capacete na cabeça, mas afinal era um alemão. Anda tudo sem capacete, calma e descontraidamente, sem medo de ter um acidente numa cidade em que o trânsito é tão sossegadinho (porque, na verdade, não anda nem para a frente nem para trás). E sem medo dos polícias, porque de facto é proibido andar sem capacete em Atenas. Mas não se nota. Os polícias, gente simpática, estão impecavelmente fardados e até têm luvas brancas. Não vi um deles que fosse a multar motociclistas por andarem sem capacete. Nem mesmo quando, em frente a um polícia que tentava mandar avançar o trânsito num cruzamento, uma moto de &lt;em&gt;cross&lt;/em&gt; e uma &lt;em&gt;scooter&lt;/em&gt; quase chocaram de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso até assisti a um choque: um furgão e uma carrinha de caixa aberta. Num cruzamento, claro. 394 automóveis tentavam avançar e aí uns 792 tentavam fazer inversão de marcha. Do outro lado, um enxame de motos tentava cruzar a via da esquerda para a direita. O furgão e a carrinha de caixa aberta tocaram-se, frente com flanco, e os condutores começaram a discutir. Como tenho uma certa dificuldade em entender essa língua de gregório… perdão, de grego, fiz como os ingleses me ensinaram e comecei a tentar decifrar a amena cavaqueira de ambos pela &lt;em&gt;body language&lt;/em&gt;. O resultado foi este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Tira daí o camião, ó palhaço!”&lt;br /&gt;- “Eu já cá estava quando chegaste aqui e palhaço és tu, ó arraçado de Karagounis!”&lt;br /&gt;- “É é… deves ser do Panathinaikos, com esse mau feitio!”&lt;br /&gt;- “Por acaso sou do Olympiakos!”&lt;br /&gt;- “Olha, tem graça, eu também sou!”&lt;br /&gt;- “E aquele jogão de ontem, hã?! Somos os maiores!”&lt;br /&gt;- “Este ano vamos ser campeões da Europa, pá!”&lt;br /&gt;- “Isso já fomos! Aviámos os portugueses!”&lt;br /&gt;- “Vá, baza daí e deixa-me passar. Até um dia destes!”&lt;br /&gt;- “Tchau! Porta-te bem!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com a ideia que os gregos, especialmente os de Atenas, são uns saudosistas. Passam a vida a lembrar feitos históricos do passado: os primeiros Jogos Olímpicos, a tomada de Tróia a bordo do &lt;em&gt;ferry-boat&lt;/em&gt;, ou melhor, a bordo do cavalo, os primeiros teatros, os grandes filósofos, a conquista do Euro-2004, o início das obras no Partenon (em 1983)… A certa altura, numa fila de trânsito – uma das mais pequenas, tinha apenas uns 17 quilómetros de extensão – há um grego que sai do carro dele e dirige-se para o carro de trás (convém esclarecer que o carro de trás era aquele em que eu estava). Bate na janela do condutor que, complacente, baixa o vidro. Ele pergunta qualquer coisa em grego, do género:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Sabes como é que se vai para a ilha de Creta, virando à esquerda em Fernão Ferro?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ao que o condutor responde:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Sorry. Don’t speek greek.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E o grego:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Ah… no greek… ‘oquéi’… where are you from?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E nós:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Portugal.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E o estúpido:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-“Ahhh… ‘Portugaló’!... You remember… euro-2004?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E nós:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “E se fosses apanhar no…?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitar os pontos históricos de Atenas tem a sua piada, até porque não consta que haja um monumento de homenagem à conquista do Euro-2004 (se houvesse, talvez fosse a estátua de um brasileiro de bigode sentado num tarolo). Subir ao alto da Acrópole, afinal, não custa nada (qualquer Bom Jesus enfia aquela subida num chinelo) e aquilo lá em cima até tem piada. Os gregos sempre foram rapazes extremamente evoluídos: demoraram anos e anos e anos (e mais anos e anos) para construir essa obra fabulosa que é o Partenon e estão a demorar anos e ainda mais anos para acabarem com as obras de restauro. Mas sempre andaram claramente à frente do seu tempo: mesmo construído no Século-V a.C., o Partenon apresenta uma interessante colecção de sofisticados andaimes de ligas metálicas modernas. Espalhada pelo recinto histórico está uma série de pedras com gravuras em relevo, todas elas vedadas para ninguém lhes tocar. São pedras que foram restauradas e pertencem aos monumentos, só que ninguém sabe a que parte. É tipo &lt;em&gt;puzzle&lt;/em&gt;: hão-de caber num sítio qualquer, logo se vê. Lá para o ano 2047 pensa-se nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até há um museu lá em cima, onde estão expostas peças de arte recuperadas do interior dos monumentos da Acrópole, gravuras incompletas (todas em mármore roubado às ilhas do Mediterrâneo) que os gregos dos tempos modernos não conseguiram gamar na totalidade. Em cada canto do museu há uma estátua de um grego com a pila à mostra. Do lado oposto, há mais estátuas, desta feita gregas vestidas com fardas modernas e sentadas em pequenos banquinhos. Ah… afinal não são estátuas. São gregas a sério e estão vivas, pese embora as únicas partes do corpo que mexem sejam os maxilares, os lábios, o bigode e a língua, para gritarem&lt;em&gt; “no flash!”&lt;/em&gt; à malta que ignorou aquela advertência à entrada do museu que dizia… &lt;em&gt;“não tire fotos com flash”&lt;/em&gt;. É que ninguém obedecia, se calhar porque o aviso estava em grego. Emprego estimulante, esse de empregada de museu. Imagino-as a chegar a casa, à noite, lá pelas 23h, depois de terem saído do trabalho às cinco da tarde e de terem apanhado um pouquinho de trânsito, à mesa com o grego que as comprou, perdão, que casou com elas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Bem, Alexandrinis, nem imaginas o meu dia hoje”&lt;br /&gt;- “Então que tal?”&lt;br /&gt;- “Tive que dizer ‘no flash!’ trinta e quatro vezes, foi extenuante!”&lt;br /&gt;- “Hum-hum… passa aí a pita shoarma, ó fáxavôr…”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que uma das coisas mais bonitas da Acrópole é a vista que se tem sobre a cidade de Atenas. Confesso que tenho alguma dificuldade em entender o que há de “bonito” numa cidade que se estende a perder de vista, com um aglomerado de construção 85 vezes pior do que a Fonte da Telha (numa área útil quase igual), e com uma nuvem de poluição a pairar sobre as casas, mais castanha que um dia de São Martinho. Algures lá pelo centro da cidade, mais ou menos naquela zona em que se vê a estrutura do Estádio Olímpico (o novo, aquele mamarracho que só serviu praticamente para os Jogos Olímpicos de 2004), há uma interessante mistura cultural: entre um prédio mais moderno, um hotel e uma embaixada, há sempre uma mesquita de inspiração ortodoxa, quase todas elas com aspecto mais abandonado que o Túnel do Rossio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor de Atenas, para mim, é a pista de onde os aviões levantam voo dali para fora. Fiquei com uma ideia razoável do hotel onde fiquei, uma construção moderna e feita muito com orientação de &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;. Até gostei do hotel. Talvez porque era fora da cidade. E porque até se chega lá rapidinho: hora e meia (de carro) desde o centro até lá, um percurso de uns três quilómetros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4152460951224660844?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4152460951224660844/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4152460951224660844' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4152460951224660844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4152460951224660844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/01/no-sei-onde-fica-o-inferno-mas-suspeito.html' title='Não sei onde fica o Inferno, mas suspeito que é em Atenas...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-6444705630542740689</id><published>2007-01-23T21:40:00.000Z</published><updated>2007-01-23T22:13:03.054Z</updated><title type='text'>Carlos Castro: clone, guru, musa inspiradora ou simplesmente padrinho?</title><content type='html'>&lt;div&gt;Carlos Castro é aquele. Sim, esse mesmo. Trejeitos amaricados, voz de quem se vai despedaçar em cacos ao mais leve encontrão do Marcantonio del Carlo, crítica social e travestis. Calma, não é confusão nenhuma. É mesmo de Carlos Castro que estou a falar, não de Cláudio Ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que, um e outro, não sendo a mesma pessoa - Castro tem a sua proveta... perdão, provecta idade, Ramos tem quase a mesma mas fez plásticas, incluindo uma mamoplastia de aumento que não foi bem sucedida... mas ele há-de voltar a tentar - são pelo menos bem clonados um a partir do outro. Ramos clonado a partir de Castro, bem entendido. Carlos Castro, com a sua enorme experiência na criação de seres idênticos a si por força das múltiplas encenações da Gala dos Travestis, resolveu dar um passo em diante: ele foi o Ian Wilmut que criou a sua Dolly, a ovelha sendo Cláudio Ramos, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://jpn.icicom.up.pt/imagens/sociedade/carlos_castro.JPG"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://jpn.icicom.up.pt/imagens/sociedade/carlos_castro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Simplificando: Carlos Castro tem em Cláudio Ramos o seu mais perfeito afilhado, o seu infante, o seu escudeiro, o filho que nunca vai ter, o protótipo de tudo aquilo que gostava de ser. A língua-comprida que ele não pode ter, porque a idade não perdoa e, se chamasse pelos nomes todos quanto critica nas suas colunas sociais, um destes dias levaria um ensaio de porrada tão grande que nem para dar aos porcos serviria. (A propósito, já repararam que, nas crónicas de jet set de Carlos Castro, os elogiados são sempre chamados pelos nomes, e os criticados são sempre mencionados por indirectas e nunca pelos nomes? Esclarecedor sobre coluna vertebral, não?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois parece (parece, porque eu não sei, só ouvi dizer) que Carlos Castro resolveu, numa das suas crónicas do jornal 24 Horas, desancar de alto a baixo o espectáculo recente do Bruno Nogueira. Parece que o Nogueira se refere a ele durante o espectáculo. Parece que Castro não grama dessas intimidades. E vai daí responde-lhe, tipo escândalo de varina ofendida, mas através do 24 Horas. Fino. Finíssimo, diria. É que até se dá ao luxo de admitir que não viu o espectáculo, mas mesmo assim critica. Porque ele teve lá uns amigos que contaram como foi baixo nível e, !credo!, um horror, uma coisa sem gosto. Não sabem do que falo? Então entendam isto melhor graças ao &lt;a href="http://lmfm.blogspot.com/2007/01/carlos-castro.html"&gt;blog amigo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conheço Carlos Castro. Mas disseram-me que ele é um grande maricas. Gosta pouco que o estreotipem por causa das preferências sexuais, mas é o primeiro a usar a crítica pessoal e reles (vide as citaçoes &lt;em&gt;«aquela coisa comprida e magra, com uma cabeça esquisista»&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;«quanto à obsessão que tem por mim, sobre a sexualidade nojenta que expõe, está descansado que não faz o meu género»&lt;/em&gt;) e a usar da bicheza para reagir como uma Madalena de orgulho ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não conheço o Bruno Nogueira. Mas pelo menos há que admirar aquele cabelo de maluco. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-6444705630542740689?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/6444705630542740689/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=6444705630542740689' title='19 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6444705630542740689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/6444705630542740689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/01/carlos-castro-clone-guru-musa.html' title='Carlos Castro: clone, guru, musa inspiradora ou simplesmente padrinho?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-4605488255235056342</id><published>2007-01-20T19:38:00.000Z</published><updated>2007-02-18T18:09:31.845Z</updated><title type='text'>Se é Deus que cria as coisas mais belas da vida, onde estava com a cabeça quando criou Cláudio Ramos?</title><content type='html'>Estaria bêbado? Ou estava apenas aborrecido connosco (sim, com nós todos) por lhe andarmos a estragar o planeta que criou com tanto amor e carinho? Se Deus criou as coisas mais belas que há, então porque é que criou as mais horripilantes também? E, pior ainda, por que razão resolveu criar Cláudio Ramos? Talvez tenha sido uma experiência que lhe correu mal, tipo Frankenstein... mas pelo menos esse monstro serviu para se escreverem livros e fazer filmes. Cláudio Ramos bem queria saber escrever e que fizessem filmes sobre ele, mas o César Monteiro já morreu. E só ele seria capaz de repetir a proeza de fazer um filme sobre nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://img.photobucket.com/albums/v447/SonicoCyborg/claudioramos.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v447/SonicoCyborg/claudioramos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Cláudio Ramos teve um blog. Ou tem, ainda não percebi bem. Bom, se calhar ainda tem, mas não lhe apetece mais. Ou anda demasiado ocupado, que isto de falar dos outros profissionalmente é coisa que ocupa tempo. Nesse blog Cláudio Ramos escrevia tanta coisa boa, mas tanta coisa boa, que não resisto a trazer-lhes aqui algumas pérolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Escrever é sempre um risco. Porque nunca sabemos muito bem quem vai ler, como vai avaliar o que escrevemos e o mais complicado de tudo, é que por vezes nos mostramos demais, sem ter a certeza se vale realmente a pena...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não deixa de ser curioso constatar que Cláudio Ramos vive preocupado com o que possam pensar dele. Tem medo de se expor demais e de ser 'avaliado' por causa disso. O que, de facto, é totalmente o oposto do que ele próprio faz para ganhar a vida (bom, apenas uma das coisas que faz para ganhar a vida, vá). Cláudio Ramos é pago para falar (mal) dos outros. Suspeito, até, que é pago para falar (mal) dos outros exactamente com aquele jeito efeminado com que apresenta o novo trem de cozinha IdeiaCasa. Fez disso profissão e não parece nada preocupado com o facto de avaliar os outros, o que eles fazem e dizem, nem parece preocupar-se que essas pessoas se mostrem de mais. Tem a certeza que vale, realmente, a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Eu sei que faço crónicas para a tv7Dias, escrevo contos na Men's Healts, entrevistas na Zapping Tv Cabo e ainda tenho o descaramente de estar no meu segundo romance...»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto está assim mesmo, &lt;em&gt;hipsis-verbis&lt;/em&gt;, no blog da adamada criatura. É natural, portanto, que Cláudio Ramos tenha receio de ser avaliado pelo que escreve. Porque, também nisso, é uma nulidade. Escreve «tv7Dias» apenas com o «D» maiúsculo, não sabe escrever «Men's Health» (é porque «Men's Healts» é mais parecido com o que se diz na oralidade...) e ainda tem o «descaramente» de publicar estas coisas. Gralhas todos damos, meus caros. Mas para quem estava tão preocupado com a reacção dos outros, é deveras preocupante. Sobretudo tendo em conta que Cláudio Ramos escreve... romances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Tenho amigos, uma mulher de sonho, familia como toda a gente, mas falta-me a coragem»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Bom... a ver se nos entendemos, Cláudio Ramos. Tem amigos? E fala mal deles gratuitamente? Ou também lhe pagam para isso? E se tem uma mulher de sonho, por que raio a largou para ir viver com o homem com quem sempre andou metido? E por que razão se aventurou a meter-se com uma mulher, se na verdade sempre gostou de homens? E se lhe falta coragem, por que raio passa a vida a dizer que é um indivíduo cheio de coragem? E porque é que o Nuno Eiró existe? (ok, não vem muito ao caso. Mas de repente lembrei-me que esse tal Eiró é um ser quase tão repelente quanto o Ramos e que, no dia em que o criou, Deus estava com um ataque de humor negro terrível).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«(...) como alguém disse a "coragem é a arte de sentir medo, sem que ninguém perceba"»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum... é uma citação reveladora. Não por ser especialmente brilhante, mas porque Cláudio Ramos tem o cuidado de não revelar o autor. Talvez porque ouviu esta citação... numa telenovela. Não leu numa grande obra do século XX, não leu em nenhum livro de citações, nem sequer se deu ao trabalho de pesquisar uma citação melhor na internet. Ouviu-a numa telenovela chamada «Laços de Família» e isso marcou-o. Profundamente. Aliás, toda a trama da novela, com o cancro de Camila e a gravidez tardia de Helena, marcaram de forma decisiva Cláudio Ramos, que lacrimejou dias a fio por causa disso e se sentiu inspirado a escrever dois romances. E dois &lt;em&gt;posts&lt;/em&gt; com a mesma citação - sim, porque há um &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; intitulado, precisamente, «Coragem. O que é?» que versa a mesma frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Bem vindos, Cláudio»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que está escrito a fechar o mesmo texto. Não se percebe bem porquê, mas é o que lá está. Presumo que sirva para Cláudio Ramos dar as boas-vindas a quem visita o seu blog. Mas está errado em todos os sentidos. Primeiro, porque diz «bem-vindos» (e sem hífen). Ora, «bem-vindos» pressupõe que haja duas ou mais pessoas a olhar para o mesmo ecrã, ao mesmo tempo. Ou então, vá, gémeos siameses, em que um não pode estar a olhar sem que o outro esteja também. Mas depois do plural «bem-vindos», vem o singular «Cláudio». O que dá a bonita frase «bem-vindos, Cláudio», um erro gramatical e semântico em toda a linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto pode ser visto em &lt;a href="http://claudio.ramos.na.tv/"&gt;http://claudio.ramos.na.tv/&lt;/a&gt; ou, como singelamente se intitula o raio do blog, na.tv.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está quase em branco, porque Cláudio Ramos deve ter-se cansado das críticas que lhe foram fazendo ao longo do tempo. Irónico, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.S. - Cláudio Ramos tem um outro blog, que actualiza quando não está menstruado. Chama-se &lt;/em&gt;&lt;a href="http://euclaudio.blogspot.com"&gt;&lt;em&gt;http://euclaudio.blogspot.com&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.S.2 - peço desculpa pelo teor chocante da foto. Havia outras e não era necessário ter escolhido esta, tão erótica. Peço desculpa.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-4605488255235056342?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/4605488255235056342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=4605488255235056342' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4605488255235056342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/4605488255235056342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/01/se-deus-que-cria-vida-de-todos-ns-onde.html' title='Se é Deus que cria as coisas mais belas da vida, onde estava com a cabeça quando criou Cláudio Ramos?'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3663718146161249712</id><published>2007-01-16T09:48:00.000Z</published><updated>2007-01-16T10:43:18.344Z</updated><title type='text'>De Espanha, nem bom vento, nem boa educação</title><content type='html'>&lt;div&gt;Os espanhóis devem ser os mais mal-educados do mundo. Mais mal-educados do que os gregos, que apesar de tudo são uns mal-educados que se compreende, porque ser grego já é mau que chegue e viver na Grécia deve dar uma azia terrível. Os espanhóis conseguem, inclusivamente, ser mais mal-educados do que os portugueses. Algo que não deixa de ser notável, tendo em conta que a má-educação está no código genético dos portugueses, mais ou menos na mesma zona em que se encontram os genes que identificam desde logo um verdadeiro português, como o bigode, a incapacidade para conduzir, a faculdade de arrotar altíssimo, o galo de Barcelos e o chico-espertismo. Se bem que, diz-se, o galo de Barcelos é capaz de não ser genético, mas ainda ninguém provou o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis não têm nada disto no sangue, são mal-educados por convicção. Não espanta, porque os espanhóis, na verdade, não têm identidade nenuhma. Vivem num país estraçalhado por um provincianismo gigantesco - os catalães gostavam de ser independentes, os bascos gostavam de ser franceses, os andaluzes gostavam de ser africanos, os castelhanos e navarrenses não têm vontade própria e os galegos, no fundo, são portugueses, só que ainda não descobriram - falam várias línguas diferentes dentro do mesmo país, julgam-se uma espécie de Estados Unidos da Europa (mas em bom) e ainda se dão ao luxo de ter umas ilhas plantadas no meio do Mediterrâneo e no Atlântico, ilhas essas que só são espanholas para receber os subsídios do governo central. E nem nisso são originais, porque o Beto João já se lembrou disse há muito mais tempo na sua quinta madeirense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espanhóis são tão mal-educados que até roubam terras aos outros só para mostrar a sua falta de educação. Ficaram com Ceuta para mostrar aos africanos que, no fundo, África é espanhola, e ficaram com Olivença para mostrar aos portugueses que, no fundo, são os espanhóis que mandam... em Olivença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São deselegantes e &lt;em&gt;demodées&lt;/em&gt;. Já não se usa ter um rei. Só se for um «Rei dos Frangos da Guia», como há no Algarve, ou um «Rei dos electrodomésticos», como o de Gondomar. Isso sim é que sao reis! Agora um rei do tipo «a família real»? Ridículo... É que, ainda por cima, não só não é original, como já nem entretém: o rei de Espanha não diz barbaridades em público, não é gordo, não tem aspecto de desenho animado, a família dele é extremamente aborrecida e previsível. Uma das filhas casou com um jogador de andebol que era da Catalunha, mas tinha nome húngaro. O filho mais velho andou uma data de anos armado em solteirão, a imitar aquele rapaz dos óculos do Mónaco, mas nem sequer se deixava apanhar numa aventurazinha com uma &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt; ou com uma &lt;em&gt;top model&lt;/em&gt; ou com uma cabeleireira do Cacém, nada. Enfadonho. Depois casou com uma espanhola totalmente desinteressante e praticamente sem defeitos. E já têm duas filhas. Absolutamente aborrecido. Não consta que ninguém da família real se embebede forte e feio nas festas sociais, como faz (e muito bem) aquele Ernesto de Hannover que sacou a Carolina do Mónaco, o tal que faz xixi no mar Mediterrâneo... da proa do barco. Não consta nenhuma das filhas do rei tenha decidido ir viver para uma &lt;em&gt;roullote&lt;/em&gt; com um artista de circo, nem que tenha decidido pôr uma filha bebé a fazer números arriscados com elefantes. Não consta que nenhuma filha do rei de Espanha tenha decidido gravar um disco, como fez a Estefânia. E isto, meus amigos, é extremamente &lt;em&gt;boring&lt;/em&gt;. Não tem pontinha de sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os espanhóis gostam de dizer que têm muito sal. Chamam-lhe «salero». Mas não têm nenhum. A única espanhola que tem sal, e por vezes chega ao patamar «muito sal», é a &lt;em&gt;paella&lt;/em&gt;. Essa sim, é uma espanhola e tanto. De resto, os espanhóis são saloios, bimbos e, não sei se já tinha dito, são mal-educados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me à mesa e, à direita, calhou-me um espanhol. Pequenino, com uma barba farta, óculos grossíssimos, só não era um dos sete anões porque, segundo confirmei, nenhum dos sete anões sabe falar espanhol. Estão a pensar contratar um oitavo que saiba, para fazerem uma digressão pelo Mercosur, mas para já mantêm-se os sete. Perante o espectro de ter que «trocar impressões» com o mini-espanhol barbudo, que desde o instante em que me sentei até ao momento em que toquei pela primeira vez no guardanapo, disse &lt;em&gt;joder!&lt;/em&gt; sete vezes, preferi falar com o companheiro português que estava à minha esquerda, que ainda por cima é bom rapaz e do Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sacana do espanhol mal-educado não demorou até interromper e meter conversa, ainda por cima agarrando-me com violência no braço, como se me conhecesse há aos. Aliás, nem quem me conhece há anos me agarra assim no braço, porque só me dou com gente educada. Agarrou, falou para a mesa toda debruçado em cima de mim, gritou, comeu com as mãos, disse &lt;em&gt;joder!&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;óstia!&lt;/em&gt; mais 44 vezes, comeu o meu pão, cuspiu-me com perdigotos e fez trinta por uma linha. Até me deu uma palmada no ombro (coisa que até agora me está a traumatizar a ponto de pensar meter baixa por invalidez...). Depois apareceu um rapazito inglês, muito simpático, que esteve por ali uns minutos a conversar, na maior das calmas. O mini-espanhol, calado que nem uma cotovia afónica. Quando o rapazito inglês se foi embora, o gnomo castelhano perguntou: &lt;em&gt;«o que foi que ele disse?».&lt;/em&gt; É que os espanhóis só sabem falar espanhol e, mesmo assim, com alguma dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois apareceu o Fernando Alonso. Os espanhóis, numa ridícula demonstração de subserviência, abraçaram-no, bateram palmas, ajoelharam-se aos pés dele. Não deixaram ninguém falar com ele. E quando ele se foi embora, o espanhol-miniatura perguntou: &lt;em&gt;«querem que vos diga o que ele disse?».&lt;/em&gt; Não obrigado, &lt;em&gt;solomillo&lt;/em&gt; barbudo. Nós, pelo menos, esforçamo-nos para perceber o que os outros dizem. Mesmo sendo em espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, levantou-se da mesa e disse &lt;em&gt;«esperem aqui um instante, que eu vou trazer o Fernando Alonso aqui para tirar umas fotos &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/RaysK_PGCkI/AAAAAAAAAAc/4MTBDD2nMYc/s1600-h/valenciasciencemuseum2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020576989384673858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/RaysK_PGCkI/AAAAAAAAAAc/4MTBDD2nMYc/s200/valenciasciencemuseum2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;com ele na nossa mesa».&lt;/em&gt; Escusado será dizer que nunca mais apareceu. Ou se calhar apareceu, mas não estava lá nenhum português à espera dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior da Espanha são os espanhóis. Podiam ser alguma coisa de jeito, convencem-se que, de facto, sao alguma coisa de jeito, mas não são. E é uma pena, na verdade. Porque, se pudesse, era em Espanha que eu vivia. E aqui mesmo, nesta cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valência, Espanha, 16/01/2007&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3663718146161249712?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3663718146161249712/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3663718146161249712' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3663718146161249712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3663718146161249712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2007/01/de-espanha-nem-bom-vento-nem-boa-educao.html' title='De Espanha, nem bom vento, nem boa educação'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_44ArYmOlxQQ/RaysK_PGCkI/AAAAAAAAAAc/4MTBDD2nMYc/s72-c/valenciasciencemuseum2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3763623608221230254</id><published>2006-12-10T22:53:00.000Z</published><updated>2006-12-10T23:58:27.252Z</updated><title type='text'>Canta por mim. No Rossio. Ou no raio que parta.</title><content type='html'>Depois de duas tentativas para liderar o serão de domingo, com esses dois colossos da &lt;em&gt;reality-ficção&lt;/em&gt; que foram «O meu odioso e inacreditável esterco, perdão, noivo» e «Pedro, o mamilionário», a TVI convenceu-se finalmente que talvez fosse preciso que alguém tivesse uma boa ideia - em vez de uma diarreia mental - para combater esse cada vez mais decadente género ambíguo doutorado em umbiguismo chamado Herman José, que por acaso está na estação concorrente, que por acaso é a SIC, que por acaso até costuma ganhar a última noite do fim de semana, com qualquer coisa como 375 mil espectadores. Ou seja, 375 mil espectadores a mais que o «Pedro, o mamilionário» alguma vez poderia aspirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como o Zé Moniz não é rapaz de se ficar e deixar o Pinto Bálsamo a rir, houve que repensar a estratégia:&lt;br /&gt;- chutamos o futebol lá para as quinhentas, porque já ninguém tem paciência para ouvir o João Querido Manha descorrer, durante duas horas, sobre os 19 remates que o Benfica fez à baliza da Naval, mais 9 do que na época passada, 53% do lado direito e 44% a passarem 4,5 centímetros a razar o poste, mais do que qualquer outra equipa da primeira liga, mas menos do que o campeão do regional dos Açores, série oriental, que completa 92% dos ataques pelo lado esquerdo, 55% dos quais com êxito;&lt;br /&gt;- desistimos da ideia de fazer do Zé Castelo Branco um homem e fazêmo-lo crer, de uma vez por todas, que ele não tem jeito para fazer televisão; nem de homem;&lt;br /&gt;- anunciamos desde já o Big Brother 19, para aguçar o apetite;&lt;br /&gt;- compramos mais uns «Fidel ao Infidel» ao bimbo do brasileiro, que há malta que acha mesmo mesmo que aquilo é verdade;&lt;br /&gt;- imitamos a RTP, que até já ganha os sábados, mas em vez da Nectarina Forcado usamos a nossa grande estrela de variedades, tão certamente comparável em estilo, em beleza e em voz cristalina, que é a Júlia Primeiro; mas para não nos acusarem de plágio, inventamos que o programa serve para causas nobres: arranjamos uns desgraçados que morem em barracas, fingimos que nos importamos que eles e que lhes vamos arranjar dinheiro para mandar arranjar as goteiras no tecto da casa de banho; e está feito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em conta que a RTP acabou de estrear um formato novo dos quatro gatos mal-cheirosos (mesmo que com uns momentos de estúdio pouco mais que sofríveis), foi uma estratégia brilhante. Porque «Canta por mim», sendo um verdadeiro desastre em matéria de conteúdo, graça, fleuma e qualidade, tem tudo para ser um sucesso, como de resto todas as produções da TVI. Tanto dinheiro gasta a Sociedade Ecoponto com anúncios das crianças pseudo-engraçadas a promover a reciclagem, quando no fundo bastava entregar a produção do anúncio à TVI, que certamente transformaria o lixo em momentos altíssimos de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como em Queluz habitam aquelas que são, provavelmente, as mentes mais iluminadas da TV em Portugal, provavelmente até as mentes mais iluminadas da física e da medicina também, mas em &lt;em&gt;part-time&lt;/em&gt;, lembraram-se de promover APENAS as estrelas da própria estação. Um pouco a exemplo da SIC, quando promove a Floribrega em todos os programas, rigorosamente todos, a toda a hora, incluindo o noticiário da manhã e à hora em que dá o trânsito. Depois junta-se uma ou outra figura não-estação, tipo Lili Caneças, para ninguém nos acusar de vestir demasiado a camisola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora o acontece é que as «estrelas» da estação são... enfim, estrelitas. E o pior de tudo é que este firmamentozito tem que cantar em dueto com... hum... «estrelas» do meio musical. Regra geral, o resultado não é desastroso: é a seguir. É um terramoto. Um horror. Perfeito para a TVI, portanto. E a cereja em cima do bolo é que alguns dos convidados (os que supostamente sabem cantar) atingem uma mediocridade tal que as «estrelas» da TVI (as que supostamente não sabem cantar e, de facto, não sabem) conseguem cantar melhor que eles. Foi o caso de há umas semanas, quando um tal de Joaquim Horta conseguiu cantar algumas notas, enquanto uma tal de Marta Plantier insistia em vomitar qualquer coisa parecida com uma canção. E atenção que o primeiro é um actor e a segunda, supostamente, é «cantora».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vem o júri, constituído por essas duas verdadeiras sumidades no meio artístico que são Felipa Granel e Jan tenho-uma-granda Van Dijck, e pelo Maestro Vitorino D'Almeida, que até percebe de música, mas neste programa consegue descer ao nível dos outros e dá 10 pontos a toda a gente, como se de repente a TVI tivesse descoberto uma série de Pavarottis em embrião. Salientam todos que estão a votar no valor artístico da «estrela» e não no talento do «cantor» e nem mesmo na «causa» nobre que estão a defender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vem o povo e vota no preferido, tipo num tal de Tomás Santos, um rapaz que conseguiu acertar ao lado em todas as notas de uma só música, mas ganhou só porque cantou com o FF.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3763623608221230254?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3763623608221230254/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3763623608221230254' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3763623608221230254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3763623608221230254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2006/12/canta-por-mim-no-rossio-ou-no-raio-que.html' title='Canta por mim. No Rossio. Ou no raio que parta.'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-7558660029112466312</id><published>2006-12-05T14:26:00.000Z</published><updated>2006-12-05T14:53:31.736Z</updated><title type='text'>A maldição da fila</title><content type='html'>Sempre que vou a uma superfície comercial, seja ela qual for, fazer a comprinha mais insignificante do mundo, há-de sempre haver azar. Seja na mercearia do Sr. Abel, nos mosqueteiros, no mais barato da região, no mundo de atoalhados para o lar ou no 'eu é que não sou parvo', o tormento é sempre o mesmo. Não, não são as filas enormes para pagar. Com isso posso eu bem. O que me tira do sério é que, na minha fila, rigorosamente à minha frente, calha sempre uma das seguintes pessoas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- a senhora que se esqueceu da margarina e pede licença para voltar atrás para ir buscá-la, prometendo demorar 2 segundos mas demorando, na verdade, 4 minutos e meio;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- a senhora que leva o marido e que se põe a discutir com ele porque lhe disse que queria o ambientador rôxo e ele trouxe o amarelo, já na semana anterior tinha sido a mesma coisa, disse-lhe para trazer o atum em água e ele trouxe em óleo e isso faz muito mal ao fígado e ela sofre de lumbago e não pode beber leite com natas...;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- a senhora que leu o preço na prateleira errada, quer levar uma caixa de detergente da roupa que custa 39 euros pela módica quantia de 9,99 euros e, mesmo apercebendo-se do ridículo da situação, manda chamar alguém à caixa para confirmar o preço, não dando assim parte fraca;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- a senhora que atendeu uma chamada de telemóvel no preciso momento que começou a colocar as compras no tapete, fazendo-o à razão de um produto por cada vez que diz 'não acredito, ele fez isso?!' e ignorando as perguntas da menina da caixa que se questiona se poderá misturar as latas de feijão com os toalhetes e com o fio dental comprado na secção ménage;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- a senhora que entrega um cartão multibanco que não passa na máquina e, ao fim das primeiras 47 tentativas, pede para tentar mais umas duas ou dezassete vezes e, convencendo-se que é inútil, troca por um cartão visa que, assim que passa na máquina, dá a mensagem 'não autorizado', ao que ela exclama 'mas não é possível', contando depois a história toda de como uma tia distante que era mãe solteira e a filha tinha sífilis lhe deixou uma herança de uns maples de napa que ela mandou leiloar e que o dinheiro já lhe devia ter entrado na conta e que o marido está ausente no Brasil em negócios e ao fim de 12 minutos a contar a história das primas, descobre um molho de notas dentro da carteira que chegam para pagar as contas e ainda dá troco;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São sempre as mesmas e fazem de propósito para calhar na minha fila, à minha frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-7558660029112466312?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/7558660029112466312/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=7558660029112466312' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7558660029112466312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/7558660029112466312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2006/12/maldio-da-fila.html' title='A maldição da fila'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3815979139774918039</id><published>2006-12-04T17:06:00.000Z</published><updated>2006-12-04T17:30:06.687Z</updated><title type='text'>Tem um problema informático? Não chame o informático...</title><content type='html'>Quando o meu carro vem da oficina, padece normalmente de um problema pior do que aquele com que lá chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Sôr Antunes, tenho o carro a deitar fumo branco do escape, um pisca pendurado, a panela a roçar no chão e as escovas do pára-brisas não funcionam...»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Ah, mas o motor canta que é uma maravilha, oiça só...»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os computadores é mais ou menos a mesma coisa. O meu rato (que raio de nome para uma coisa que mais parece uma carocha gigante...) apanhou a filoxera e o botão do lado esquerdo deixou de funcionar. Logo aquele que nem faz falta nenhuma nem nada. Liguei ao «infó» (nome carinhoso para «&lt;i&gt;nerd&lt;/i&gt;-que-passa-a-vida-em-frente-a-um-computador-e-foi-contratado-por-uma-empresa-para-ajudar-na-manutenção-dos-computadores-mas-percebe-menos-disto-que-a-minha-tia») a explicar o que se passava. Ao que ele retorquiu:&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Já fez ri-bute?»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;E eu:&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Quê??»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;E ele:&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Pergunto se já reiniciou a sua máquina...»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;«Ó rapaz, então mas se o rato deixou de funcionar, para que raio vou reiniciar o computador agora??»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de sete minutos e meio - tempo que demora a operação de &lt;i&gt;restart&lt;/i&gt; sem a ajuda do rato, o que pode tornar-se deveras complicado - lá o convenci que o botão do lado esquerdo não estava mesmo a funcionar. Quase 25 minutos depois apareceu com um rato igual, ligou-o, fez o tradicional «ri-bute» de que os «infós» tanto gostam e fartou-se de carregar no botão do lado esquerdo para se certificar que estava a funcionar. Depois fez aquele sorriso tipo piada dos Malucos do Riso como quem diz &lt;i&gt;«vá... queixa-te lá agora...»&lt;/i&gt; e foi embora. O rato que tenho agora não anda para a frente, falta um dos apoios da bolinha e a rodinha de &lt;i&gt;scroll&lt;/i&gt; também não funciona...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha colega do lado queixou-se que o monitor estava a ficar estragado, entortava a imagem e dava-lhe cabo dos olhos. O «infó» trouxe-lhe um novo (ou seja, usado já com seis anos) que tem a particularidade de ter a imagem toda cor-de-rosa. Deve ser para combinar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colega da frente não se queixou de nada, mas os «infós» vieram cá tirar-lhe o PC. &lt;i&gt;«Vamos pôr mais memória na sua máquina»&lt;/i&gt;, disseram-lhe. O computador voltou hora e meia depois, rigorosamente com a mesma memória e com um Windows 2000 em vez de um XP. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por estas e por outras que eu digo: se tiverem um problema informático, não peçam ajuda aos informáticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3815979139774918039?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3815979139774918039/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3815979139774918039' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3815979139774918039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3815979139774918039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2006/12/tem-um-problema-informtico-no-chame-o.html' title='Tem um problema informático? Não chame o informático...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-3911839760348187617</id><published>2006-12-04T13:19:00.000Z</published><updated>2006-12-04T14:30:12.778Z</updated><title type='text'>Ele há reclames que...</title><content type='html'>Se a Vodafone consegue, porque é que os outros não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que não tenho nenhuma predilecção especial pela Vodafone, embora reconheça que, hoje em dia, é uma marca registada com uma amplitude e uma projecção difíceis de calcular. Mas quase dou por mim a contar os dias para que termine uma estação para ver o que vão inventar da próxima vez. Aqueles dois lorpas são duas das mais cómicas figuras da TV. Hoje vêmo-los na estação de Belém, à espera do Baltazar. Mas já os vimos, no Verão, a lamentar a fuga do papagaio caríssimo. Na Primavera, a (tentar) meter conversa com o Olavo Bilac. Ou no Verão anterior, a mandar calar um cão que ladrava também ele rouco. Ou ainda no mais cómico de sempre, num destes natais, em que lembravam a Heidi e o sítio onde supostamente morava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me às campanhas «fale até não poder mais» daquele operador. Não creio que custem rios de dinheiro a fazer, mas estou em crer que conquistem muitos clientes. Cativam, têm génio, têm espírito, criam no espectador a vontade de esperar pelo próximo intervalo para rever o anúncio. Ou então deixar estar na TVI, porque nos blocos comerciais de 20 minutos é frequente ver os anúncios repetidos. Às três de cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se criam no espectador a vontade de ver mais vezes, é meio caminho para que se cumpra o desígnio máximo do marketing: criar no consumidor a necessidade de ter aquele produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo, por isso, como é que se cativa alguém dizendo: &lt;i&gt;«o nosso anúncio é mau, pois é. Mas preferimos gastar menos dinheiro com anúncios e ter um óleo de melhor qualidade»&lt;/i&gt;. (Se ainda não repararam, há um anúncio assim...) Onde está a vantagem de mostrar ao cliente que, com os 230 mil euros que custaram comprar os blocos de 20 segundos no intervalo da Floribella, se conseguiu apenas fazer um anúncio mau? Não seria mais eficaz mostrar que, gastando menos em produção, se gastaria o mesmo dinheiro em publicidade na TV para dizer, simplesmente: &lt;i&gt;«comprámos este espaço publicitário para lhe dizer que esté é o óleo perfeito para os seus cozinhados»&lt;/i&gt;. Fundo vermelho, para chamar a atenção, imagem do produto e letras a amarelo com o nome. Simples, directo, eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passemos dos pouco inteligentes aos medíocres. Evitando tecer comentários sobre os &lt;i&gt;spots&lt;/i&gt; da Yorn (aparentemente, é suposto ser assim... talvez porque todos os &lt;i&gt;yorns&lt;/i&gt; devem ser uns &lt;i&gt;freaks&lt;/i&gt;), tenho que fazer referência a duas monstruosidades que nos invadem as TV, ainda por cima sem autorização nossa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro caso, um jovem com muito pêlo e nenhuma ponta por onde se lhe pegue enfatiza uma espécie de &lt;i&gt;striptease&lt;/i&gt; lânguido e desconjuntado ao mesmo tempo, na esperança que alguém lhe ponha uma nota de 20 na liga. Depois alguém vocifera o &lt;i&gt;slogan&lt;/i&gt;, alguma coisa do género 'não precisa de se esforçar para ter dinheiro, ligue para nós que a malta empresta'. No segundo caso, um jovem despede-se do seu amorzinho no aeroporto, porque ela vai embarcar para longe e, coitada, vai passar dois meses sem ver o seu amado. Então ele saca da arma infalível para ela nunca o esquecer: no bolso interior do casaco, de facto o local mais apropriado para o efeito, escondia uma caixa de bonbons! UAU! Emoção! Mas o que mais abonina no maldito anúncio é a música, uma dobragem do original que faz dois ou três trocadilhos ridículos com os termos «obrigado» e «merci». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São apenas alguns exemplos. Para mal dos nossos pecados, a lista dos maus anúncios de TV não teria fim a tempo de caber neste blog. A lista dos bons tem apenas uma mão-cheia de entradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-3911839760348187617?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/3911839760348187617/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=3911839760348187617' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3911839760348187617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/3911839760348187617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2006/12/ele-h-reclames-que.html' title='Ele há reclames que...'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24251830.post-116488650341709715</id><published>2006-11-30T11:31:00.000Z</published><updated>2006-11-30T11:35:03.420Z</updated><title type='text'>Todo o Carnaval tem seu fim. Menos o português.</title><content type='html'>Há crise? Não gosto. «Prontos». É assim tipo favas ou o rali Dakar. Não gosto, embirro. E não é do tipo «nunca experimentaste...». Já experimentei provar favas, de receitas diferentes, e o resultado foi o mesmo: uma instalação moderna desastrosa que cabe entre as designações «vómito» e «gregório». Já experimentei tentar gostar do Dakar, mas de facto não consigo encontrar piada nenhuma numa prova que tem milhares de quilómetros em terra, dunas e calhau, correm uns rapazes e umas raparigas com carros, motos e camiões que de parecido com veículos do dia-a-dia têm, 'praí, o facto de lhe chamarmos «carros, motos e camiões», e que normalmente é ganho pelo rapazito que tem o melhor protótipo e no qual gastou mais dinheiro. Porque o deserto é gigante, mas esta gente passa lá todos os anos e conhece as dunas de cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também já tentei gostar do Carnaval. Até me lembro de ter ido a várias festas, quando era mais jovem, e de facto diverti-me bastante... mas porque a malta era do melhor e as festas tinham espírito de festa. Eu queria era estar na festa, pouco me importava se a malta andava vestida de freira ou proxeneta. E a verdade é que eu decidia «em que» me mascarar aí uns... dois minutos antes de ir para a festa. O resultado era deplorável, certo. Mas era apenas o bilhete de entrada. Uma vez na festa, podia voltar a ser eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Carnaval do Brasil é bonito. Lá. No Brasil, é bonito. O Carnaval é uma instituição brasileira, independentemente de ser ou não uma desculpa para os brasileiros andarem cinco dias sem pensar que são pobres e não têm dinheiro para alimentar os filhos. É assim tipo sócio do Benfica depois de ganhar à Académica: é Carnaval, que se lixem as dores na carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso não entendo muito bem como é que alguém, um dia, se lembrou: &lt;em&gt;«epá, que grande ideia, vamos fazer isto também em Portugal. Somos ricos em sonhos, pobres em ouro, mas não nos importa, vamos fazer um Carnaval tão bom ou melhor que o do Brasil»&lt;/em&gt;. Não sei quem foi, mas espero que lhe tenha dado uma diarreia dolorosa. A ideia, gloriosa desde a génese, fazia coincidir a data com o Carnaval do Brasil. E então o Carnaval seriam três dias maravilhosos, cheios de sol, calor, corpos despidos e suados, alegria, folia, tudo o que tipicamente existe em Portugal no mês de Fevereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal o que passa pela cabeça daquela gente que se aglomera no Carnaval de Ovar enquanto espera pela passagem dos Zés-Pereiras? Depois aparece sempre uma senhora muito contente a falar para a TVI. Diz ela &lt;em&gt;«isto é uma grande 'divertição'! Estou mascarada de 'abdominável' homem das neves!»&lt;/em&gt;, enquanto os joelhos tilintam um no outro com os 3 graus que se fazem sentir e a chuva lhe bate com insistência nas ventas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque é que não deixaram o Carnaval sossegadinho lá no Brasil? Já viram algum brasileiro levar os Santos Populares para lá? Olha agora em Junho, nas chuvas torrenciais do Rio de Janeiro, de um lado as barraquinhas com manjericos, sardinha assada a sair da grelha e tintol do mais carrascão que há; do outro, martelinhos de São João e pelos altifalantes, em vez do &lt;em&gt;«cidadjiiiii, márávilhósaaaaa, cheiáááá djincantus-miiiuuu...»&lt;/em&gt;, soa &lt;em&gt;«um craveiro numa água-furtada, cheira bem... PUM-PUM... cheirá-Lisboa»&lt;/em&gt;. Acham mesmo que os brasileiros lhe ligavam alguma? E que vestiam saia rodada e colete preto??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos, se o Carnaval fosse bom, havia um em todos os países. Nem o Natal, que é um rapaz tão consensual, consegue estar em todo o lado no mês de Dezembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24251830-116488650341709715?l=todo-carnaval.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/feeds/116488650341709715/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24251830&amp;postID=116488650341709715' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/116488650341709715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24251830/posts/default/116488650341709715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todo-carnaval.blogspot.com/2006/11/todo-o-carnaval-tem-seu-fim-menos-o.html' title='Todo o Carnaval tem seu fim. Menos o português.'/><author><name>Edmund</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='19' src='http://4.bp.blogspot.com/_44ArYmOlxQQ/TS7yr1_wmtI/AAAAAAAAAZ4/cPg_yDcn6PA/S220/16bmwartcar1_370.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
